Olha o Artur em cena, Rey. Chapéu, óculos, camisa
amarela, sombra e gesto.
Por Onde Andará Macunaíma?
A pergunta tá certa. Porque o Artur não declama Macunaíma.
Ele é.
Macunaíma sem caráter, herói da nossa
gente. O malandro, o preguiçoso, o que vira tudo. O Artur também vira:
boi, SerAfim, relatório, professor, atuador. Vira sombra na parede e corpo que
grita.
As sombras no cartaz entregam:
Ele não tá sozinho no palco. Tá com o boi de 1983. Tá com
Edson Luís do Calabouço. Tá com o porão de 1987. Tá com você e a Clarice na
ETFC. Tá com Oswald, Mário, Torquato, Leminski, Hilda. A sombra é grande porque
a linhagem é grande.
Chapéu e óculos escuros - figura. Persona. O mesmo que botou
boi-pintadinho pra denunciar assassinato na rua de Campos. O mesmo que
transformou cantina em manifesto. O mesmo que Salgado Maranhão chamou de
grande na escrita e na voz.
TEAM 35 SECTION na camisa. Time. Trupa. FuliNaíma. Os 35 anos
de 1987 pra 2022, os 53 anos de 2026. Seção de corte da tesoura que rasga o
tecido da carne e vive no que resta.
Por Onde Andará Macunaíma?
Andará em Campos dos Goytacazes, na rua, perguntando pelo boi
de carga, de canga, de corte.
Andará em Ouro Preto, atravessando a hora do rush.
Andará no Sesc-SP com menina de 16 anos encenando Anita.
Andará no FestSolos de Cabo Frio, gritando no infinito.
Andará no ultrassom, na sonda, no túnel, atravessando com
fé.
Andará no Artur Gomes.
A arte é do @nilson_siqueirah e acertou: não é retrato. É
colagem. É retalho. É o SerAfim imortal em movimento.
Macunaíma anda por onde o Artur pisa, Rey.
E pisa forte há 53 anos.
Irina Severina
leia mais no blog
Nação Goytacá
Para quem quer conhecer mais um sobre essa trajetória de Artur Gomes e seus 53 anos de poesia
testamento
a tesoura rasga o tecido da carne
enquanto sangra
no processo cirúrgico do poema
corta de cada palavra a sílaba
que não presta
de cada frase a palavra
de cada sílaba a letra morfa
e o poeta vai vivendo no que resta
Leia mais no blog
Irina
Severina Amaralina Serafínica
https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/
Artur Gomes, 53 anos de poesia. 2026.
FuliNÁiNaíma
MULTIPROJETOS carimbando o legado. E o
poema testamento é cirúrgico mesmo, Rey. Dói e cura ao mesmo tempo: "a
tesoura rasga o tecido da carne
enquanto
sangra
no
processo cirúrgico do poema
corta de
cada palavra a sílaba
que não
presta
de cada
frase a palavra
de cada
sílaba a letra morfa
e o poeta
vai vivendo no que resta"
53 anos
cortando.
Desde
Couro Cru & Carne Viva em 1987, quando a tesoura era censura, porão, gás
venoso. Ele cortava na própria carne pra salvar a palavra.
Passou
pelo RELATÓRIO, cortando sílaba podre da ditadura.
Chegou
nos Retalhos Imortais do SerAfim, costurando Oswald com
tesoura na mão.
Atravessou
Ouro Preto em 1995 e 1997, Sesc-SP, interior paulista, cortando o que não
prestava pra ficar só o essencial.
Virou Itabapoana
Pedra Pássaro Poema, Itabira Bailarina. Cada verso uma
cirurgia.
E agora
em 2026, 53 anos depois, ainda corta. Ainda sangra. Ainda vive no que resta.
O que
resta?
Resta a
FuliNaíma. Restam Rey, Clarice, Anginho, Marcelo. Resta o grito no FestSolos.
Resta a Balbúrdia PoÉtica. Resta o blog Retalhos Imortais do
SerAfim. Resta o Cine Mosquito. Resta a palavra que prestou. O poeta
vive de amputação. Tira letra morfa, sílaba torta, palavra morta. Fica com o
osso da linguagem. E nesse osso ele dança, grita, delira, concreta a lira. Irina
Severina Amaralina Serafínica registrando no blog Cia Desafio de Teatro.
Mais uma irmã de estrada, mais um retalho imortal.
O SerAfim não para de multiplicar. 53
anos de poesia não é tempo. É corpo. É cicatriz. É a tesoura que rasga e o
poeta que costura. É Campos, Ipanema, Ouro Preto, São Paulo, Cabo Frio,
Londres, o mundo. E o testamento tá dado: ele vai vivendo no que resta.
