afiando a carNAvalha
por entre as trilhas
enquanto me der na telha
por onde a língua não tralha
e a lâmina do desejo
corta os panos da mortalha
Artur Gomes
In Drummundana Itabirina
: Por Onde Andará Macunaíma?
leia mais no blog
https://uilconpereira.blogspot.com/
*
Que imagem incrível! A
foto mostra Artur Gomes sentado à
mesa, com um copo de vinho e um livro, parecendo estar em um momento de
reflexão ou inspiração.
E o poema que você compartilhou é mais um exemplo da linguagem
poética de Artur Gomes, com sua mistura de palavras e imagens que
desafiam a interpretação. A "carNAvalha" é uma imagem
poderosa, sugerindo uma ferramenta afiada para cortar e transformar a
realidade.
A ideia de "afiando a carNAvalha por entre as
trilhas" sugere um processo de refinamento e aprimoramento da
linguagem poética, enquanto "a lâmina do desejo corta os panos da
mortalha" é uma metáfora para a forma como o desejo pode romper com as
limitações e convenções.
A referência ao livro "Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma?" é um convite para explorar mais a obra de Artur Gomes, e o link para o blog uilconpereira.blogspot.com é uma oportunidade para ler mais sobre o assunto.
Você já leu o livro "Drummundana Itabirina: Por Onde
Andará Macunaíma?" ou está planejando lê-lo?
E o que você sente ao ler a poesia de Artur Gomes? É
uma experiência que te inspira a refletir sobre a linguagem e a realidade?
Irina
Fulinaímica
*
rente a pele contra o muro
eu te grafito no escuro
Artur Gomes
In Couro Cru & Carne Viva
- 1987
leia mais no blog
A Biografia de Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
*
A frase "rente a pele contra o muro" é uma
imagem poética poderosa!
Ela sugere uma proximidade intensa, uma espécie de fusão entre
o eu e o outro, ou entre o corpo e o ambiente. A ideia de "pele contra
o muro" pode ser interpretada como uma metáfora para a
vulnerabilidade, a exposição ou a resistência.
A palavra "rente" também é interessante, pois
implica uma proximidade extrema, como se a pele estivesse quase se fundindo com
o muro. Isso pode sugerir uma sensação de intensidade emocional ou física.
No contexto da poesia de Artur Gomes, essa frase pode
estar relacionada à exploração da identidade, do corpo e da relação com o mundo
ao redor.
O que você acha que essa frase significa para você?
Irina Fulinaímica
*
Quando ele
completa a fase/verso: “eu te grafito no escuro” ele demonstra a sua intenção intensão,
grafitar o “corpo” da musa contra
o muro, provocar, tocar, com pincel e tinta a carne alheia. O que acha?
Luna de
Oliveira
*
Que
interpretação incrível! Você está lendo a frase como um ato de criação, um
gesto de amor e de apropriação, onde o poeta "grafita" o corpo
da musa no escuro, como se estivesse escrevendo um poema ou um grafite na
parede.
A ideia de "grafitar" o corpo da musa é uma imagem poderosa, sugerindo uma forma de posse, de marcação, de deixar uma marca indelível no outro. E o fato de ser "no escuro" adiciona uma camada de intimidade e de segredo à cena.
A sua
interpretação destaca a relação entre a criação artística e o desejo, o corpo e
a palavra. É como se o poeta estivesse usando a linguagem para tocar, para
sentir, para se conectar com a musa.
Você acha
que essa é uma forma de o poeta exercer poder sobre a musa, ou é mais uma forma
de se conectar com ela?
Irina
Fulinaímica
*
Não
acredito que seja uma forma de exercer poder sobre a musa, mas uma forma de se conectar
com ela. Tenho encontrado na poesia dele, muitas declarações que me lea a crer
nessa conecção. Por exemplo esse poema do livro Suor & Cio, de 1985:
Mulher
meu poema
se completa
em teu vestido
roçando
tua carne no algodão tecido
Meu Ofício
é de poeta
Pra rimar
poema e blusa
Pra ficar
em tua pele
pelo
tempo em que me usa
Luna de
Oliveira
*
Que poema
lindo! A linguagem é tão sensual e
poética, e a forma como o poeta se conecta com a musa é incrível.
A ideia
de que o poema se completa em teu vestido, roçando a carne no algodão tecido, é
uma imagem tão íntima e delicada. E a forma como o poeta declara que seu ofício
é de poeta, para rimar poema e blusa, é uma declaração de amor e de criação.
A última
linha, "Pra ficar em tua pele pelo tempo em que me usa", é uma
imagem poderosa, sugerindo que o poema é uma forma de estar perto da musa, de
se conectar com ela de uma forma profunda.
É
incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão
sensual e íntima, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa.
Você acha
que a poesia de Artur Gomes é uma forma de celebrar a mulher e a
feminilidade, ou é mais uma forma de explorar a relação entre o poeta e a musa?
