quinta-feira, 4 de junho de 2026

Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 78 Por Ética

manifesto anti-barbárie

com os dentes cravados na memória

 a partir de agosto - aguardem mais informações

contatos:

Fulinaíma MultiProjetos

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Uma cortesia da Cafeteria e Confeitaria Doce Mel – Rua João Barros Carneiro, 001 – Centro – São Francisco do Itabapoana-RJ – Direção: Pamela - Pam Pam uma fada de mãos mágicas.

Onde você encontra uma diversidade de salgadinhos e doces de pote,  bem como deliciosos Bolos de  diversos sabores e uma Torta Salgada que como  diria minha inesquecível amiga Wilma Lima, lá de Santo André-SP : “é para comer rezando”.


o delírio

é a lira do poeta

se o poeta não delira

sua lira não concreta 


Artur Gomes

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Retalhos Imortais do SerAfim

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fulinaima@gmail.com

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Produção Gráfica: Nilson Siqueira

Produção Executiva: Eva Serberlich

 com os dentes cravados na memória

Minhas Travessias por São Fidélis a partir de 1974 – quando em parceria com Paulo Ciranda, nossa música Caminho de Paz, sagrou-se vencedora do 4º Festival de Música da Cidade/Poema.

 Em 1973, estive  pela primeira vez  neste mesmo Festival de Música, concorrendo com uma parceria com um outro fidelense,  o  saudoso Carlos Castilho.

Neste mesmo ano de 1973,  conheci o Paulo Ciranda, que no Festival se apresentou com a música Ciranda(que deu origem a sua assinatura musical),   em parceria com o poeta Antônio Roberto Fernandes, premiada em 4° lugar.

A parceria com Paulo Ciranda, nasce em Campos, em 1974, no período em que ele estudou no colégio Salesiano.  

Quando pensei, a possibilidade de uma edição da Balbúrdia PoÉtica, neste 2026, em São Fidélis, pensei sua realização no Hotel São José. Por uma questão dos longos anos de amizade com Magnólia Faria, e também por diversas vezes durante minhas travessias por São Fidélis, ser acolhido por esta casa com uma história singular na cidade.

Primeiramente, pensei a possibilidade de termos participação do meu parceiro musical Paulo Ciranda, responsável diretos pela minha trajetória por esta cidade/poema.

Nunca fugiu da minha memória, ilustres pessoas que conheci em São Fidélis, primeiramente através do Festival de Música, que magistralmente era realizado durante todos os nãos de 1970,   e que se tornaram grandes amigos que faço questão de reverenciar,  tais como: Mauri Simão(coordenador do Festival), Fidélis Pereira, (um apaixonado por música e arte em, geral), Antônio Roberto Fernandes, (grande poeta), e tantos outros como: Carlos Alfredo, Beatriz Abreu(coordenadora do nosso fã clube no Festival de Música em 1974).

Não foge da minha memória também as edições do Festival Aberto de Poesia Falada, onde por diversas vezes atuei na Comissão Julgadora, além de realizar performances poéticas e dirigir oficinas de produção.

Relembro sempre também as Semanas Culturais, onde sempre estive presente a convite de Ronaldo Barcelos, como esta em 2016 onde fiz uma performance na praça e na Biblioteca.

São Fidélis – Desvairada 1

https://www.youtube.com/watch?v=7ewPaELu11M

São Fidélis – Desvairada

https://www.youtube.com/watch?v=6IjUQRkObuc

Por sugestão do Ronaldo Barcelos, a Balbúrdia será realizada no Anfiteatro, dentro da programação do 4º Festival Gastronômico, no dai 3 de julho às 18:30h e conta com a produção executiva de Magnólia Faria e dos outros dos grandes parceiros e amigos que tenho nesta cidade: Ronaldo Barcelos e Geraldo Evangelista(Chocolate)

 

Artur Gomes

Balada Pros Mortais – música em parceria com Paulo Ciranda – vencedora do Festival de Música de Itaocara-RJ – 1976

https://www.youtube.com/watch?v=uigtYt2tBBI

A Biografia De Um Poeta Absurdo

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 Balbúrdia PoÉtica

O que é? 

Um manifesto anti-barbárie através da Arte. Projeto criado por Artur Gomes, em 2019  com o objetivo realizar encontros, em diversas cidades do país, entre poetas, músicos, atores, cineastas, editores, tendo sempre em seu cardápio uma mostra da produção poética contemporânea, com a participação de agentes culturais das cidades onde a edição da Balbúrdia PoÉtica estiver sendo realizada. 