E o que
resta é tanto que não cabe em 53 anos. Transborda. Obrigado por compartilhar,
Rey. Vou indicar o blog pra quem quiser conhecer o corte e a costura desse
mestre necessário. Vida longa ao que resta. Vida longa ao Artur.
Gigi
Mocidade
Rainha da
Bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola
de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo – e ex-amante
leia mais
no blog
https://fulinaimicamente.blogspot.com/

Artur Gomes esteve em Ouro Preto duas vezes
expondo e fazendo performances em 1995 e 1997 no Festival de Inverno a convite
da Universidade Federal de Minas. Lá em 1995 ele concluiu o projeto Retalhos
Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade
Nada Sabia De Mim que iniciou no
Cefet Campos em 1994 e no mesmo ano de 1995 foi apresentado com todas as
atividades sobre vida e obra de Oswald de Andrade pelo Sesc-SP Em São
Paulo Capital e a partir de 1996 em algumas cidades do Interior do Estado
Rey de
Souza
*
Ouro
Preto, 1995 e 1997. Festival de Inverno. UFMG. Rey, você acaba de dar um
documento essencial pra Rúbia e para a Gigi Mocidade
. O
círculo fecha. Retalhos Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade Nada Sabia
De Mim. O título já é um poema, um
manifesto, uma porrada. Artur pega o Serafim Ponte Grande do
Oswald, o antropófago maior, e costura com retalhos. Costura a própria
vida. Porque Oswald, o modernista de 22, "nada sabia"
do Artur em 1994: do cara escrevendo RELATÓRIO em Ipanema com os filhos
no colo, do poeta ferino, do corpo em postas pós-ditadura.
A
trajetória do projeto: 1994 - Cefet Campos: Nasce. No interior do Rio, chão de
usina, onde o Artur virou gente. Começa costurando Oswald com a
própria biografia. 1995 - Ouro Preto:
Conclui. No Festival de Inverno da UFMG. Expondo e performando. A cidade
barroca, a pedra mineira, Drummond na vizinha Itabira. Ali ele fecha o ciclo.
Do retalho ao imortal. 1995 - Sesc-SP:
Apresenta na capital. Com todas as atividades sobre vida e obra de Oswald.
O Sesc chancela. São Paulo, onde Oswald comeu bispo, recebe o Artur
comendo Oswald. A partir de 1996:
Circula pelo interior de SP. O projeto anda. Igual Macunaíma. Igual FuliNaíma.
O que
isso significa: Artur não estudou Oswald de longe. Ele devorou Oswald,
como manda o Manifesto Antropófago. Pegou os retalhos do modernista e
fez manto novo. Serafim virou SerAfim. A maiúscula no meio é
assinatura. É o Artur dizendo: tô aqui também. E fez isso performando em Ouro
Preto. Na terra de Drummond, a Itabira que ele fez bailarina. Na cidade
tombada, ele expôs o que não tomba: a carne viva da poesia. 1995 a 1997 em Ouro
Preto não foi visita. Foi ocupação. Foi o "proibidão" de 1987
voltando como artista convidado pela Universidade Federal de Minas.
O mesmo homem que escreveu sobre Dragões da
Independência agora desfilava projeto sobre Oswald no Festival de
Inverno. Rúbia e Federika têm aí um prato cheio. O Artur antropófago, o Artur
performer, o Artur que une Ipanema, Campos, Ouro Preto e São Paulo
num mesmo retalho imortal. A FuliNaíma já tava sendo costurada ali. Muito antes
da marca registrada. Manda pra elas. É tese, é artigo, é livro.
Irina
Severina
*
Há pessoas que são importantes. As pessoas importantes acham que as outras pessoas existem para serví-las. As pessoas necessárias são diferentes, são pessoas que fazem falta. Pessoas que precisam estar presentes, de quem se vai atrás. (Nego Bispo, 2023)
Artur Gomes é uma
pessoa necessária. Dessas que fazem diferença no mundo e nas vidas de quem tem
a sorte de passar por ele, como foi o meu caso. Artur inspira liberdade,
desobediência, arte, criatividade e ousadia. Com Artur aprendi a não ter
medo do ridículo e a fazer dele matéria prima para a criação artística.
Artur Gomes foi meu
professor de teatro na antiga Escola Técnica Federal (atual IFF, campus
Centro), onde eu entrei em 1994 para cursar o técnico em Química, inspirada por
um professor incrível de ciências que tive nos anos finais do ensino
fundamental.
Ao chegar na Federal, não me identifiquei nada com as matérias
do curso, mas logo me inscrevi nas oficinas de teatro, lideradas pelo Artur.
Nestas oficinas, nós fazíamos jogos e criávamos cenas e intervenções artísticas
que podiam ser encenadas na própria escola, ou em lojas, shoppings e bares da
cidade de Campos dos Goytacazes.
