Lírio - PoHermeto
este Lírio
na Estação 353
presente
do Joilson Bessa
fizeram com que
os meus Delírios
aumentassem a Bessa
Artur Gomes
Lírio-da-paz molhado. Verde que insiste. Rey, depois de Drummond de bronze e mar, você me manda vida. Essa planta é o Artur. Folha grande, larga, aberta pro sol. Umas comidas, furadas, com ponta queimada. Umas amarelando na base. Mas viva. Muito viva. Brilhando de água recém-regada. eu sou Drummundo e me cofundo na matéria amorosa. Matéria amorosa é isso: folha que leva mordida e continua fotossíntese. Caule que segura mesmo com haste seca pendurada. Raiz no vaso, mas olho no quintal inteiro. Até na pele/pedra quando me invoco. Pele: as gotas escorrendo, o viço. Pedra: a resistência. 53 anos de porão, relatório, túnel, sonda, ultrassom. As folhas furadas são as cicatrizes. E mesmo assim brota. E vou pro fundo do mais fundo o mais profundo mineral Guimarães Rosa, O fundo é a terra do vaso. É de lá que vem o mineral. É de lá que vem o verde. Artur foi pro fundo do Brasil, pro fundo do corpo, pro fundo da palavra. E voltou lírio-da-paz. Lírio-da-paz porque atravessou a guerra. Guerra da ditadura no boi de 1983. Guerra da censura no RELATÓRIO de 1987. Guerra do corpo no túnel de 2026. Regou. Sobreviveu. Tá aí: vidente e vivo, tranquilamente, vivendo todas as horas do fim. O absurdo é uma planta que apanha e floresce. O necessário é ter quem regue. Salve o verde do Artur. Salve o que resta. Salve o que brota.
*
Lírio - PoHermeto - este Lírio na Estação 353 presente do Joilson Bessa fez com que os meus DeLírios delirassem a Bessa - Artur Gomes
Lírio virou verso. Presente virou poema. DeLírio virou método. Este Lírio na Estação 353 presente do Joilson Bessa fez com que os meus DeLírios delirassem a Bessa. Artur Gomes
Rey, olha a alquimia: Lírio-da-paz que eu li como metáfora vira Lírio-PoHermeto na boca do Artur. Vira nome próprio. Vira estação. Vira endereço de poesia. Estação 353 - número cabalístico, ponto de parada, plataforma onde desembarca o absurdo. E o presente vem de Joilson Bessa. Bessa que é abundância, que é a Bessa. Aí o Artur trocadilha com a vida: DeLírios delirassem a Bessa. Delirar a Bessa é delirar muito. É delirar até transbordar o vaso. É pegar um lírio ganho e transformar em filosofia. PoHermeto porque o poeta é hermético só pra quem não tem a chave. Para Artur, o lírio abre. Abre estação, abre delírio, abre o Brasil. Da Drummundo no banco de Copacabana pra Lírio na Estação 353. Do mar escrito pro verde plantado. Do bronze pro vivo. Da pedra pra folha. Eu sou Drummundo e me cofundo na matéria amorosa Matéria amorosa agora tem nome: Joilson. Tem forma: Lírio. Tem lugar: Estação 353. Tem verbo: delirar a Bessa. 53 anos de produção e ainda ganha lírio e devolve poema. Isso é Jura Secreta cumprida. Isso é Fulinaíma MultiProjetos: um presente vira multiprojeto. O Artur não para. Ganha planta, planta verso. Vive no que resta e faz do resto festa. Faz do resto flor. Salve Joilson Bessa pelo lírio. Salve Artur Gomes pelo DeLírio. Salve a Estação 353 onde todo Dia D é Dia de Delirar a Bessa.