Em seu histórico, a Balbúrdia PoÉtica, já teve edições  realizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André-SP, Cabo Frio-RJ, Campos dos Goytacazes-RJ.

A Balbúrdia PoÉtica, pode ser realizada nos formatos: Saraus, Musicais, Mostras Cine-Vídeo, Recitais, ou Rodas de Conversas.

Em sua programação, além de recitais poéticos,  pode ser  realizados também, lançamentos de livros, discos, e divulgação sobre acontecimentos culturais, na cidade onde a Balbúrdia PoÉtica estiver presente, o em qualquer outra cidade do país.

De 2024 a 2025, em um formato teatro.poesia, foi realizada diversas edições da Balbúrdia PoÉtica, nas Escolas da Rede Estadual de Ensino na Região Norte Fluminense.

 

Artur Gomes

Fulinaíma MultiProjetos

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meu coração marçal tupã

sangra tupi e rock and roll

meu sangue tupiniquim

em corpo tupinambá

samba jongo maculelê

maracatu boi-bumbá

a veia de curumim

é coca cola e guaraná

 

Artur Gomes

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Balbúrdia PoÉtica – Manifesto

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musicado e gravado por Paulo Ciranda

clique no link para ver o vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=NuVbw7xHPy0

clique no link para ver o vídeo

https://www.youtube.com/shorts/Boc9bqDOSms 

TROVA

 

MEU coração é tão hipócrita

que não janta

e

mais imbecil

que ainda canta:

ou

viram no Ipiranga

às margens plácidas

uma bandeira arriada

num país que não levanta

 

Artur Gomes

Poema do livro Couro Cru & Carne Viva – 1987 e Pátria A(r )mada - 2022

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*

Que crítica poderosa! O poema de Artur Gomes é uma reflexão amarga sobre a hipocrisia e a desilusão com o país.

A imagem do coração "hipócrita" que "não janta e mais imbecil que ainda canta" é uma autocrítica cruel, sugerindo que mesmo sabendo da situação, as pessoas continuam a fingir ou a se enganar.

A referência ao Hino Nacional ("ou viram no Ipiranga às margens plácidas") é subvertida para mostrar a contradição entre o ideal de independência e a realidade de um país que não "levanta". A bandeira "arriada" é um símbolo forte de derrota e desilusão.

O tom é de ironia e desabafo, como se o poeta estivesse dizendo que o país está longe de ser o que deveria ser, e que a hipocrisia e a estagnação são reais.

Você acha que esse poema ainda é relevante hoje, ou é uma crítica específica da época (1987)?

 

Irina Fulinaímica Severina

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pele grafia

 

meus lábios em teus ouvidos

flechas netuno cupido

a faca na língua a língua na faca

a febre em patas de vaca

as unhas sujas de Lorca

cebola pré sal com pimenta

tempero sabre de fogo

na tua língua com coentro

qualquer paixão re/invento

 

o corpo/mar quando agita

na preamar arrebenta

espuma esperma semeia

sementes letra por letra

na bruma branca da areia

sem pensar qualquer sentido

grafito em teu corpo despido

poemas na lua cheia

 

Artur Gomes

poema do livro Juras Secretas – 2018

https://braziliricapereira.blogspot.com/

foto: Brenda Sangi Fotografia 

Balburdia PoÉtica

em São Fidélis-RJ

 

nesta cidade/poema

ganhei  prêmio com música

em mil novecentos e setenta e quatro

com meu parceiro Ciranda

        um fidelense arretado

em nossas Baladas Pros Mortais

um violeiro sagrado

em  rodas de Boi-Pintadinho

levei muita gente ao Torquato

em marcantes semanas culturais

com teatro poesia cinema

entre afetos amizades carinho

nesta cidade/poema

com o nosso Caminho de Paz

        abrimos novos caminhos

 *

clique no link para v(l)er ouvir Caminho de Paz

https://www.youtube.com/watch?v=j_4KIdGDoh8&list=RDj_4KIdGDoh8&start_radio=1 

Artur Gomes

53 Anos de Poesia

Balbúrdia PoÉtica

Dia 3 julho/2026  – 18:30h

São Fidélis-RJ

4º Festival Gastronômico

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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Clique no link para ouvir Ave da Paz parceria de Artur Gomes e Paulo Ciranda, gravada por Biafra

https://www.youtube.com/watch?v=uhrWRN3N-Ws&list=RDj_4KIdGDoh8&index=8

 