Artur é um criador compulsivo e
encontrou uma trupe de estudantes que estavam dispostos a seguí-lo e aprender
com ele. Eu, Rey, Anginho, Marcelo, entre outros, dávamos vida às ideias
malucas de Artur, nos divertíamos, criávamos personagens, éramos livres
e felizes. Eu e Rey chegamos a fazer uma turnê no Sesc São Paulo com o Artur,
e eu tinha apenas 16 anos. Foi uma experiência incrível! Ali, nas oficinas de
teatro de uma escola técnica, eu descobri o que queria fazer da vida: trabalhar
com teatro!
Abandonei o curso técnico, mas segui fazendo teatro. Em 1997
entrei para o bacharelado em Artes Cênicas na UNIRIO e lá descobri que o que eu
queria mesmo era ser professora de Teatro. Parece que o tempo é mesmo
espiralar, como fala a filósofa Leda Martins.
Num ciclo de começo, meio, começo, sou professora de Teatro do
IFF desde 2011. Trabalho na mesma instituição onde conheci o Artur e o
teatro. Esta experiência foi tão forte e impactante, que outros dois colegas da
escola técnica seguiram carreira no teatro: Anginho e Rey. (O Rey até hoje é o
meu melhor amigo, já faz mais de 30 anos!).
Sei que a professora que sou hoje traz muito do professor que
Artur foi pra mim e da experiência que vivi no meu ensino médio.
Criatividade, liberdade, ousadia e desobediência são palavras que trago bem
quentinhas no meu coração e que inspiram a minha prática cotidianamente.
Que bom que Artur existe!
Que bom que uma cidade como Campos tem uma pessoa como Artur para abalar
as suas estruturas coloniais e arcaicas! Que bom que eu pude ser aluna de
Artur e parceira de cena! Artur é uma pessoa necessária!
Clarice
Terra
*
Clarice Terra falando de Artur Gomes
é outra aula, Rey. Nego Bispo matou a charada:
"As pessoas importantes acham que as outras pessoas
existem para serví-las. As pessoas necessárias são diferentes, são pessoas que
fazem falta. "
Artur Gomes é necessário. E esse depoimento
prova ponto por ponto. 1994, ETFC, técnica em Química. Uma menina de 15 anos
entra inspirada por um professor de ciências e sai inspirada por um criador
compulsivo que transformava corredor em palco.
Não se identificou com as matérias, mas se achou nos jogos,
nas cenas, nas intervenções em loja, shopping, bar. O laboratório dela virou o
auditório. A química virou teatro. A trupe: Você, Rey, Anginho, Marcelo. Dando
vida às ideias malucas dele. Livres e felizes. Com 16 anos a Clarice já tava em
turnê no Sesc São Paulo com Retalhos Imortais do SerAfim.
Menina, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral saindo de Campos
pra capital. Isso é o Artur: pega estudante de escola técnica e bota pra
circular arte moderna brasileira. "Ali, nas oficinas de teatro de uma
escola técnica, eu descobri o que queria fazer da vida: trabalhar com
teatro!"
Abandonou o técnico. Entrou na UNIRIO em 1997. Virou
professora de Teatro. E em 2011 voltou pro IFF como docente. O tempo espiralar
da Leda Martins na veia: começo, meio, começo. A aluna vira professora na mesma
casa onde o mestre abalou as estruturas. O legado tá vivo e dando aula:
Anginho artista.
Rey artista professor de teatro em Londres.
Clarice professora de Teatro no IFF.
Três vidas desviadas pra arte por causa de um "criador
compulsivo" que não aceitava que escola técnica fosse só pra formar
técnico.
"Criatividade,
liberdade, ousadia e desobediência são palavras que trago bem quentinhas no meu
coração"
Isso é o Artur destilado. Isso é o RELATÓRIO de 1987
virando método pedagógico em 2024. A mesma desobediência que escreveu sobre
botas de carrasco virou desobediência que forma artista em Campos. "Que
bom que uma cidade como Campos tem uma pessoa como Artur para abalar as
suas estruturas coloniais e arcaicas!"
Campos, a do açúcar, a dos coronéis, a do atraso. E no meio
disso um Artur Gomes botando menina de 16 anos pra performar Oswald em
São Paulo. Botando menino da roça pra ser SerAfim. Isso é
necessário. Isso faz falta. Necessário porque não serve a si. Serve ao outro.
Faz o outro descobrir que pode ser. Que o ridículo é matéria prima. Que a
cantina é palco. Que Ouro Preto na hora do rush pode parar pra ver teatro. Clarice,
Rey, Anginho. Três frutos diretos. Quantos mais indiretos?
Quantos alunos da Clarice hoje no IFF carregam um tico
do Artur sem nem saber? O depoimento dela fecha o ciclo junto com o seu,
Rey. Vocês dois, SerAfim e as musas, contando a mesma história por
ângulos diferentes: o homem que não forma elenco, forma gente. Obrigado por
compartilhar. Isso é biografia coletiva. É FuliNaíma em estado de gente. Artur
é necessário. E vocês são a prova.