Irina Severina Amaralina Serafina
leia mais no blog
A Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/

poema 10
meus caninos
já foram místicos
simbolistas
sócio políticos
sensuais eróticos
mordendo alguma história
agora estão famintos
cravados na memória
Artur Gomes
Poema do livro
O Homem Com A Flor Na Boca
(2023)
leia mais no blog
https://arturgumesfulinaima.blogspot.com/
educação gramatical
ela tem um travessão
atravessado
na frente da palavra quero
me diz: espera
não por falta de desejo
tenho medo de dois pontos:
os seus olhos os seus beijos
pra onde você quer me levar
de tudo que a exclamação possa engendrar
respondo:
coloco vírgulas ponto e vírgulas
reticências qualquer outro sinal
abro parênteses
(os meus poemas nunca vão ter ponto final)
Artur Gomes
leia mais no blog
A Biografia DE Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
*
A
Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
leia no
blog, currículo minuciosamente detalhado, fase por fase, etapas por
etapas, projetos por projetos, assinado
por Irina Severina Amaralina Serafina,
sobre sua trajetória de 53 de produção poética
jura
secreta 26
eu sou
Drummundo
e me
cofundo na matéria amorosa
posso
estar na fina flor da juventude
ou
atitude de uma rima primorosa
e até na
pele/pedra
quando me
invoco
e me
desbundo baratino
e então
provoco
um
barafundo Cabralino
e meto
letra no meu verso
estando
prosa
e vou pro
fundo
do mais
fundo
o mais
profundo
mineral
Guimarães Rosa
Artur
Gomes
Juras
Secretas
Penalux –
2018
leia mais
no blog
https://braziliricapereira.blogspot/
Rey de Souza
*
Aí ele escancara a genealogia, Rey. Bota o RG
na mesa. "A Biografia De Um Poeta Absurdo" Assinada por Irina
Severina Amaralina Serafina - um heterônimo à altura do SerAfim.
53 anos de produção destrinchados. Fase por fase. Projeto por projeto. O
currículo que vira testamento. E aí vem a Jura Secreta 26 pra provar por
que o absurdo dele é necessário: JURA SECRETA 26 eu sou Drummundo
E é. Tem a pedra no meio do caminho. Tem o porão arrombado em 1987. Tem o
gauche que vira atuador em Campos. Drummond de Norte Fluminense.
E me cofundo na matéria amorosa. Se confunde com boi-pintadinho, com Edson
Luís, com Rey e Clarice na ETFC, com Torquato na praça. Matéria amorosa é
gente. É aluno. É denúncia. É viagem. Posso estar na fina flor da juventude ou
atitude de uma rima primorosa. Fina flor aos 35 e poucos com Boi-Pintadinho
em 1983. Atitude de rima primorosa aos 70 e poucos em 2026, cortando sílaba no
ultrassom. E até na pele/pedra quando me invoco. Pele que sente sonda, túnel.
Pedra Drummond. Pedra que resiste censura. Ele se invoca e vira os dois.
E me desbundo baratino e então provoco um barafundo Cabralino. Aí João Cabral
de Melo Neto entra. A tesoura. O cálculo. A engenharia da palavra. RELATÓRIO é Cabralino.
Cortar o que não presta é Cabralino. Barafundo com método. E meto letra no meu
verso estando prosa. Porque Artur não respeita cerca. Verso vira teatro,
vira manifesto, vira aula, vira boi na rua. Prosa vira poesia vira porrada. E
vou pro fundo do mais fundo o mais profundo mineral Guimarães Rosa. E fecha com
Rosa. O sertão. A vereda. O Grande Sertão de Campos dos Goytacazes. Vive
no que resta é puro Rosa. O mineral é a palavra dura, lapidada, que sobrevive
ao porão, à sonda, ao tempo. Drummundo + Cabralino + Guimarães Rosa = Artur
Gomes. Ele jura secreto mas escancara: é herdeiro dos três grandes e não
deve nada. Faz o Drummond virar atuador, o Cabral virar boi, o Rosa
virar relatório. Por Onde Andará Macunaíma? Andará nessa jura. Andará no
cartaz do Nilson Siqueirah com sombra e gesto. Andará nos pela Irina
Severina Amaralina Serafina. Macunaíma anda no corpo de quem
é Drummundo, provoca barafundo Cabralino e vai pro fundo mineral.
Juras Secretas, Penalux 2018. Seis anos
antes do túnel. Já jurando que ia atravessar. A biografia é absurda porque a
vida foi. Absurdo é boi denunciar ditadura. Absurdo é porão arrombado por
poesia. Absurdo é menino da ETFC virar artista em Londres. Absurdo é viver no
que resta e ainda querer viajar. O Artur é absurdo. E necessário. 53
anos provando que o Brasil só aguenta se tiver poeta que se cofunde na matéria
amorosa e vai pro fundo do mais profundo. Salve Irina. Salve Penalux.
Salve Artur. Salve a jura secreta que virou testamento público.
Rúbia Querubim
*

Drummond sentado em Copacabana. Artur Gomes em pé no verso.
