sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Retalhos Imortais do SerAfim

ele me provoca

me invoca

me incorpora

 

enfia toda palavra

nos porões das  coxas

passeia o litoral das  costas

da nuca

ao cóccix fricção

ação movimento

o poema voa pelos

poros pele ao sabor do vento

beija lambe

morde minha  carne trêmula

coloca um trema no meu ( ) tranqüilo

como quem constante

sempre come aquilo  

 

desconcerta

desconforta

não tendo como fugir

me entrego

intensa/inteira

como a mulher aos pés da porta

 

Irina Serafina

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https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

*

 Artur Kabrunco - Que poesia sensual e intensa!

A forma como você descreve a relação entre o poema e o seu corpo é verdadeiramente única e cativante.

A imagem do poema como uma força que provoca, invoca e incorpora você é uma metáfora poderosa para a forma

como a arte pode nos afetar e transformar.

A descrição da palavra como uma entidade que se move pelo seu corpo, passeando pelo litoral das costas, da nuca ao cóccix, é uma imagem sensual e íntima que sugere uma conexão profunda entre o poema e o seu corpo.

A menção à fricção, ação e movimento é uma celebração da energia e da vitalidade da poesia.

E a forma como você descreve a entrega ao poema, como uma mulher aos pés da porta, é uma imagem de rendição e abandono que sugere uma conexão profunda e apaixonada com a arte.

A assinatura "Irina Serafina" é um toque delicado que sugere uma conexão com a tradição poética e a arte.

Essa poesia é um verdadeiro manifesto da sua conexão com a arte e a palavra.

Parabéns!

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   Jura Secreta 13

o tecido do amor já esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro itaocaras
e persigo outras ilhas na carne crua d teu corpo
amanheço alfabetos grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de cactos flor de lótus flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
hilda hilst em tudo mais que me amasse
ardendo em nós flechas de fogo se existisse
salgado mar pulsando em nós
e olga risse por onde quer que eu te cantasse ou amavisse

Artur Gomes

poema do livro

Juras Secretas – 2018

https://braziliricapereira.blogspot.com/

*

 O poema "Jura Secreta 13" de Artur Gomes é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica, simbólica e evocativa, transportando o leitor para um mundo de imagens e sensações.

- O Amor e a Linguagem: O poema começa com a imagem do "tecido do amor" que foi "esgarçado" em muitos outubros, sugerindo a fragilidade e a impermanência do amor. A linguagem é uma ferramenta para expressar esse amor, mas também é uma fonte de dor e de desilusão.

- A Busca por Outras Ilhas: O eu lírico busca outras ilhas, outras formas de amor e de prazer, na "carne crua" do corpo da amada. A imagem é sensual e erótica, sugerindo uma busca por experiências intensas e profundas.

- A Persistência do Amor: Apesar da dor e da desilusão, o eu lírico permanece "doido e lírico" em tudo o que faz. O amor é uma força que não pode ser negada, mesmo que seja uma "flor de cactos" ou uma "faca fosse".

- A Influência de Hilda Hilst: A menção a Hilda Hilst é significativa, pois ela é uma poeta brasileira conhecida por sua obra que explora a sensualidade e a espiritualidade. O poema é uma homenagem à sua influência e à sua obra.

- A Imagem do Fogo: A imagem do fogo é recorrente no poema, sugerindo a paixão e a intensidade do amor. As "flechas de fogo" são uma metáfora para a força do amor que pode queimar e destruir, mas também criar e transformar.

Conclusão

O poema "Jura Secreta 13" é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica, simbólica e evocativa, transportando o leitor para um mundo de imagens e sensações. O poema é uma busca por amor, prazer e significado, e é uma celebração da linguagem e da criatividade.

Irina Fulinaímica  

*

Deus não joga dados

mas a gente lança

sem nem mesmo saber

se alcança

o número que se quer

 

mas como me disse mallarmè

:

- vida não é lance de dedos

A vida é lança de dardos

Deus não arde no fogo

                   mas eu ardo

 

Artur Gomes

Pátria A(r )mada

Desconcertos – 2022

https://arturfulinaima.blogspot.com/

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Que poema incrível! A referência a Einstein ("Deus não joga dados") e a Mallarmé é uma forma genial de Artur Gomes criar um diálogo entre a física, a poesia e a vida.

A ideia de que "a vida é lança de dardos" é uma metáfora poderosa para a incerteza e a imprevisibilidade da vida, contrastando com a ideia de um Deus que não joga dados, ou seja, que não deixa ao acaso.

E a frase "Deus não arde no fogo mas eu ardo" é uma expressão intensa da paixão e da intensidade humana, mostrando que, ao contrário de um Deus distante, o eu lírico está imerso nas emoções e no fogo da vida.

Você acha que o poema é uma reflexão sobre a incerteza da vida e a busca por significado, ou é mais uma expressão da intensidade emocional do eu lírico?

Irina Fulinaímica

*

64

 

Não era de Vênus 
a cor do sol do meio dia
Afro-dite 
negras eram nuvens
acima o mar num céu de estanho
chumbo metal pesado
no couro cru da carne viva 
ferrugem  corroendo ossos
botas   pontiagudas 
patas de cavalos cuspindo coices
no calabouço do asfalto

esporas sangrando corpos
abrindo cadafalsos

na noite 31 de março
madrugada  primeiro de  Abril

 

Artur Gomes

*

O poema de Artur Gomes é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea, com uma linguagem rica, simbólica e evocativa. A obra é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta.

- A Opressão e a Violência: A menção a "botas pontiagudas patas de cavalos cuspindo coices" e "esporas sangrando corpos" sugere a opressão e a violência exercidas sobre os oprimidos.

A Resistência e a Luta: A imagem de "corpos abrindo cadafalsos na noite" sugere a resistência e a luta contra a opressão e a tirania.

A Data Histórica: A referência a "31 de março madrugada primeiro de Abril" sugere a data do golpe militar de 1964 no Brasil, e a repressão que se seguiu.

- A Simbologia: A menção a "Vênus" e "Afro-dite" sugere a conexão com a mitologia e a cultura africana, e a busca por uma identidade e uma resistência. 

O poema é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta. A linguagem é uma forma de expressar a paixão e a intensidade do poeta, e de criar uma atmosfera de tensão e expectativa. 

Para você Artur Gomes é um bom poeta, ou a poesia  que ele escreve é apenas uma forma de desabafo de suas angústias e frustrações? As reflexões presentes em sua poética são pertinentes com o que tentou definir Mário Faustino sobre o homem e sua hora, sendo o poeta um documentarista do seu tempo? 

Irina Severina

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