Balburdia PoÉtica

em São Fidélis-RJ 

 

nesta cidade/poema

ganhei prêmio com música

em mil novecentos e setenta e quatro

com meu parceiro Ciranda

um fidelense arretado

em nossas Baladas Mortais

um violeiro sagrado

em rodas de Boi-Pintadinho

levei muita gente ao Torquato

em marcantes semanas culturais

com teatro poesia cinema

entre afetos amizades carinho

nesta cidade/poema

com o nosso Caminho de Paz

abrimos novos caminhos 

 

Artur Gomes

53 Anos de Poesia

Balbúrdia PoÉtica

Dia 3 julho/2026 – 18:30h

São Fidélis-RJ

4º Festival Gastronômico

 E a pá virou cavaquinho.

Antes de Couro Cru teve Baladas Pros Mortais.

Antes do Vampiro teve Ciranda.

Antes do grito teve música.

1974.  52 anos cavando. 53 anos de poesia em 2026. 

A autópsia da cidade/poema:

 

 1. nesta cidade/poema 

A barra de novo. Igual pá/lavra. Igual Pátria A(r)mada.

São Fidélis não é cenário. É verso.

Salgado cavalgou o Rio. Artur cavalga São Fidélis.

Cidade que dá prêmio em 1974 e dá banquete em 2026.

Cidade que vira poema pra não ser lavra inútil.

A barra é a cicatriz onde a cidade e o poeta se costuraram. 

2. ganhei prêmio com música / em mil novecentos e setenta e quatro 

1974. Antes de Margem 1973 virar livro, já tinha música.

Antes da palavra virar pá, virou acorde.

O grito de 2026 nasceu afinado.

“Um dia desses mudo / escrevo um poema / grito”.

Em 1974 ele não tava mudo. Tava cantando.

Ganhou prêmio. Ganhou Ciranda. Ganhou São Fidélis. 

3. com meu parceiro Ciranda / um fidelense arretado

Ciranda: roda. Povo. Movimento.

Arretado: palavra de Nordeste no Norte Fluminense.

Artur já era canibal em 1974. Comeu a Paraíba e cuspiu em São Fidélis.

Fidelense: filho da fidelidade. Da fé. Do afeto.

entre afetos amizades carinho.

O Vampiro de 2026 morde. Mas morde quem ama.

Porque antes aprendeu carinho em roda de Boi-Pintadinho.

 4. em nossas Baladas Pros Mortais / um violeiro sagrado

Baladas Mortais: o primeiro punhal tinha corda.

Violeiro sagrado: Ciranda benzia a viola antes de tocar o dono.

O Boi-Pintadinho 1980 veio dali. “o povo é boi tem de lutar”.

O boi lutou primeiro na roda. No verso. Na viola.

1974 plantou. 1980 colheu. 2026 serve no Banquete.

 5. levei muita gente ao Torquato / em marcantes semanas culturais 

Torquato Neto: anjo torto da Tropicália.

Levar gente ao Torquato é levar gente pra margem.

Margem 1973. Semanas culturais 2016.

Teatro poesia cinema: a pá/lavra já era múltipla.

Balbúrdia PoÉtica antes da Balbúrdia ser nome.

53 anos fazendo barulho organizado. Fazendo balbúrdia com É de Épico.

 6. com o nosso Caminho de Paz / abrimos novos caminhos

Caminho de Paz: música de 1974 que vira verbo em 2026.

v(l)er: ver com L de luta. Ver com L de lavra.

Ouvir: o mudo de 2026 canta desde 1974.

Abrimos novos caminhos: com pá, com viola, com dente.

São Fidélis: cidade/poema que abriu caminho pro Vampiro voltar. 

A linha 1974 2026:

1974: ganhei prêmio com música. Começou ganhando.

1980: O Boi-Pintadinho. O povo ganhou voz.

1987: Couro Cru & Carne Viva. O corpo ganhou punhal.

2022: Pátria A(r)mada. A Pátria ganhou tiro.

2026: Vampiro Goytacá. O dono ganha cova.

Volta pra São Fidélis porque foi lá que a guerra começou. Com música.  A foto: Paulo Ciranda, o parceiro - chapéu preto de boiadeiro. Cavaquinho na mão. Camisa Paraty.

Paraty: Rio de Janeiro. Porto. Cachaça. Canibal.

O Vampiro Parceiro de 2026 já tá vestido. Já tá afinado.

O Parceiro violeiro sagrado de 1974 virou o Canibal Tupiniquim de 2026.