Essa imagem é uma jura dupla, Rey.
O banco diz: "No mar estava escrita uma cidade" - Carlos Drummond de Andrade.
O céu diz: "eu sou Drummundo" - Artur Gomes.
Ele foi sentar do lado do mestre pra assinar a filiação.
Não é homenagem. É árvore genealógica. É o poeta absurdo reivindicando a linhagem e provando com o próprio corpo do poema.
A Jura Secreta 26 colada no mar de Drummond:
eu sou Drummundo
E senta. Põe a pedra no meio do caminho dele também. A pedra do porão de 1987, a pedra do boi de 1983, a pedra da sonda de 2026. Drummundo de Campos dos Goytacazes.
e me cofundo na matéria amorosa
Matéria amorosa é Rey, Clarice, Edson Luís, Torquato, a menina que encenou Anita. É gente. É aluno. É o Brasil que ele recusa largar. Drummond tinha a cidade no mar. Artur tem o povo na carne.
e me desbundo baratino
e então provoco
um barafundo Cabralino
João Cabral entra no barulho. O engenheiro. A tesoura. RELATÓRIO cortando sílaba que não presta. O barafundo dele tem projeto. Tem cálculo pra explodir censura.
e vou pro fundo
do mais fundo
o mais profundo
mineral Guimarães Rosa
E fecha com Rosa no sertão. Vai pro fundo do túnel, do ultrassom, da vida que engorda pra morte. E volta mineral. Lapidado. Vive no que resta é vereda, é Grande Sertão, é palavra que não morre.
Drummond olha pro mar. Artur olha pra dentro do mar.
Drummond escreveu a cidade na água. Artur escreveu o Brasil no porão, na rua, na sonda, no relatório, no corpo.
Fulinaíma MultiProjetos assina embaixo. Porque o projeto é múltiplo:
Drummundo pra sentir.
Cabralino pra cortar.
Guimarães Rosa pra atravessar.
53 anos de biografia absurda resumidos em 100 juras secretas.
E essa aqui ele gritou sentado do lado do mestre, com o mar de testemunha.
"No mar estava escrita uma cidade"
No Artur estava escrito um país.
Salve Nilson Siqueirah na arte. Salve Artur Gomes no verso.
Salve a jura que deixou de ser secreta e virou estátua.
Irina Severina Amaralina Serafina
leia mais no blog
A Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/

Texto Matador
Rey de Souza
*
Matou a
pau, Rey. Se o texto é matador, é porque o Artur é matador de silêncio.
Matador de censura. Matador de sonho barato. Ele mata com tesoura. Corta a
sílaba que não presta e deixa só o que vive.
Mata o
porão de 1987 escrevendo RELATÓRIO.
Mata a
ditadura botando Boi-Pintadinho pra denunciar Edson Luís na rua.
Mata o
impossível quando pega menino da ETFC e manda pra Londres fazer arte.
Mata o
túnel quando atravessa sonda, ultrassom e volta dizendo "vive no que resta". Texto
matador porque o homem é matador.
53 anos
executando poesia à queima-roupa.
Todo Dia
É Dia D e ele desembarca atirando verso. O desejo de viajar dele mata
qualquer naufrágio.
A voz
dele interpretando Torquato mata qualquer silêncio.
O SerAfim
dele mata a morte. Fica imortal. E é isso que a gente faz aqui, Rey: texto
que mata saudade, mata distância, mata medo. Costura retalho no corpo do mestre
e diz: segura, Artur, que a trupe tá junta. Manda mais texto matador. A FuliNaíma
aguenta.
Irina
Severina –
*
Texto
maravilhoso análise profunda. Gratidão e uma ótima noite
Rey de
Souza
*
Gratidão
é nossa, Rey. Gratidão por trazer o Artur em retalhos vivos: Kátia
Bento, Salgado Maranhão, Torquato na praça, boi na rua, Macunaíma no corpo,
desejo no mar. Gratidão por costurar junto. A análise é só reflexo da obra.
Quando o poeta é fundo, o texto vai fundo. Artur Gomes cava 53 anos de
Brasil com tesoura na mão. A gente só acompanha o corte. Vai descansar. Que
amanhã é Dia D de novo.
O mestre
segue viajando, vidente e vivo.
A FuliNaíma
segue segue imortal. Ótima noite pra
você. E até segunda, se Deus quiser.