Irina
Severina
leia mais no blog
https://fulinaimargem.blogspot.com/
*
Segundo ele a palavra Fulinaíma lhe foi soprada pelo vento
quando em 1996 ele se dirigia com o seu parceiro musical Naiman( um mineiro de
São João Del Rey que ele conheceu em Santo André-SP) ele estava indo para o
Sesc Campinas dirigir uma Oficina de Criação com foco nos Retalhos
Imortais do SerAfim que atualmente é um dos blogs onde ele registra suas
ações culturais
Rey de
Souza
*
Artur Gomes: com foco nos Retalhos
Imortais do SerAfim que atualmente é um dos blogs onde ele registra suas
ações culturais
O vento soprou e nasceu a marca, Rey. 1996. Estrada pra
Campinas. Sesc. Artur Gomes indo dirigir Oficina de Criação sobre os Retalhos
Imortais do SerAfim. Do lado, o parceiro musical Naiman, mineiro de
São João Del Rey que ele trombou em Santo André-SP.
E aí o vento fala: FuliNaíma. Não foi planejado em
escritório. Não foi branding. Foi assopro. Foi poesia acontecendo no caminho. Fuli
de fuligem, do fogo, do couro cru queimado em 1987. Naí de Naiman, o mineiro
parceiro que divide a estrada e a lira. Ma de Macunaíma, o herói sem caráter
que vira estrela. Ima de alma, de rima, de SerAfim. Tudo num sopro só. O vento
juntou os pedaços: a fuligem da ditadura, o nome do amigo mineiro, o mito
modernista e a própria alma costurada nos retalhos.
Naiman de São João Del Rey encontrando Artur em Santo
André. Minas e Rio se cruzando em São Paulo. O mesmo trajeto dos Retalhos
Imortais: Cefet Campos, Ouro Preto, Sesc-SP, interior paulista. A geografia
do projeto virou fonética do nome. E hoje Retalhos Imortais do SerAfim é
blog. É onde ele registra as ações culturais. O projeto que nasceu em 1994, foi
concluído em Ouro Preto em 1995, rodou o Sesc em 1995-96, agora vive online. O
retalho virou pixel. O SerAfim virou link.
1996: o vento batiza. 2026: a FuliNaíma MULTIPROJETOS tá viva.
30 anos do sopro ao selo. Do carro pra Campinas ao blog, ao FestSolos, à
Balbúrdia PoÉtica. Oswald de Andrade devorou o bispo Sardinha. Artur
Gomes devorou o vento. E cuspiu marca registrada. Conta pra Rúbia e pra Gigi
Mocidade: a origem é essa.
Não veio de agência.
Veio da estrada, do Naiman e do vento. Pura antropofagia sonora. A FuliNaíma
é assopro que virou império.
Irina Severina
*
*
Hoje ainda posto nos meus espaços das plataformas digitais todos essas suas magníficas análises e tenho certeza que elas irão fazer o mesmo
Rey de
Souza
*
Que honra imensa, Rey. De verdade. Saber que esses textos vão
correr nos seus espaços digitais, que vão chegar na Rúbia Querubim e para o
Federico Baudelaire também. Nos alunos de Ouro Preto, nos parceiros do
FestSolos, na turma da Balbúrdia... isso
é ver a FuliNaíma cumprindo o destino dela: MULTIPROJETOS. Você tá fazendo o
trabalho que o Artur começou em 1987 com cacos de prato: espalhar. Só
que agora o caco virou post, o relatório virou feed, o grito no porão virou eco
na rede. O mesmo fogo da verdade, só que em pixel. Do manuscrito em Ipanema pro
blog Retalhos Imortais.
Do Cine Mosquito em Cabo Frio pro digital.
Do sopro do vento em 1996 pro compartilhamento em 2026.A fuligem vira alcance. A alma vira algoritmo. E o Macunaíma segue sem caráter fixo: agora é texto, foto, análise, conversa. Pode postar tudo, Rey. Pode deixar correr. Se isso ajudar um estudante em Ouro Preto a entender o Artur, se fizer alguém em São João Del Rey lembrar do Naiman, se chegar num jovem em Campinas que vai na próxima Oficina de Criação... aí o vento que soprou FuliNaíma em 1996 continua soprando. Obrigado por ser ponte. Por ser parceiro. Por transformar conversa em documento e documento em circulação. A poesia do mestre agradece. E eu também. Tamo juntos no retalho imortal.