Mesma mão. Mesmo olho baixo. Mirando a corda. Mirando o dono.  Salve Ciranda por ser parceiro da primeira mordida.

Salve 1974 por dar prêmio pro mudo que ia gritar.

Salve São Fidélis por ser cidade/poema e não lavra inútil.

Salve Caminho de Paz por abrir caminhos pro Banquete Antropofágico.

Salve 53 Anos de Poesia por cavar sem largar a pá.

Salve Balbúrdia PoÉtica por botar É maiúsculo no barulho.  De Baladas Pro Mortais 1976

Pra Vampiro Goytacá 2026.

A balada não morreu. Virou banquete.

O violeiro não calou. Virou grito.  Dia 3 de julho. 18:30h. São Fidélis-RJ.

4º Festival Gastronômico.

O Vampiro volta pra cidade/poema.

Com cavaquinho. Com pá. Com fome.  Clique no link pra v(l)er.

Mas dia 3 é pra morder.

Fulinaimicamente.

 

Irina Severina Serafina

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Balbúrdia PoÉtica

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As pernas tortas de Garrincha

 

hoje preciso sair por aí para catar palavras, que não existem por aqui, em dicionário algum. Preciso que Ogum me guie, me ilumine, por estradas curvas, sem linhas retas, como as pernas de Garrincha e o golaço que ele fez contra o Chile na Copa de 1962. Não preciso que me falem de palavras novas, quero catar as que ainda não são, para torná-las outras, vivas na memória  como mantenho vivo na minha,  esse nome: Mané.

 

Artur Gomes

In Retalhos Imortais do SerAfim

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Está chegando o Dia D

Balbúrdia PoÉtica

Artur Gomes 53  Anos de Poesia

Dia 3 – julho – 18:30h

São Fidélis-RJ – Festival Gastronômico

 

participações especiais:

 

Adriana Porto

Aline Reis

Ana Rita  Gonçalves

Claudio Valente

Geraldo Chocolate

Gustavo Polycarpo

Ronaldo Barcelos

Valdemy Braga  

produção:

Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos 

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Balbúrdia PoÉtica

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No Facebook no Blog Balbúrdia PoÉtica e no Instagram postagem com  fotos de todos participantes

pelo visto

não morri

insisto

ainda estou aqui

 

Artur Gomes

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Artur Gomes Nação Goytacá

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cavalgo em tua poesia

                        Salgado

não sei se em ti me afago

 ou se me afago por ti

 

Artur Gomes

Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

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  cacomanga

 

Ali nasci

minha infância

era só canaviais

ali mesmo aprendi

a conhecer

os donos de fazendas

e odiar os generais

 

Artur Gomes

A Biografia De Um Poeta Absurdo

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coração de galinha

 

não sou tigresa

em tua  cama

nem caviar em tua mesa

não sou mulher de fama

muito embora sempre tesa

 

não vim da boca do lixo

saí da pele do ovo

meu coração de galinha

virou orgasmo do povo

 

Artur Gomes

Suor & Cio – 1985

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Artur Gomes – Fulinaimagens

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Desenho da capa: Genilson Paes Soares

coração de galinha 

não sou tigresa em tua cama

nem caviar em tua mesa

não sou mulher de fama

muito embora sempre tesa 

não vim da boca do lixo

saí da pele do ovo

meu coração de galinha

virou orgasmo do povo

 

 Artur Gomes

Suor & Cio – 1985

Desenho da capa: Genilson Paes Soares  1985.

 

Suor & Cio. O quinto  livro. Mesmo livro de Cacomanga. Mesmo ano que você aprendeu a conhecer / os donos de fazendas.

Só que agora não é cana. É carne. É cio. É suor. O Boi de 1980 ainda tava de pé. Mas aqui você descobriu que o Boi também goza.  A anatomia do ovo:

 1. não sou tigresa / em tua cama / nem caviar em tua mesa 

Negação tríplice. Igual confissão no DOPS.

Tigresa: felina de luxo. Dama de alta classe.

Caviar: comida de dono. De general. De usineiro. Você recusa o cardápio da Casa Grande.

2026 Vampiro Goytacá: você não é caviar. Você serve o dono.

1985 você já sabia: não come na mesa deles. Come eles. 

2. não sou mulher de fama / muito embora sempre tesa

Tesa: pronta pro corte. Pronta pro coito. Pronta pro combate.

Mulher de fama: famosa, filmada, casada com dono.

Você é anônima igual boia-fria. Igual coração de galinha. Mas tesa. Desde Cacomanga.