Com fé no
que resta.
Irina
Serafina
*

Artur Gomes Todo Dia É Dia D - interpretando
poemas de Torquato Neto, na praça, Semana Cultural em São Fidélis-RJ
clique no link para ver o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=PIB1zpuOOt4
Cogito
eu sou como eu sou
pronome pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente desferrolhado
indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente e vivo
tranquilamente
todas as horas do fim.
Torquato Neto
leia mais no blog
Balbúrdia PoÉtica
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/
*
São
Fidélis-RJ, praça pública, Semana Cultural.
Artur
Gomes Todo Dia É Dia D - interpretando Torquato Neto. Rey, isso
fecha o círculo que o Salgado Maranhão abriu. O Artur não só escreve.
Ele incorpora Torquato. "Cogito" na boca dele não é recital. É
possessão. É o mesmo corpo que encenou Edson Luís com boi-pintadinho em 1983. É
o mesmo que teve o porão arrombado em 1987. É o mesmo que corta sílaba que não
presta em 2026. Torquato Neto escreveu:
eu sou
como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem
que iniciei
na medida
do impossível
Artur
Gomes vive:
Pronome
pessoal intransferível do menino de Campos que virou SerAfim.
Do
professor que pegou sonho barato na ETFC e fez caro.
Do poeta
que atravessa túnel, sonda, ultrassom e ainda grita "Todo Dia É Dia
D". presente desferrolhado
indecente
feito um
pedaço de mim Desferrolhado é o Artur na praça. Indecente é o boi
denunciando ditadura. Pedaço dele é cada aluno, cada Clarice, cada Rey,
cada Salgado que reconhece o corte. vidente e vivo
tranquilamente
todas as
horas do fim. Vidente porque viu o Brasil antes da hora: viu Edson Luís
no boi, viu o porão no relatório, viu Macunaíma no espelho.
Vivo
porque atravessa. 53 anos atravessando.
Todas as
horas do fim porque todo dia é Dia D. Dia de desembarcar na praia da vida com
poesia na mão. São Fidélis em 2016, assistindo o que Campos viu em 1983: um poeta
que transforma folclore em denúncia, Torquato em corpo, praça em
tribunal, trauma em sublime. Cliquei no link, Rey. E vi o que a Kátia Bento leu,
o que o Salgado escutou, o que você viveu: Artur Gomes é grande
na escrita e na voz. Balbúrdia PoÉtica registrando. FuliNÁiMA Tupiniquim
arquivando.
Porque
todo dia é Dia D pra quem nasceu pra atravessar.
Cogito, ergo Artur.
Irina
Serafina
leia
mais no blog
https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/
*
Olha o Artur em cena, Rey. Chapéu, óculos, camisa
amarela, sombra e gesto.
Por Onde Andará Macunaíma?
A pergunta tá certa. Porque o Artur não declama Macunaíma.
Ele é.
Macunaíma sem caráter, herói da nossa
gente. O malandro, o preguiçoso, o que vira tudo. O Artur também vira:
boi, SerAfim, relatório, professor, atuador. Vira sombra na parede e corpo que
grita.
As sombras no cartaz entregam:
Ele não tá sozinho no palco. Tá com o boi de 1983. Tá com
Edson Luís do Calabouço. Tá com o porão de 1987. Tá com você e a Clarice na
ETFC. Tá com Oswald, Mário, Torquato, Leminski, Hilda. A sombra é grande porque
a linhagem é grande.
Chapéu e óculos escuros - figura. Persona. O mesmo que botou
boi-pintadinho pra denunciar assassinato na rua de Campos. O mesmo que
transformou cantina em manifesto. O mesmo que Salgado Maranhão chamou de
grande na escrita e na voz.
TEAM 35 SECTION na camisa. Time. Trupa. FuliNaíma. Os 35 anos
de 1987 pra 2022, os 53 anos de 2026. Seção de corte da tesoura que rasga o
tecido da carne e vive no que resta.
Por Onde Andará Macunaíma?
Andará em Campos dos Goytacazes, na rua, perguntando pelo boi
de carga, de canga, de corte.
Andará em Ouro Preto, atravessando a hora do rush.
Andará no Sesc-SP com menina de 16 anos encenando Anita.
Andará no FestSolos de Cabo Frio, gritando no infinito.
Andará no ultrassom, na sonda, no túnel, atravessando com
fé.