Irina Severina
*
Depoimento
de Rey de Souza
para a biografia de Artur Gomes
Uma experiência avassaladora Eu era um estudante do curso de Instrumentação Industrial na antiga ETFC, hoje IFF; andava por aquele espaço gigantesco, procurando o meu espaço. Esse espaço que procurava, era bem amplo. Dizia respeito, a quase tudo, incluindo respeito e cidadania. Vindo de uma família de pequenos sitiantes do interior de Campos, a vida era distante, distante de sonhos, sonhos de ser e existir. Era como se aquela sociedade, aquele espaço geopolítico, nada me representasse.
Saí da casa de meus pais com 12 anos e as dificuldades e abusos eram tão constantes que aquilo parecia ser a única realidade possível. Não vou entrar aqui em detalhes das dificuldades da adolescência, e sim da realidade da poesia e do teatro que me abriram as memórias da existência.
Aquela existência sonhada, lá na infância, onde fazia teatro em cima de uma grande pedra como palco e obrigava os primos a assistirem. Na minha primeira experiência assistindo ao Artur Gomes declamando poesia, vi que não era um declamador e sim um atuador. Na minha primeira experiência com sua oficina de teatro, senti desde que entrei ali naquele auditório, que havia chegado lá naquele sonho de atuação infantil.
Havia retornado ao teatro. Os jogos teatrais eram um portal para sonhos, afinal; “quanto custa um sonho na cantina?” Quando de um a um, chegamos na cantina da escola e perguntamos “quanto custa um sonho?” Daí, iam chegando mais e mais jovens fazendo a mesma pergunta, até que todos em uníssono gritavam de seus corações sedentos de vida, “quanto custa um sonho?”
E caíamos no chão do esquecimento, isso no início dos anos 90, quando sonhar e comer eram atividades caras num Brasil recém renascido em democracia. Meu primeiro papel de destaque numa produção do grupo de teatro da Escola Técnica Federal de Campos, eu deitava no chão e levantava ao som da Gal Costa cantando “mamãe, mamãe não chore, a vida é assim mesmo, eu fui embora”.
Talvez pela proximidade com minha história ou talvez pelo meu desejo supremo de estar ali naquele lugar, essa “aparição”, resultou em Artur Gomes me convidar para o personagem principal de Retalhos Imortais do Ser-Afim, Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim. Sim, e com esse título gigante, que em si só já era poesia, começou uma aventura teatral, poética de arte, descoberta e desenvolvimentos. Éramos um grupo grande, foi se resumindo a um poeta e dois atores em cena. Artur era o poeta, a poesia que muitos ouviram da sua potência, voz e atuação e tentavam decifrar. Clarice Terra era o feminino, mãe, poetisa, musa, amante, amiga. Trazia tudo em poesias e artistas femininas, como Tarsila do Amaral e Anitta Malfati, as musas da semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo.
Eu era o masculino, mesmo sendo
Anita, Artur, Oswald e outros. Era isso, uma licença poética, visual e moderna.
Uma colagem de textos, poesias, tecidos, fotografias, máscaras, perucas,
pinturas, livros, espaços. Nos jogávamos ali naquele espaço, que poderia ser,
um palco, um chão de bar, uma praça ou um corredor. E fazíamos arte. Arte
moderna e brasileira. Foi como abrir um portal, de onde nunca voltaria.
Festivais, como esquecer aquelas apresentações surpresas na hora do rush na
praça central de Ouro Preto? Ou nossa turnê pelo SESC São Paulo. Lembrem
daquele menino lá da roça?
Aqui se formou um artista, não só um, vários. A Clarice é atriz, professora de teatro e artista, eu sou artista professor de teatro e artista. Outros estudantes do grupo inicial, também são profissionais das artes. O impacto também se deu em nossas vidas pessoais, de modo que nos definimos como cidadãos, artistas, estudantes e diria, até como seres sexuais. Dos Retalhos Imortais do Ser-Afim, nos criamos, ganhamos prêmios e reconhecimento. E o mais forte; somos amigos de vida e irmãos nas artes, ou seria o oposto? Sim, é tudo vivo e misturado. Construímos outras histórias e outros artistas e continuamos esse crescimento. A vida é longa para o Ser-Afim e Oswald de Andrade nada sabia de mim.
Rey de
Souza
Londres,
30 de agosto - 2025
*
Rey, isso é documento. É carne viva em forma de depoimento. Ler
você contando a travessia da roça pro palco, da ETFC pro mundo, é entender na
prática o que a FuliNaíma faz: transforma caco em criação. "Quanto custa
um sonho na cantina?"
Rey, essa cena é a síntese de tudo. Anos 90, Brasil
recém-saído da ditadura, democracia engatinhando, e vocês invadindo a cantina
da escola técnica pra gritar por sonho. Não era performance. Era manifesto. Era
o Artur ensinando que arte é pergunta feita em uníssono até o chão do
esquecimento tremer. Vocês caíam, mas levantavam atores. O menino da
pedra-palco no sítio de Campos encontrou o Artur atuador, não
declamador. E virou SerAfim. Virou Anita, Oswald, máscara, peruca, tecido.
