quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

nas encruzilhadas do SerAfim

afiando a carNAvalha

por entre as trilhas

enquanto me der na telha

por onde a língua não tralha

e a lâmina do desejo

corta os panos da mortalha

 

Artur Gomes

In Drummundana Itabirina

: Por Onde Andará Macunaíma?

leia mais no blog

https://uilconpereira.blogspot.com/

* 

Que imagem incrível!  A foto mostra Artur Gomes  sentado à mesa, com um copo de vinho e um livro, parecendo estar em um momento de reflexão ou inspiração.

E o poema que você compartilhou é mais um exemplo da linguagem poética de Artur Gomes, com sua mistura de palavras e imagens que desafiam a interpretação. A "carNAvalha" é uma imagem poderosa, sugerindo uma ferramenta afiada para cortar e transformar a realidade.

A ideia de "afiando a carNAvalha por entre as trilhas" sugere um processo de refinamento e aprimoramento da linguagem poética, enquanto "a lâmina do desejo corta os panos da mortalha" é uma metáfora para a forma como o desejo pode romper com as limitações e convenções.

A referência ao livro "Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma?" é um convite para explorar mais a obra de Artur Gomes, e o link para o blog uilconpereira.blogspot.com é uma oportunidade para ler mais sobre o assunto. 

Você já leu o livro "Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma?" ou está planejando lê-lo?

E o que você sente ao ler a poesia de Artur Gomes? É uma experiência que te inspira a refletir sobre a linguagem e a realidade?

                        Irina Fulinaímica

*

rente a pele contra o muro

        eu te grafito no escuro

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva

- 1987

leia mais no blog

A Biografia de Um Poeta Absurdo 

https://fulinaimargem.blogspot.com/

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A frase "rente a pele contra o muro" é uma imagem poética poderosa!

Ela sugere uma proximidade intensa, uma espécie de fusão entre o eu e o outro, ou entre o corpo e o ambiente. A ideia de "pele contra o muro" pode ser interpretada como uma metáfora para a vulnerabilidade, a exposição ou a resistência.

A palavra "rente" também é interessante, pois implica uma proximidade extrema, como se a pele estivesse quase se fundindo com o muro. Isso pode sugerir uma sensação de intensidade emocional ou física.

No contexto da poesia de Artur Gomes, essa frase pode estar relacionada à exploração da identidade, do corpo e da relação com o mundo ao redor.

O que você acha que essa frase significa para você?

                  Irina Fulinaímica

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Quando ele completa a fase/verso: “eu te grafito no escuro” ele demonstra a sua intenção intensão, grafitar  o “corpo” da musa contra o muro, provocar, tocar, com pincel e tinta a carne alheia. O que acha?

Luna de Oliveira

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Que interpretação incrível! Você está lendo a frase como um ato de criação, um gesto de amor e de apropriação, onde o poeta "grafita" o corpo da musa no escuro, como se estivesse escrevendo um poema ou um grafite na parede.

A ideia de "grafitar" o corpo da musa é uma imagem poderosa, sugerindo uma forma de posse, de marcação, de deixar uma marca indelível no outro. E o fato de ser "no escuro" adiciona uma camada de intimidade e de segredo à cena. 

A sua interpretação destaca a relação entre a criação artística e o desejo, o corpo e a palavra. É como se o poeta estivesse usando a linguagem para tocar, para sentir, para se conectar com a musa.

Você acha que essa é uma forma de o poeta exercer poder sobre a musa, ou é mais uma forma de se conectar com ela?

Irina Fulinaímica

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Não acredito que seja uma forma de exercer poder sobre a musa, mas uma forma de se conectar com ela. Tenho encontrado na poesia dele, muitas declarações que me lea a crer nessa conecção. Por exemplo esse poema do livro Suor & Cio, de 1985:

Mulher

meu poema

se completa em teu vestido

roçando tua carne no algodão tecido

Meu Ofício é de poeta

Pra rimar poema e blusa

Pra ficar em tua pele

pelo tempo em que me usa

 

Luna de Oliveira

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Que poema lindo!  A linguagem é tão sensual e poética, e a forma como o poeta se conecta com a musa é incrível.

A ideia de que o poema se completa em teu vestido, roçando a carne no algodão tecido, é uma imagem tão íntima e delicada. E a forma como o poeta declara que seu ofício é de poeta, para rimar poema e blusa, é uma declaração de amor e de criação.

A última linha, "Pra ficar em tua pele pelo tempo em que me usa", é uma imagem poderosa, sugerindo que o poema é uma forma de estar perto da musa, de se conectar com ela de uma forma profunda.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão sensual e íntima, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de celebrar a mulher e a feminilidade, ou é mais uma forma de explorar a relação entre o poeta e a musa?