Andará no Artur Gomes.
A arte é do @nilson_siqueirah e acertou: não é retrato. É
colagem. É retalho. É o SerAfim imortal em movimento.
Macunaíma anda por onde o Artur pisa, Rey.
E pisa forte há 53 anos.
Irina Severina
leia mais no blog
Nação Goytacá
https://arturgumes.blogspot.com/

Para quem
quer conhecer mais um sobre essa trajetória de Artur Gomes e seus 53 anos de
poesia
testamento
a tesoura rasga o tecido da carne
enquanto sangra
no processo cirúrgico do poema
corta de cada palavra a sílaba
que não presta
de cada frase a palavra
de cada sílaba a letra morfa
e o poeta vai vivendo no que resta
Leia mais no blog
Irina
Severina Amaralina Serafínica
https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/
Artur
Gomes, 53 anos de poesia. 2026.
FuliNÁiNaíma
MULTIPROJETOS carimbando o legado. E o
poema testamento é cirúrgico mesmo, Rey. Dói e cura ao mesmo tempo: "a
tesoura rasga o tecido da carne
enquanto
sangra
no
processo cirúrgico do poema
corta de
cada palavra a sílaba
que não
presta
de cada
frase a palavra
de cada
sílaba a letra morfa
e o poeta
vai vivendo no que resta"
53 anos
cortando.
Desde
Couro Cru & Carne Viva em 1987, quando a tesoura era censura, porão, gás
venoso. Ele cortava na própria carne pra salvar a palavra.
Passou
pelo RELATÓRIO, cortando sílaba podre da ditadura.
Chegou
nos Retalhos Imortais do SerAfim, costurando Oswald com
tesoura na mão.
Atravessou
Ouro Preto em 1995 e 1997, Sesc-SP, interior paulista, cortando o que não
prestava pra ficar só o essencial.
Virou Itabapoana
Pedra Pássaro Poema, Itabira Bailarina. Cada verso uma
cirurgia.
E agora
em 2026, 53 anos depois, ainda corta. Ainda sangra. Ainda vive no que resta.
O que
resta?
Resta a
FuliNaíma. Restam Rey, Clarice, Anginho, Marcelo. Resta o grito no FestSolos.
Resta a Balbúrdia PoÉtica. Resta o blog Retalhos Imortais do
SerAfim. Resta o Cine Mosquito. Resta a palavra que prestou. O poeta
vive de amputação. Tira letra morfa, sílaba torta, palavra morta. Fica com o
osso da linguagem. E nesse osso ele dança, grita, delira, concreta a lira. Irina
Severina Amaralina Serafínica registrando no blog Cia Desafio de Teatro.
Mais uma irmã de estrada, mais um retalho imortal.
O SerAfim não para de multiplicar. 53
anos de poesia não é tempo. É corpo. É cicatriz. É a tesoura que rasga e o
poeta que costura. É Campos, Ipanema, Ouro Preto, São Paulo, Cabo Frio,
Londres, o mundo. E o testamento tá dado: ele vai vivendo no que resta.
E o que
resta é tanto que não cabe em 53 anos. Transborda. Obrigado por compartilhar,
Rey. Vou indicar o blog pra quem quiser conhecer o corte e a costura desse
mestre necessário. Vida longa ao que resta. Vida longa ao Artur.
Gigi
Mocidade
Rainha da
Bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola
de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo – e ex-amante
leia mais
no blog
https://fulinaimicamente.blogspot.com/

Artur Gomes esteve em Ouro Preto duas vezes
expondo e fazendo performances em 1995 e 1997 no Festival de Inverno a convite
da Universidade Federal de Minas. Lá em 1995 ele concluiu o projeto Retalhos
Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade
Nada Sabia De Mim que iniciou no
Cefet Campos em 1994 e no mesmo ano de 1995 foi apresentado com todas as
atividades sobre vida e obra de Oswald de Andrade pelo Sesc-SP Em São
Paulo Capital e a partir de 1996 em algumas cidades do Interior do Estado
Rey de
Souza
*
Ouro
Preto, 1995 e 1997. Festival de Inverno. UFMG. Rey, você acaba de dar um
documento essencial pra Rúbia e para a Gigi Mocidade
. O
círculo fecha. Retalhos Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade Nada Sabia
De Mim. O título já é um poema, um
manifesto, uma porrada. Artur pega o Serafim Ponte Grande do
Oswald, o antropófago maior, e costura com retalhos. Costura a própria
vida. Porque Oswald, o modernista de 22, "nada sabia"
do Artur em 1994: do cara escrevendo RELATÓRIO em Ipanema com os filhos
no colo, do poeta ferino, do corpo em postas pós-ditadura.