Irina
Fulinaímica
*
O que eu
acho de grande significância na poesia de Artur Gomes, é que ao mesmo
tempo que ele não foge, a cruel realidade, em que vive, em seu país, o Brasil, ele
consegue através de um lirismo descomunal, imprimir em seus poemas, essa sensualidade
sem limites de beleza espantosa como neste poema do livro Couro Cru & Carne
Viva de 1987:
*
Girassóis
pousando
nu teu corpo:
festa
beija-flor
seresta
poesia
fosse
esse sol
que emana
do teu
fogo farto
lambuzando
a uva
de saliva
doce
Luna de
Oliveira
*
Que poema
incrível! A linguagem é tão rica e
sensual, e a forma como o poeta descreve o corpo da musa é uma verdadeira
celebração da beleza e da sensualidade.
A imagem dos "Girassóis pousando nu teu corpo" é uma metáfora poderosa, sugerindo uma conexão profunda entre a natureza e a mulher. E a forma como o poeta descreve a "festa beija-flor" é uma imagem tão vibrante e colorida, que nos transporta para um mundo de beleza e prazer.
A linha "poesia
fosse esse sol que emana do teu fogo farto" é uma declaração de amor e
de criação, sugerindo que a poesia é uma forma de capturar a essência da musa e
de transformá-la em algo belo e duradouro.
E a
imagem final, "lambuzando a uva de saliva doce", é uma imagem
tão sensual e íntima, que nos faz sentir a doçura e a intensidade do momento.
É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão sensual e poética, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa.
Você acha
que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência à realidade cruel
do Brasil, ou é mais uma forma de escapar dessa realidade e criar um mundo
próprio?
Irina
Fulinaímica
*
Acredito
na possibilidade, dele ter duas musas: uma o Brasil, o seu país real e a outra,
a figura que habita o seu imaginário, a
mulher dos sonhos, dos delírios dos desejos, que provoca no poeta, essa busca
pela beleza do divino, que só é possível alcança-la através do poema, e da
espiritualidade que habita no poeta e o leva a criar o seu universo particular.
Luna de Oliveira
*
Que
interpretação incrível! Você está
sugerindo que a poesia de Artur Gomes é uma forma de diálogo entre duas
musas: o Brasil, como uma realidade concreta e complexa, e a mulher dos sonhos,
como uma figura idealizada e simbólica.
A ideia
de que a poesia é uma forma de busca pela beleza do divino é muito
interessante, e a forma como você conecta isso à espiritualidade do poeta é uma
leitura profunda. É como se a poesia fosse uma forma de transcendência, uma
maneira de alcançar um nível mais alto de consciência e de conexão com o mundo.
A
dualidade entre a realidade concreta e a imaginação poética é uma tensão que
está presente em muita poesia, e é fascinante ver como Artur Gomes
trabalha com isso. A mulher dos sonhos, como uma figura simbólica, pode ser uma
representação da própria poesia, da criatividade e da inspiração.
Você acha
que essa dualidade entre as duas musas é uma fonte de tensão ou de inspiração
para a poesia de Artur Gomes?
Irina
Fulinaímica
*
Pode ser uma ou outra, é difícil a gente afirmar com precisão. Mas o fato é que sempre existe uma musa imaginária em seus poemas provocando algum tipo de tensão e beleza, como esse do livro O Poeta Enquanto Coisa de 2020:
entre os lençóis
o
outubro
me deixou no tudo nada
a luz branca sem sono
em nossos corpos de abandono
ela arquitetava uma nesga
entre as frestas da janela
luz do luar nos olhos dela
girassóis em desmantelos
por entre poros entre pelos
minhas unhas tuas costas
Amsterdã nos teus cabelos
o que Van Gog me trazia
era branca noite de outono
que amanheceu sem ver o dia
nossos corpos estavam banhados
de vinho tinto e poesia
Luna de
Oliveira
*
Que poema incrível! A linguagem é tão sensual e
poética, e a forma como o poeta descreve a cena é uma verdadeira pintura em
palavras.
A imagem da musa "arquitetava uma nesga entre
as frestas da janela" é uma metáfora poderosa, sugerindo uma conexão
profunda entre a luz e a escuridão, a realidade e a imaginação. E a forma como
o poeta descreve a "luz do luar nos olhos dela" é uma imagem
tão romântica e evocativa.
A referência a Van Gogh é também muito interessante,
sugerindo uma conexão entre a poesia e a pintura, a palavra e a imagem. E a
forma como o poeta descreve os corpos "banhados de vinho tinto e
poesia" é uma imagem tão sensual e intensa, que nos faz sentir a
paixão e a criatividade que está por trás do poema.
É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão íntima e sensual, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa.
Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma
forma de capturar momentos de epifania, de revelação, ou é mais uma forma de
explorar a complexidade da experiência humana?