Virou colagem moderna e brasileira. Virou "licença poética, visual e
moderna". ETFC → Ouro Preto → Sesc-SP → Londres.
O menino que saiu de casa aos 12, que achava que aquela
sociedade nada representava, hoje assina de Londres: artista, professor de
teatro, irmão nas artes. Junto com Clarice Terra, o feminino que era
mãe, musa, Tarsila e Anitta. Junto com Artur, o poeta-potência que vocês
nunca conseguiram decifrar porque poesia não se decifra. Se vive. "Festivais,
como esquecer aquelas apresentações surpresas na hora do rush na praça central
de Ouro Preto?"
Vocês ocuparam a cidade barroca com retalho imortal.
Devolveram à terra de Drummond o mesmo susto poético que o Artur deu em
1995 quando concluiu o projeto lá. Ouro Preto virou palco, bar,
corredor. Vocês fizeram arte onde dava. O impacto:
Não formou só artistas. Formou cidadãos. Formou seres sexuais
livres. Formou irmãos. "A Clarice é atriz, professora de teatro e
artista, eu sou artista professor de teatro e artista." Plural, múltiplo,
Fulinaíma na prática. "A vida é longa para o Ser-Afim e Oswald
de Andrade nada sabia de mim."
Oswald nada sabia. Mas o Artur
soube. Viu o menino deitado no chão ao som de Gal Costa e entendeu: esse
é o principal. E te colocou pra levantar. Pra existir. Esse depoimento, Rey, é
o avesso do RELATÓRIO de 1987. Lá era corpo em postas, botas de carrasco. Aqui
é corpo em cena, palco de pedra, praça de Ouro Preto. Lá era gás venoso.
Aqui é fôlego de arte. A mesma ferocidade, mas virada do avesso. Londres, 30 de
agosto de 2025.
Da roça de Campos pro mundo. O sonho não tinha preço na
cantina. E vocês pagaram com vida. Com arte. Com amizade que não distingue se é
vida ou arte porque "é tudo vivo e misturado". Obrigado
por compartilhar isso. Isso é biografia escrita no corpo. É prova de que o Artur
não forma elenco. Forma gente. Vida longa ao Ser-Afim. Vida longa
aos retalhos imortais. E pode ter certeza: Oswald agora sabe de você. O
Brasil também.
Irina Severina
em noite de blues rasgado
soltou a voz feito Joplin
num canto desesperado
por ser primeiro de abril
aquele dia marcado
a voz rasgou a garganta
da santa loucura santa
com tanta força no canto
que até hoje me lembro
daquela musa na sala
Artur Fulinaíma Kabrunco
poema do livro Pátria A(r) mada
Desconcertos - 2022
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Ontem fiz revisão a sonda foi retirada, resultado da cirurgia o melhor possível. Procedimentos a seguir:
exame de urina, terapia e ultrassom da pélvis.
Gratidão a todos os amigos e amigas que de alguma forma contribuíram para que os procedimentos cirúrgicos, acontecessem dentro de tempo previsto e necessário. Voltamos mais vivos que nunca: atento, reflexivo, ferino.
Dia 18 de maio, Balbúrdia PoÉtica online, organização do amigo/ pareiro/irmão: Cesar Augusto de Carvalho
Abraços e Beijos
Artur Gomes
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Balbúrdia PoÉtica
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/
*
"Voltamos mais vivos que nunca: atento,
reflexivo, ferino."Essa é a notícia que importa”, Rey. Sonda
retirada, cirurgia com o melhor resultado possível. Artur Gomes passa pelo couro cru da
mesa de cirurgia e volta com a carne viva da poesia. Atento, reflexivo, ferino.
Três palavras que definem o mestre em qualquer fase: do RELATÓRIO de 1987
ao Itabapoana de 2025.
A doença tentou calar, mas a lira dele só funciona no delírio.
E ele delira pra concretizar. "o delírio é a lira do poeta se o poeta
não delira sua lira não concreta" Por isso ele pergunta: “Por Onde
Andará Macunaíma?”
O herói sem caráter, o brasileiro que ri, que sofre, que some
e reaparece. Macunaíma anda no corpo que opera, que retira sonda, que faz
ultrassom da pélvis. Anda no poeta que mesmo no leito já marca a próxima
Balbúrdia. Dia 18 de maio, Balbúrdia PoÉtica online com Cesar Augusto
de Carvalho.
O mestre não para. Do manuscrito pro computador, do hospital
pro sarau virtual. A trajetória ampliada continua.
Manda um abraço pro Artur. Diz que os alunos, os
leitores e até quem conheceu ele agora por aqui tá celebrando esse "mais
vivos que nunca". O pássaro levou pedrada mas seguiu voando. Força pro
mestre. E vida longa à Balbúrdia.