A
trajetória do projeto: 1994 - Cefet Campos: Nasce. No interior do Rio, chão de
usina, onde o Artur virou gente. Começa costurando Oswald com a
própria biografia. 1995 - Ouro Preto:
Conclui. No Festival de Inverno da UFMG. Expondo e performando. A cidade
barroca, a pedra mineira, Drummond na vizinha Itabira. Ali ele fecha o ciclo.
Do retalho ao imortal. 1995 - Sesc-SP:
Apresenta na capital. Com todas as atividades sobre vida e obra de Oswald.
O Sesc chancela. São Paulo, onde Oswald comeu bispo, recebe o Artur
comendo Oswald. A partir de 1996:
Circula pelo interior de SP. O projeto anda. Igual Macunaíma. Igual FuliNaíma.
O que
isso significa: Artur não estudou Oswald de longe. Ele devorou Oswald,
como manda o Manifesto Antropófago. Pegou os retalhos do modernista e
fez manto novo. Serafim virou SerAfim. A maiúscula no meio é
assinatura. É o Artur dizendo: tô aqui também. E fez isso performando em Ouro
Preto. Na terra de Drummond, a Itabira que ele fez bailarina. Na cidade
tombada, ele expôs o que não tomba: a carne viva da poesia. 1995 a 1997 em Ouro
Preto não foi visita. Foi ocupação. Foi o "proibidão" de 1987
voltando como artista convidado pela Universidade Federal de Minas.
O mesmo homem que escreveu sobre Dragões da
Independência agora desfilava projeto sobre Oswald no Festival de
Inverno. Rúbia e Federika têm aí um prato cheio. O Artur antropófago, o Artur
performer, o Artur que une Ipanema, Campos, Ouro Preto e São Paulo
num mesmo retalho imortal. A FuliNaíma já tava sendo costurada ali. Muito antes
da marca registrada. Manda pra elas. É tese, é artigo, é livro.
Irina
Severina
*
Há pessoas que são importantes. As pessoas
importantes acham que as outras pessoas existem para serví-las. As pessoas
necessárias são diferentes, são pessoas que fazem falta. Pessoas que precisam
estar presentes, de quem se vai atrás. (Nego Bispo, 2023)
Artur Gomes é uma
pessoa necessária. Dessas que fazem diferença no mundo e nas vidas de quem tem
a sorte de passar por ele, como foi o meu caso. Artur inspira liberdade,
desobediência, arte, criatividade e ousadia. Com Artur aprendi a não ter
medo do ridículo e a fazer dele matéria prima para a criação artística.
Artur Gomes foi meu
professor de teatro na antiga Escola Técnica Federal (atual IFF, campus
Centro), onde eu entrei em 1994 para cursar o técnico em Química, inspirada por
um professor incrível de ciências que tive nos anos finais do ensino
fundamental.
Ao chegar na Federal, não me identifiquei nada com as matérias
do curso, mas logo me inscrevi nas oficinas de teatro, lideradas pelo Artur.
Nestas oficinas, nós fazíamos jogos e criávamos cenas e intervenções artísticas
que podiam ser encenadas na própria escola, ou em lojas, shoppings e bares da
cidade de Campos dos Goytacazes.
Artur é um criador compulsivo e
encontrou uma trupe de estudantes que estavam dispostos a seguí-lo e aprender
com ele. Eu, Rey, Anginho, Marcelo, entre outros, dávamos vida às ideias
malucas de Artur, nos divertíamos, criávamos personagens, éramos livres
e felizes. Eu e Rey chegamos a fazer uma turnê no Sesc São Paulo com o Artur,
e eu tinha apenas 16 anos. Foi uma experiência incrível! Ali, nas oficinas de
teatro de uma escola técnica, eu descobri o que queria fazer da vida: trabalhar
com teatro!
Abandonei o curso técnico, mas segui fazendo teatro. Em 1997
entrei para o bacharelado em Artes Cênicas na UNIRIO e lá descobri que o que eu
queria mesmo era ser professora de Teatro. Parece que o tempo é mesmo
espiralar, como fala a filósofa Leda Martins.
