quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Cidade VeraCidade

cidade veracidade

                     campos 190

 

transverso atravesso esta cidade

que me atravessa em seu silêncio

ouço o gemido dos teus ecos

por ruas avenidas e vielas

sinto saudade dos terreiros de jongo

nas favelas e as lavadeiras

das pinturas aquarelas

em teus aceiros fiz meus trilhos

em cada trilha dos meus traços

no encontro ao ururau no cais da lapa

teu por do sol pode ser beijo

                           ou também tapa

 

Artur Gomes

leia mais no blog

Artur Gomes - FULINAIMAGENS

https://fulinaimagens.blogspot.com/

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A imagem apresenta o poeta Artur Gomes  com um braço levantado e o texto “Balbúrdia Poética / Por onde andará Artur Gomes?”, sugerindo uma referência ao projeto do poeta “Por Onde Andará Macunaíma”.

O poema que você compartilhou é uma expressão lírica que evoca a cidade, memórias e sentimentos, mencionando elementos como “terreiros de jongo”, “favelas”, “lavadeiras” e “pinturas aquarelas”. Ele reflete uma jornada pessoal e artística dentro da cidade, conectando experiências e emoções.

 Você quer saber mais sobre Artur Gomes ou sobre o significado específico do poema?

Irina Fulinaímica

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Me fale um pouco mais sobre o poema de Artur Gomes acima.

EuGênio Mallarmè 

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Entendi que você quer saber sobre o poema e sua relação com Artur Gomes, que aparece na imagem.

Artur Gomes é um poeta brasileiro cuja obra muitas vezes explora temas de identidade, memória e a experiência urbana, como você pode ver no poema: 

_cidade veracidade campos 190 transverso atravesso esta cidade que me atravessa

em seu silêncio ouço o gemido dos teus ecos

por ruas avenidas e vielas sinto saudade dos terreiros de jongo nas favelas

e as lavadeiras das pinturas aquarelas

em teus aceiros fiz meus trilhos

em cada trilha dos meus traços no encontro ao ururau no cais da lapa

teu por do sol pode ser beijo ou também tapa_

O poema usa uma linguagem poética e sensorial para expressar como a cidade influencia o eu do poeta, misturando imagens de lugares e experiências pessoais.

 

Você quer saber mais sobre a obra de Artur Gomes ou sobre o contexto específico desse poema?

Irina Fulinaímica

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Como você analisaria este poema?  

Eugênio Mallarmè

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O poema de Artur Gomes é uma expressão poética que evoca a cidade como um espaço de memória e identidade. Vamos analisar alguns pontos:

 

1. "atravesso esta cidade que me atravessa": Aqui, o poeta sugere uma relação profunda e recíproca com a cidade. Ele não apenas caminha pela cidade, mas a cidade também o influencia e o transforma.

2. "ouço o gemido dos teus ecos": O uso de "gemido" sugere uma dor ou uma saudade, e os "ecos" podem representar as memórias e histórias da cidade que ressoam no poeta.

3. "terreiros de jongo nas favelas": O jongo é uma dança afro-brasileira, e a menção a ele traz uma dimensão cultural e histórica à poesia, conectando a cidade a suas raízes afro-brasileiras.

4. "teu por do sol pode ser beijo ou também tapa": Essa linha sugere ambiguidade e complexidade na relação do poeta com a cidade. O pôr do sol pode ser um momento de beleza ("beijo") ou de violência ("tapa"), refletindo as dualidades da vida urbana.

O poema é uma jornada pessoal e sensorial pela cidade, misturando elementos de memória, cultura e experiência.

Você gostaria de explorar mais algum aspecto desse poema ou quer saber sobre o contexto em que foi escrito?

Irina Fulinaímica

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Da Cacomanga para o mundo passando pela Tapera Ururaí Lagamar Ibitioca pulando feito pipoca para se equilibrar na corda bamba em terreiros nem sempre de samba quando o jongo e capoeira eram defesa na luta com as  palavras nem sempre amenas pacíficas cordiais muitas vezes tão ásperas que o jeito mesmo era o silêncio para não xingar o próprio vento que apertava o calcanhar na vida nem sempre mar de rosas quase sempre espinhos furando a sola dos sapatos

Artur Gomes

A Biografia De Um Poeta Absurdo

leia mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/

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Entendi que você quer saber mais sobre Artur Gomes e seu trabalho, e você compartilhou um texto poético e biográfico sobre ele. 