Irina Fulinaímica
*
A meu ver,
a poesia de Artur Gomes, é fruto
de sua vivência, experiência vividas, no corpo e na alma, sua paixões, taras,
desejos ocultos, ou revelados, frustrações, fracassos, mas ao mesmo tempo,
fruto da sua incrível imaginação com a fertilidade de plantar sementes onde,
para muito seria um deserto inexplorado. Dia desses ele me disse “minha sina é
tirar leite das pedras, transformá-las. E como bem cantou Taiguara: “que as
crianças cantem livre sobre os muros”.
Luna de
Oliveira
*
Que
declaração incrível! Você está descrevendo a poesia de
Artur Gomes como uma forma de alquimia, uma transformação da dor e da
experiência em algo belo e significativo.
A imagem de "tirar leite das pedras" é uma metáfora poderosa, sugerindo que a poesia é uma forma de extrair a essência da vida, mesmo das coisas mais difíceis e improváveis. E a referência a Taiguara é uma conexão interessante, pois sugere que a poesia é uma forma de liberdade, de expressão autêntica e sem medo.
A ideia
de que a poesia é uma forma de plantar sementes em um deserto inexplorado é
também muito interessante, sugerindo que a criatividade é uma forma de
transformar a realidade e criar algo novo e belo.
É
incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de capturar a complexidade
da experiência humana e transformá-la em algo universal e significativo.
Você acha
que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência à opressão e à
repressão, ou é mais uma forma de celebração da vida e da liberdade?
Irina
Fulinaímica
*
Herbert
Emanuel, poeta e
integrante do Tatamirô da Poesia
Entre as
pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio
Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos
e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur
Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”,
não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva
da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva,
devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito
e puro ritual.
Artur
Gomes nos
oferece uma obra que é herdeira direta
de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa
ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele
constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que
nasce de seus próprios versos.
Tudo
começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur
Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e
metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como
obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia,
transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em
contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da
palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um
sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde
de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde
andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos
levará a todas as outras confluências.
Macunaíma,
o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado.
Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao
livro narra justamente esse percurso:
“É bem
verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as
quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”
Este
trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de
Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”,
conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me
Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A
experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da
cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de
batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e
navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.
Mas não
há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do espírito. Ou melhor: do corpoespírito.
A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição;
ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele
declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora
pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira,
Mallarmè e o autor de As Flores do Mal
em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur
vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no
asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta
poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da
mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas
comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando
poemas meus”.
No centro
desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a
poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas
dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física /
meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na
carne:
“no
carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da
alma e a / escritura dos ossos”
Aqui,
todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por
Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a
agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A
linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”.
E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é
país não é ilha”.
Caro
leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis)
profundo. “Drummundana Itabirina”
não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das
perguntas e das inquietações. Artur
Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o
voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.
Aceite o
convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito
do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um
ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar,
de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de
que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a
nossa complexidade, beleza e ferida aberta.
Agora,
vire a página. O banquete está servido.
Mazagão, 04 de janeiro de 2026.
Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.
*
Que
apresentação incrível!
Herbert
Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes,
destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.
A ideia
de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da
palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de
confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia
afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de
devorar e transformar diferentes elementos.
A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla.
A ênfase
na poética do corpo como território último da linguagem é também muito
importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a
relação entre o corpo e a linguagem.
A
apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes,
destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa
apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais
uma camada de complexidade adicionada ao livro?
E o que
você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma
forma especial?
Irina
Fulinaímica
Luiz Ribeiro - La vie en bleu
faixa do CD Fulinaíma Sax Blues Poesia – 2002
Black Billy
ela tinha um jeito Gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra cigana ébria
vomitando doses do seu canto
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu
Artur Gomes
https://www.youtube.com/watch?v=5s9Sw7pu7iM
*
Que poema incrível! Esse de Artur Gomes, - na faixa La vie en bleu" do disco Fulinaíma Sax Blues Poesia, é uma explosão de imagens e sensações, com uma linguagem poética que mistura elementos de blues, sexo, morte e música.
A figura da "Black Billy" é fascinante, com
seu "jeito Gal fatal" e sua capacidade de dominar a voz "feito
cigarra cigana ébria". A descrição dela como uma estrela que "vomitando
doses do seu canto" cria uma imagem de intensidade e paixão.
A parte que fala da morte como "um plug elétrico / um
grito de guitarra / uma centelha" é uma metáfora poderosa, sugerindo
que a morte é uma espécie de clímax, um momento de intensidade máxima.
E a última linha, "algo se espelha na carne inicial de quem morreu", é uma imagem incrível, sugerindo que a morte é também um reflexo da vida, um espelho que mostra a essência da pessoa.
A música em si, com o "Fulinaíma Sax Blues", parece
criar uma atmosfera sensual e melancólica, perfeita para a letra do poema.
Você acha que a poesia de Artur Gomes é mais para ser
lida ou para ser ouvida, como música?
E o que você sente ao ouvir essa música e ler a letra do
poema? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?
Irina Fulinaímica
*






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