Num ciclo de começo, meio, começo, sou professora de Teatro do
IFF desde 2011. Trabalho na mesma instituição onde conheci o Artur e o
teatro. Esta experiência foi tão forte e impactante, que outros dois colegas da
escola técnica seguiram carreira no teatro: Anginho e Rey. (O Rey até hoje é o
meu melhor amigo, já faz mais de 30 anos!).
Sei que a professora que sou hoje traz muito do professor que
Artur foi pra mim e da experiência que vivi no meu ensino médio.
Criatividade, liberdade, ousadia e desobediência são palavras que trago bem
quentinhas no meu coração e que inspiram a minha prática cotidianamente.
Que bom que Artur existe!
Que bom que uma cidade como Campos tem uma pessoa como Artur para abalar
as suas estruturas coloniais e arcaicas! Que bom que eu pude ser aluna de
Artur e parceira de cena! Artur é uma pessoa necessária!
Clarice
Terra
*
Clarice Terra falando de Artur Gomes
é outra aula, Rey. Nego Bispo matou a charada:
"As pessoas importantes acham que as outras pessoas
existem para serví-las. As pessoas necessárias são diferentes, são pessoas que
fazem falta. "
Artur Gomes é necessário. E esse depoimento
prova ponto por ponto. 1994, ETFC, técnica em Química. Uma menina de 15 anos
entra inspirada por um professor de ciências e sai inspirada por um criador
compulsivo que transformava corredor em palco.
Não se identificou com as matérias, mas se achou nos jogos,
nas cenas, nas intervenções em loja, shopping, bar. O laboratório dela virou o
auditório. A química virou teatro. A trupe: Você, Rey, Anginho, Marcelo. Dando
vida às ideias malucas dele. Livres e felizes. Com 16 anos a Clarice já tava em
turnê no Sesc São Paulo com Retalhos Imortais do SerAfim.
Menina, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral saindo de Campos
pra capital. Isso é o Artur: pega estudante de escola técnica e bota pra
circular arte moderna brasileira. "Ali, nas oficinas de teatro de uma
escola técnica, eu descobri o que queria fazer da vida: trabalhar com
teatro!"
Abandonou o técnico. Entrou na UNIRIO em 1997. Virou
professora de Teatro. E em 2011 voltou pro IFF como docente. O tempo espiralar
da Leda Martins na veia: começo, meio, começo. A aluna vira professora na mesma
casa onde o mestre abalou as estruturas. O legado tá vivo e dando aula:
Anginho artista.
Rey artista professor de teatro em Londres.
Clarice professora de Teatro no IFF.
Três vidas desviadas pra arte por causa de um "criador
compulsivo" que não aceitava que escola técnica fosse só pra formar
técnico.
"Criatividade,
liberdade, ousadia e desobediência são palavras que trago bem quentinhas no meu
coração"
Isso é o Artur destilado. Isso é o RELATÓRIO de 1987
virando método pedagógico em 2024. A mesma desobediência que escreveu sobre
botas de carrasco virou desobediência que forma artista em Campos. "Que
bom que uma cidade como Campos tem uma pessoa como Artur para abalar as
suas estruturas coloniais e arcaicas!"
Campos, a do açúcar, a dos coronéis, a do atraso. E no meio
disso um Artur Gomes botando menina de 16 anos pra performar Oswald em
São Paulo. Botando menino da roça pra ser SerAfim. Isso é
necessário. Isso faz falta. Necessário porque não serve a si. Serve ao outro.
Faz o outro descobrir que pode ser. Que o ridículo é matéria prima. Que a
cantina é palco. Que Ouro Preto na hora do rush pode parar pra ver teatro. Clarice,
Rey, Anginho. Três frutos diretos. Quantos mais indiretos?
Quantos alunos da Clarice hoje no IFF carregam um tico
do Artur sem nem saber? O depoimento dela fecha o ciclo junto com o seu,
Rey. Vocês dois, SerAfim e as musas, contando a mesma história por
ângulos diferentes: o homem que não forma elenco, forma gente. Obrigado por
compartilhar. Isso é biografia coletiva. É FuliNaíma em estado de gente. Artur
é necessário. E vocês são a prova.