O texto faz uma jornada geográfica e existencial, mencionando lugares como "Cacomanga", "Tapera Ururaí Lagamar Ibitioca", que parecem ser referências a locais ou experiências que influenciaram a vida e obra de Artur Gomes. A descrição de "pular feito pipoca" e "equilibrar na corda bamba" sugere uma vida de desafios e adaptações, onde o poeta usa palavras como defesa e expressão.

A menção a "jongo e capoeira" reforça a conexão com a cultura afro-brasileira e a resistência, enquanto "as palavras nem sempre amenas pacíficas cordiais" indicam que sua poesia pode ser áspera e reflexiva sobre as dificuldades da vida. 

O texto também menciona um blog (https://fulinaimargem.blogspot.com/)

 onde você pode ler mais sobre a biografia de Artur Gomes, um poeta descrito como "absurdo", sugerindo uma obra que desafia convenções.

Você gostaria de saber mais sobre a obra específica de Artur Gomes, como seus poemas mais famosos, ou sobre o contexto cultural em que ele escreve?

Irina Fulinaímica

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Artur Gomes In Pessoa

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SampleAndo

 

o poema pode ser um beijo em tua boca

carne de maçã em maio

um tiro oculto sob o céu aberto

estrelas de neon em Vênus

refletindo pregos no meu peito em cruz

na paulista consolação na água branca barra funda

metal de prata desta lua que me inunda

num beijo sujo como a estação da luz

nos vídeos.filmes de TV

eu quero um clipe

nos teus seios quentes

uma cilada em tuas coxas japa

como uma flecha em tuas costas índia

ninja, gueixa eu quero a rota teu país ou mapa

teu território devastar inteiro

como uma vela ao mar de fevereiro

molhar teu cio e me esquecer na lapa

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

https://www.instagram.com/p/DP37Gm3jdvH/

meta metáfora no poema meta

 

como alcançá-la plena

no impulso onde universo pulsa

no poema onde estico plumo

onde o nervo da palavra cresce

onde a linha que separa a pele

é o tecido que o teu corpo veste

 

como alcançá-la pluma

nessa teia que aranha tece

entre um beijo outro no mamilo

onde aquilo que a pele em plumo

rompe a linha do sentido e cresce

onde o nervo da palavra sobe

o tecido do teu corpo desce

onde a teia que o alcançar descobre

no sentido que o poema é prece

 

Artur Gomes

poema do livro Juras Secretas

Litteralux – 2018

leia mais no blog

https://braziliricapereira.blogspot.com/

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Que poema incrível!  Acho que a "meta metáfora" aqui é como uma busca por uma linguagem que transcende o próprio poema, uma espécie de fusão entre palavra e corpo, onde o sentido se expande e se rompe. Artur Gomes parece estar explorando a ideia de que o poema é um espaço de encontro, um lugar onde as fronteiras entre o eu e o outro se dissolvem. 

A imagem da "aranha que tece entre um beijo outro" é particularmente interessante, sugere uma teia de desejos e conexões que se entrelaçam. E a ideia de "alcança-la pluma" é como buscar uma leveza, uma delicadeza que é ao mesmo tempo uma forma de profundidade.

O que você acha que é o papel do corpo nesse poema? E como você vê a relação entre a palavra e o sentido aqui?

Irina Fulinaímica

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Eu fico muitas vexes intrigado com a poesia de Artur Gomes, parece que ele e sua poesia estão sempre em movimento, nunca estão no mesmo lugar nem com o mesmo estado de espírito ni momento em que escreve. Fica difícil para gente imagina o que realmente o coloca em "estado de poesia"

EuGênio Mallarmè

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Eu fico muitas vezes intrigado com a poesia de Artur Gomes, parece que ele e sua poesia estão sempre em movimento, nunca estão no mesmo lugar nem com o mesmo estado de espírito ni momento em que escreve. Fica difícil para gente imagina o que realmente o coloca em "estado de poesia"

EuGênio Mallarmè

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Acho que é exatamente isso!  A poesia de Artur Gomes parece ter uma energia própria, como se estivesse sempre em ebulição. É como se ele estivesse constantemente se reinventando, explorando novos territórios, tanto físicos quanto emocionais.