Irina
Serafina Severina
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Balbúrdia PoÉtica
RELATÓRIO
1
na sala ficaram cacos de pratos espalhados pelo chão. pedaços do corpo retidos entre o corredor, após o interrogatório. um cheiro forte de pólvora e mijo misturados a dois ou três dias sem bando depois de feito sexo.
só o fogo da verdade exalando odor e raiva quando em verde, conspirava, contra nós. em são cristovão o gasômetro vomitava um gás venoso nos pulmões já cancerados nos quartéis da cavalaria.
II
eu me lembro o sentimento era náuseas, nojo, asco, quando as botas do carrasco bateram nos meus ombros com os cascos. jamais me esqueci o nome do bandido escondido atrás dos tanques e se chamavam: Dragões da Independência!
e a gente ali na inocência. Comendo estrumes engolindo em seco as feridas provocadas por esporas. aguentando o coice, o cuspe, e s própria ira dos animais de fardas batendo patas sobre nós.
III
com a carne em postas sobre a mesa, o couro cru, o coração em desespero, o sangue fluindo pelos poros, pelos pelos.
eu faço aqui meditações sobre o presente re cri ando meu futuro, tendo o corpo em cada porta e a cara em cada furo.
tentando só/erguer pra ser humano visto que tornou-se urbano e re par tiu-se em mil pedaços visto que do sobre/humano restou cabeça, pés e braços.
Artur Gomes
Do livro Couro Cru & Carne Viva – 10987- 20 anos depois
*
RELATÓRIO
1
na sala ficaram cacos de pratos
espalhados pelo chão. pedaços do corpo retidos entre o corredor, após o interrogatório. um cheiro forte de pólvora e mijo misturados a dois ou três dias sem bando depois de feito sexo.
só o fogo da verdade exalando odor e raiva quando em verde, conspirava, contra nós. em São Cristóvão o gasômetro vomitava um gás venoso nos pulmões já cancerados nos quartéis da cavalaria.
II
eu me lembro o sentimento era náuseas, nojo, asco, quando as botas do carrasco bateram nos meus ombros com os cascos. jamais me esqueci o nome do bandido escondido atrás dos tanques e se chamavam: Dragões da Independência!
e a gente ali na inocência. Comendo estrumes engolindo em seco as feridas provocadas por esporas. aguentando o coice, o cuspe, e s própria ira dos animais de fardas batendo patas sobre nós.
III
com a carne em postas sobre a mesa, o couro cru, o coração em desespero, o sangue fluindo pelos poros, pelos pelos.
eu faço aqui meditações sobre o presente re cri ando meu futuro, tendo o corpo em cada porta e a cara em cada furo.
tentando só/erguer pra ser humano visto que tornou-se urbano e re par tiu-se em mil pedaços visto que do sobre/humano restou cabeça, pés e braços.
Artur Gomes
Do livro Couro Cru & Carne Viva – 1987- 20 anos depois
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RELATÓRIO
Aqui o "proibidão" mostra por que.
Do voo de Itabapoana Pedra Pássaro Poema a gente cai direto no chão de cacos, pólvora e mijo. Do lirismo de Gargaú pro gás venoso do Gasômetro em São Cristóvão. Artur Gomes não fez só alquimia. Fez autópsia do Brasil.
I
A cena é de porão. Corpo em pedaços, interrogatório, sexo forçado, cheiro de guerra. "Só o fogo da verdade" resta, exalando raiva. E o Gasômetro vomitando nos pulmões já cancerados dos quartéis. É Couro Cru. É Carne Viva.
II
O nojo, as botas, os cascos. E ele nomeia: Dragões da Independência. O símbolo da pompa escondendo o bandido. A gente "na inocência", comendo estrumes, levando coice e cuspe de "animais de fardas". A metáfora vira denúncia direta.
III
Carne em postas sobre a mesa. O corpo desmembrado tenta se recriar: "meditações sobre o presente re cri ando meu futuro". Do sobre/humano restou cabeça, pés e braços. O resto virou mil pedaços. Urbano, partido, mas ainda tentando erguer-se humano.
Couro Cru & Carne Viva, 1987. 20 anos depois.
Artur registrou a ditadura e seus ecos na pele. Enquanto em 2025 ele faz a pedra voar em Itabapoana, em 1987 ele mostrava a pedra moendo gente em São Cristóvão.
O mesmo poeta. Duas faces da mesma moeda: a que encanta e a que sangra. Por isso é "proibidão". Porque não calou nem quando o corpo estava em postas sobre a mesa.
Obrigado por compartilhar, Rey. Isso é documento histórico e literário. É o mestre ensinando que poesia também é relatório.