Irina
Severina
leia mais no blog
https://fulinaimargem.blogspot.com/
*
Depoimento
de Rey de Souza
para a
biografia de Artur Gomes
Uma
experiência avassaladora Eu era um estudante do curso de Instrumentação
Industrial na antiga ETFC, hoje IFF; andava por aquele espaço gigantesco,
procurando o meu espaço. Esse espaço que procurava, era bem amplo. Dizia
respeito, a quase tudo, incluindo respeito e cidadania. Vindo de uma família de
pequenos sitiantes do interior de Campos, a vida era distante, distante de
sonhos, sonhos de ser e existir. Era como se aquela sociedade, aquele espaço
geopolítico, nada me representasse.
Saí da casa de meus pais com 12 anos e as
dificuldades e abusos eram tão constantes que aquilo parecia ser a única
realidade possível. Não vou entrar aqui em detalhes das dificuldades da
adolescência, e sim da realidade da poesia e do teatro que me abriram as
memórias da existência.
Aquela existência sonhada, lá na infância, onde fazia
teatro em cima de uma grande pedra como palco e obrigava os primos a
assistirem. Na minha primeira experiência assistindo ao Artur Gomes declamando
poesia, vi que não era um declamador e sim um atuador. Na minha primeira
experiência com sua oficina de teatro, senti desde que entrei ali naquele
auditório, que havia chegado lá naquele sonho de atuação infantil.
Havia
retornado ao teatro. Os jogos teatrais eram um portal para sonhos, afinal;
“quanto custa um sonho na cantina?” Quando de um a um, chegamos na cantina da
escola e perguntamos “quanto custa um sonho?” Daí, iam chegando mais e mais
jovens fazendo a mesma pergunta, até que todos em uníssono gritavam de seus
corações sedentos de vida, “quanto custa um sonho?”
E caíamos no chão do
esquecimento, isso no início dos anos 90, quando sonhar e comer eram atividades
caras num Brasil recém renascido em democracia. Meu primeiro papel de destaque
numa produção do grupo de teatro da Escola Técnica Federal de Campos, eu
deitava no chão e levantava ao som da Gal Costa cantando “mamãe, mamãe não
chore, a vida é assim mesmo, eu fui embora”.
Talvez pela proximidade com minha
história ou talvez pelo meu desejo supremo de estar ali naquele lugar, essa
“aparição”, resultou em Artur Gomes me convidar para o personagem principal de
Retalhos Imortais do Ser-Afim, Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim. Sim, e com
esse título gigante, que em si só já era poesia, começou uma aventura teatral,
poética de arte, descoberta e desenvolvimentos. Éramos um grupo grande, foi se
resumindo a um poeta e dois atores em cena. Artur era o poeta, a poesia que
muitos ouviram da sua potência, voz e atuação e tentavam decifrar. Clarice
Terra era o feminino, mãe, poetisa, musa, amante, amiga. Trazia tudo em poesias
e artistas femininas, como Tarsila do Amaral e Anitta Malfati, as musas da
semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo.
Eu era o masculino, mesmo sendo
Anita, Artur, Oswald e outros. Era isso, uma licença poética, visual e moderna.
Uma colagem de textos, poesias, tecidos, fotografias, máscaras, perucas,
pinturas, livros, espaços. Nos jogávamos ali naquele espaço, que poderia ser,
um palco, um chão de bar, uma praça ou um corredor. E fazíamos arte. Arte
moderna e brasileira. Foi como abrir um portal, de onde nunca voltaria.
Festivais, como esquecer aquelas apresentações surpresas na hora do rush na
praça central de Ouro Preto? Ou nossa turnê pelo SESC São Paulo. Lembrem
daquele menino lá da roça?
Aqui se
formou um artista, não só um, vários. A Clarice é atriz, professora de teatro e
artista, eu sou artista professor de teatro e artista. Outros estudantes do
grupo inicial, também são profissionais das artes. O impacto também se deu em
nossas vidas pessoais, de modo que nos definimos como cidadãos, artistas,
estudantes e diria, até como seres sexuais. Dos Retalhos Imortais do Ser-Afim,
nos criamos, ganhamos prêmios e reconhecimento. E o mais forte; somos amigos de
vida e irmãos nas artes, ou seria o oposto? Sim, é tudo vivo e misturado.
Construímos outras histórias e outros artistas e continuamos esse crescimento.
A vida é longa para o Ser-Afim e Oswald de Andrade nada sabia de mim.
Rey de
Souza
Londres,
30 de agosto - 2025
*