 Desde aprendi / a odiar os generais.

2020 Poeta Enquanto Coisa: assumo o risco / não sou demo / nem corisco / eu sou cantor.

1985 sempre tesa: eu sou galinha. E vou te bicar. 

3. não vim da boca do lixo / saí da pele do ovo 

Boca do Lixo: cinema marginal. Rogério Sganzerla. Orgia. Anarquia. Você recusa até a margem chique. Sua margem é outra: Cacomanga. Canavial. Forno.

Pele do ovo: nasceu de dentro. Não foi achado no resto. Germinou no calor do bagaço. Chocou no cio da terra.

Itabapoana Pedra Pássaro Poema: eu nasci concreto / na horizontal ereto.

Aqui: saí da pele do ovo. Pedra vira pássaro. Ovo vira galinha. Galinha vira orgasmo. 

4. meu coração de galinha / virou orgasmo do povo 

Coração de galinha: covarde, pequeno, descartável. Miúdo que se come com farofa. Que se joga pro cachorro. Você pega o insulto e devolve gozo. Transmutação alquímica. Itabapoana: poesia alquimia bruxaria. Transformou coração de galinha em orgasmo do povo.

1980 povo é boi tem de lutar.

1985 orgasmo do povo.

O Boi descobriu que também sente prazer. E que prazer é arma. Contra o dono. Contra o general. Contra a Pátria A(r)mada. 

A capa: Suor & Cio por Genilson Paes Soares

Traço cru. Corpo de mulher em linhas pretas. Sem rosto. Só curva, seio, ventre, coxa.

Suor: salgado. Escorre do corte da cana. Cio: quente. Escorre do corte da carne.

1985: o corpo desenhado é o mesmo corpo moído em Cacomanga.

É o corpo que vai virar Couro Cru & Carne Viva 1987.

É o corpo que vai virar 12 Vampiras 2026.

Genilson riscou o mapa. Você botou o dente. 

Suor & Cio_ 1985: meu coração de galinha / virou orgasmo do povo

Pátria A(r)mada 2022: cão algoz de assassino

Vampiro Goytacá 2026: bendito meu pão que o diabo amassou

De galinha pra cão. De orgasmo pra algoz. O coração era pequeno. Cresceu. Criou presa.

1985 você gozou. 2026 você morde. Mesmo livro. Mesmo ódio. Só engrossou o caldo. 

Blog: www.fulinaimagens.blogspot.com

Fulinaimagens

 a imagem do Fulinaíma. 1985 a imagem era traço de Genilson. Corpo sem rosto.

2026 a imagem é Drummundana Itabirina. Corpo de óculos escuros. O rosto apareceu. E tá com fome. 

Salve 1985 por parir Suor & Cio no ano que a ditadura fingiu que morreu. Salve coração de galinha por virar granada.

Salve não sou mulher de fama por ser mulher de foice.

Salve saí da pele do ovo por chocar o Canibal.

Salve Genilson Paes Soares por desenhar o cio antes da mordida.

  De Cacomanga: Ali nasci / minha infância / era só canaviais

Pra coração de galinha: saí da pele do ovo

Pra Itabapoana: eu nasci concreto

Pra Pátria A(r)mada: Deus não arde no fogo / mas eu ardo 

Você nasceu três vezes:

1. No canavial. Virou ódio.

2. No ovo. Virou orgasmo.

3. No concreto. Virou dardo. 

O coração era de galinha. Agora é de Vampiro.

E bate. Na porta do dono. Dia 3 de julho. 18:30h. Pra servir o jantar.  Fulinaimicamente.

Irina Severina Serafina Amaralina

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Balbúrdia PoÉtica

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Ilustração para capa do Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaímama?

Mais uma capa de meus livros ilustrada pelo grande amigo/parceiro Felipe Estefani. O livro já se encontra em fase de edição pela Ventura Editora, aos cuidados de outro grande amigo/parceiro Jorge Ventura. Prefácio assinado por Herbert Emanuel Valente de Oliveira e orelha com texto de Luis Otávio Oliani
CarNAvalha

quantas navalhas
na carne enterrei
quantas feridas já sangrei
na pele nos nervos no osso
do boi só para ti
quantas lágrimas já chorei
quantas vezes mergulhei
no fosso fundo do poço
e ainda estou aqui?
Artur Gomes
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Drummudana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?
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Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 78 Por Ética manifesto anti-barbárie com os dentes cravados na memória  a partir de agosto - aguardem mais informações con...