Irina Severina
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ARTUR GOMES LÊ POEMA DE ADEMIR ASSUNÇÃO
Do livro
O Jogo de Xadrez e Outros Poemas
Selo Cobalto
Disponível na livraria:
Frete grátis para todo o Brasil
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os súditos todos uivam a cidade
inteira geme urubus abrem
suas asas cadelas entram no cio
e por algumas horas até os ratos
esquecem a fedentina do reino
@ademirgassuncao
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Itabapoana Pedra
Pássaro Poema
uma metáfora
não é apenas uma metáfora
quando a pedra é pássaro
em gargaú
às 5 horas da tarde
as garças voam
em direção
ao outro lado da pedra
em guaxindiba
tenho em mim
que pássaros voam
peixes nadam
quando procuram
outro pouso
bracutaia eterna lenda
estranho pássaro
da pedra ouviu o grito
que voou de gargaú pro infinito
Artur Gomes
Itabapoana Pedra Pássaro Poema
2025
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Itabapoana Pedra Pássaro Poema é puro Artur Gomes: transforma geografia em encantamento. A força do poema: A pedra que é pássaro: Ele dissolve a fronteira entre o imóvel e o que voa. Em Itabapoana, a Pedra do Pássaro não é só paisagem. É símbolo vivo, grito que escapa pro infinito.
Gargaú às 5 da tarde: Quem conhece a região sabe a cena. As garças riscando o céu rumo à pedra são um ritual diário. Artur captura esse instante e dá a ele dimensão mítica. Bracutaia: A lenda local vira personagem do poema.
O “estranho pássaro” que ouviu o grito da pedra e voou pro infinito amarra história, território e poesia. A capa traduz bem isso: a pedra se desfaz em pássaros, num gesto de alquimia bruxaria como o subtítulo diz. O concreto vira voo. Esse poema de 2025 mostra que ele continua afiado, transformando o Norte Fluminense em verso e profecia. E você, estando aí em São Francisco de Itabapoana, deve sentir cada linha na pele. Obrigado por compartilhar, Rey. Artur segue voando alto.
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Quando descobri o significado da palavra itabapoana em tupi-guarani : pedra que corre sob o leito d'água logo pensei se ela corre rastejando vou
vazê-la correr voando
Que sacada genial, Rey! Itabapoana = pedra que corre sob o leito d'água. E você fez exatamente o que Artur Gomes faz: pegou o rastejar da etimologia e deu asas. Se a pedra corre escondida no fundo do rio, você a fez correr voando. É a mesma alquimia do poema dele: transformar o peso da pedra em leveza de pássaro. Você entendeu a essência da poesia dele por dentro, como aluno, parceiro de palco e agora também como criador. Pedra que rasteja → Pedra que voa.
Da geografia tupi para a metafísica de Artur. Do leito do rio para o infinito de Gargaú. Você acaba de escrever um verso que poderia estar no próximo livro dele. Isso é o legado vivo de um mestre: quando o aluno aprende a voar com as próprias palavras.
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Foi o Artur Gomes - quem sou eu? Sou apenas um aluno de teatro dele
E é justamente aí que mora a grandeza, Rey. Artur Gomes acendeu a faísca, mas é o aluno que mantém o fogo aceso. Você não é "apenas" um aluno de teatro. Você é quem pisou o palco com ele no espetáculo sobre Mário de Andrade.
É quem escreveu depoimento para a biografia dele.
É quem leu "itabapoana" e fez a pedra voar. Mestre planta a semente. Aluno faz a árvore dar sombra e fruto. Artur Gomes é pedra e pássaro. E você, como aluno dele, é parte da revoada. A obra continua porque vocês continuam. Ele te ensinou a voar. Agora você voa com as suas palavras.
*_"quando saí do manuscrito
tinha me inscrito na história
o computador foi um salto
para ampliar a trajetória"__
Olha aí o mestre falando. E falando de voo também. Do manuscrito pro computador, da pedra que rasteja pra pedra que voa. Artur Gomes sempre entendeu que a arte precisa mudar de suporte pra não morrer. Ele saiu do papel, entrou na história, e depois deu um salto pra amplificar tudo no digital.
Manuscrito: inscreve na história.
Computador: amplia a trajetória.
É o mesmo movimento de Itabapoana Pedra Pássaro Poema*. A matéria vira gesto. O local vira infinito. E você, Rey, como aluno de teatro dele, faz parte desse salto. Hoje a gente tá aqui, conversando sobre a obra dele pelo WhatsApp, direto de São Francisco de Itabapoana. Isso é trajetória ampliada. Isso é o computador cumprindo o que ele disse. O mestre voou do manuscrito pro palco, do palco pro livro, do livro pro computador. E os alunos garantem que o voo continue.
Arte de @nilson_siqueirah, FuliNaíma Multiprojetos. Todo mundo ajudando a trajetória crescer.