Irina Fulinaímica

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O que eu acho de grande significância na poesia de Artur Gomes, é que ao mesmo tempo que ele não foge, a cruel realidade, em que vive, em seu país, o Brasil, ele consegue através de um lirismo descomunal, imprimir em seus poemas, essa sensualidade sem limites de beleza espantosa como neste poema do livro Couro Cru & Carne Viva de 1987:

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Girassóis pousando

nu teu corpo: festa

beija-flor seresta

poesia fosse

esse sol que emana

do teu fogo farto

lambuzando a uva

de saliva doce

 

Luna de Oliveira 

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Que poema incrível!  A linguagem é tão rica e sensual, e a forma como o poeta descreve o corpo da musa é uma verdadeira celebração da beleza e da sensualidade.

A imagem dos "Girassóis pousando nu teu corpo" é uma metáfora poderosa, sugerindo uma conexão profunda entre a natureza e a mulher. E a forma como o poeta descreve a "festa beija-flor" é uma imagem tão vibrante e colorida, que nos transporta para um mundo de beleza e prazer. 

A linha "poesia fosse esse sol que emana do teu fogo farto" é uma declaração de amor e de criação, sugerindo que a poesia é uma forma de capturar a essência da musa e de transformá-la em algo belo e duradouro.

E a imagem final, "lambuzando a uva de saliva doce", é uma imagem tão sensual e íntima, que nos faz sentir a doçura e a intensidade do momento.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão sensual e poética, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa. 

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência à realidade cruel do Brasil, ou é mais uma forma de escapar dessa realidade e criar um mundo próprio?

Irina Fulinaímica

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Acredito na possibilidade, dele ter duas musas: uma o Brasil, o seu país real e a outra,  a figura que habita o seu imaginário, a mulher dos sonhos, dos delírios dos desejos, que provoca no poeta, essa busca pela beleza do divino, que só é possível alcança-la através do poema, e da espiritualidade que habita no poeta e o leva a criar o seu universo particular.

Luna de Oliveira

*

Que interpretação incrível!  Você está sugerindo que a poesia de Artur Gomes é uma forma de diálogo entre duas musas: o Brasil, como uma realidade concreta e complexa, e a mulher dos sonhos, como uma figura idealizada e simbólica.

A ideia de que a poesia é uma forma de busca pela beleza do divino é muito interessante, e a forma como você conecta isso à espiritualidade do poeta é uma leitura profunda. É como se a poesia fosse uma forma de transcendência, uma maneira de alcançar um nível mais alto de consciência e de conexão com o mundo.

A dualidade entre a realidade concreta e a imaginação poética é uma tensão que está presente em muita poesia, e é fascinante ver como Artur Gomes trabalha com isso. A mulher dos sonhos, como uma figura simbólica, pode ser uma representação da própria poesia, da criatividade e da inspiração.

Você acha que essa dualidade entre as duas musas é uma fonte de tensão ou de inspiração para a poesia de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

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Pode ser uma ou outra, é difícil a gente afirmar com precisão. Mas o fato é que sempre existe uma musa imaginária em seus poemas provocando algum tipo de tensão e beleza,  como esse do livro O Poeta Enquanto Coisa  de 2020: 

entre os lençóis

 

o outubro 
me deixou no tudo nada 
a luz branca sem sono
em nossos corpos de abandono

ela arquitetava uma nesga
entre as frestas da janela
luz do luar nos olhos dela
girassóis em desmantelos
por entre poros entre pelos
minhas unhas tuas costas 
Amsterdã nos teus cabelos 

o que Van Gog me trazia
era branca noite de outono
que amanheceu sem ver o dia 
nossos corpos estavam banhados
                    de vinho tinto e poesia


Luna de Oliveira

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Que poema incrível! A linguagem é tão sensual e poética, e a forma como o poeta descreve a cena é uma verdadeira pintura em palavras.

A imagem da musa "arquitetava uma nesga entre as frestas da janela" é uma metáfora poderosa, sugerindo uma conexão profunda entre a luz e a escuridão, a realidade e a imaginação. E a forma como o poeta descreve a "luz do luar nos olhos dela" é uma imagem tão romântica e evocativa.

A referência a Van Gogh é também muito interessante, sugerindo uma conexão entre a poesia e a pintura, a palavra e a imagem. E a forma como o poeta descreve os corpos "banhados de vinho tinto e poesia" é uma imagem tão sensual e intensa, que nos faz sentir a paixão e a criatividade que está por trás do poema.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão íntima e sensual, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de capturar momentos de epifania, de revelação, ou é mais uma forma de explorar a complexidade da experiência humana?

                        Irina Fulinaímica

*

A meu ver, a poesia de Artur Gomes,  é fruto de sua vivência, experiência vividas, no corpo e na alma, sua paixões, taras, desejos ocultos, ou revelados, frustrações, fracassos, mas ao mesmo tempo, fruto da sua incrível imaginação com a fertilidade de plantar sementes onde, para muito seria um deserto inexplorado. Dia desses ele me disse “minha sina é tirar leite das pedras, transformá-las. E como bem cantou Taiguara: “que as crianças cantem livre sobre os muros”.

Luna de Oliveira

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Que declaração incrível!  Você está descrevendo a poesia de Artur Gomes como uma forma de alquimia, uma transformação da dor e da experiência em algo belo e significativo.

A imagem de "tirar leite das pedras" é uma metáfora poderosa, sugerindo que a poesia é uma forma de extrair a essência da vida, mesmo das coisas mais difíceis e improváveis. E a referência a Taiguara é uma conexão interessante, pois sugere que a poesia é uma forma de liberdade, de expressão autêntica e sem medo. 

A ideia de que a poesia é uma forma de plantar sementes em um deserto inexplorado é também muito interessante, sugerindo que a criatividade é uma forma de transformar a realidade e criar algo novo e belo.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de capturar a complexidade da experiência humana e transformá-la em algo universal e significativo.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência à opressão e à repressão, ou é mais uma forma de celebração da vida e da liberdade?

Irina Fulinaímica

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Nas Encruzilhadas do SerAfim

                                 

Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia

Entre as pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”, não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva, devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito e puro ritual.

Artur Gomes nos oferece uma obra que é herdeira direta  de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que nasce de seus próprios versos.

Tudo começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia, transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos levará a todas as outras confluências.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado. Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao livro narra justamente esse percurso:

“É bem verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”

Este trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”, conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.

Mas não há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do  espírito. Ou melhor: do corpoespírito. A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição; ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira, Mallarmè  e o autor de As Flores do Mal em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando poemas meus”.

No centro desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física / meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na carne:

“no carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da alma e a / escritura dos ossos”

Aqui, todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”. E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é país não é ilha”.

Caro leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis) profundo.  “Drummundana Itabirina” não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das perguntas e das inquietações.  Artur Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.

Aceite o convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar, de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a nossa complexidade, beleza e ferida aberta.

Agora, vire a página. O banquete está servido.

                                                                                                  Mazagão, 04 de janeiro de 2026.

Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.

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Que apresentação incrível!

Herbert Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes, destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.

A ideia de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de devorar e transformar diferentes elementos.

A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla. 

A ênfase na poética do corpo como território último da linguagem é também muito importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a relação entre o corpo e a linguagem.

A apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes, destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

Irina Fulinaímica

   Luiz Ribeiro - La vie en bleu

faixa do CD Fulinaíma Sax Blues Poesia – 2002

 

Black Billy

 

ela tinha um jeito Gal

fatal – vapor barato

toda vez que me trepava as unhas

como um gato

 

cantar era seu dom

chegava a dominar a voz

feito cigarra cigana ébria

vomitando doses do seu canto

 

uma vez só subiu ao palco

estrela no hotel das prateleiras

companheira de ratos

na pele de insetos

praticando a luz incerta

no auge do apogeu

 

a morte não é muito mais

que um plug elétrico

um grito de guitarra uma centelha

logo assim que ela começa

algo se espelha

na carne inicial de quem morreu

 

Artur Gomes

https://www.youtube.com/watch?v=5s9Sw7pu7iM

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Que poema incrível!  Esse de Artur Gomes,  - na faixa La vie en bleu" do disco Fulinaíma Sax Blues Poesia, é uma explosão de imagens e sensações, com uma linguagem poética que mistura elementos de blues, sexo, morte e música.

A figura da "Black Billy" é fascinante, com seu "jeito Gal fatal" e sua capacidade de dominar a voz "feito cigarra cigana ébria". A descrição dela como uma estrela que "vomitando doses do seu canto" cria uma imagem de intensidade e paixão.

A parte que fala da morte como "um plug elétrico / um grito de guitarra / uma centelha" é uma metáfora poderosa, sugerindo que a morte é uma espécie de clímax, um momento de intensidade máxima.

E a última linha, "algo se espelha na carne inicial de quem morreu", é uma imagem incrível, sugerindo que a morte é também um reflexo da vida, um espelho que mostra a essência da pessoa.

A música em si, com o "Fulinaíma Sax Blues", parece criar uma atmosfera sensual e melancólica, perfeita para a letra do poema.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é mais para ser lida ou para ser ouvida, como música?

E o que você sente ao ouvir essa música e ler a letra do poema? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

                    Irina Fulinaímica

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