Talvez o que o coloque em "estado de poesia" seja justamente essa capacidade de se deixar levar, de se abrir para as experiências e sensações, sem medo de se perder. Ele parece estar sempre à espreita, capturando fragmentos de vida e transformando-os em palavras.

Acho que isso é o que torna sua poesia tão instigante: a sensação de que estamos sendo levados numa jornada sem rumo definido, mas com uma intensidade e uma paixão que nos arrastam.

Você acha que essa é uma característica da poesia contemporânea em geral, ou é algo mais específico de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

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distante teresina 

numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele na poesia experimental Torquato  dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.

 

Artur Gomes

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Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim

                   EuGênio Mallarmè 

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Que poema incrível!  Parece Artur Gomes  está descrevendo um momento de encontro entre poetas e artistas, uma espécie de confluência de ideias e emoções em Teresina, numa tarde de dezembro.

A menção a Clarice Lispector e Torquato Neto é particularmente interessante, sugere uma conexão com a literatura brasileira e a poesia experimental. E a imagem de Jommard Muniz de Brito "tecendo suas palavras nos tecidos sobre a pele" é uma metáfora poderosa para a criação poética.

A referência à morte de Tom Jobim também é significativa, parece que o poema está capturando um momento de reflexão e homenagem à música e à cultura brasileira.

E o trocadilho com "carNAvalha" é genial! Parece que o poema está celebrando a vida e a arte, mesmo em meio à morte e à tristeza.

Você acha que esse poema é uma forma de homenagem a Tom Jobim, ou é mais uma reflexão sobre a própria poesia e a arte?

Irina Fulinaímica


Com certeza sinto/vejo/penso esse poema como uma forma de reflexão sobre a triste notícia e ao mesmo tempo a euforia dos poetas em manifesto: A Mostra Visual De Poesia Brasileira, estava acontecendo em sua 11ª Edição em Teresina, numa parceria com o poeta piauiense Rubervam Du Nascimento, tínhamos acabado de voltar do cemitério onde fomos visitar o túmulo de Torquato Neto, em cia do músico Carlos Careqa, visita sugeria pelo poeta poeta Jota Medeiros. Acredito também que a música “Cajuína”, de Caetano Veloso, “existirmos a que será que se destina”, deve também tê-lo levado a criação desse poema.

 

EuGênio Mallarmè

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Acho que você está mergulhado na história por trás desse poema!  A Mostra Visual de Poesia Brasileira em Teresina, com a presença de poetas como você, Jommard Muniz de Brito e outros, deve ter sido um momento incrível de troca e criação.

A visita ao túmulo de Torquato Neto, com Carlos Careqa e Jota Medeiros, sugere uma conexão forte com a poesia e a música brasileira. E a música "Cajuína" de Caetano Veloso, com sua letra que fala de existir e destino, parece ter influenciado mesmo a criação do poema.

O poema então ganha um contexto ainda mais rico: é uma reflexão sobre a morte de Tom Jobim, mas também uma celebração da poesia, da música e da cultura brasileira. E a menção a "distante Teresina numa tarde de dezembro" cria uma atmosfera meio melancólica, meio eufórica, como se a poesia estivesse capturando um momento de encontro e reflexão.

Você acha que a poesia é uma forma de manter viva a memória de artistas como Tom Jobim e Torquato Neto?

Irina Fulinaímica

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Outro detalhe na poesia de Artur Gomes, que não me foge a observação, é a musicalidade, as sonoridades fonéticas com rimas muitas vezes perturbadoras, devido a sua originalidade, como por exemplo neste poema do livro "Couro Cru & Carne Viva”, de 1987:

EuGênio Mallarmè

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A musicalidade e as sonoridades fonéticas em Artur Gomes são incríveis!  A rima "baiafro" com "com ódio mortal de ianque" é perturbadora mesmo, cria um impacto forte. A maneira como ele brinca com as palavras e os sons é como uma espécie de revolta poética, uma crítica à realidade política e social.

O poema parece estar falando de um "sonho rola no parque" que é manchado por sangue e ódio, e a referência ao "terceiro mundo" e ao "ianque" é uma crítica à opressão e ao imperialismo. A musicalidade do poema ajuda a reforçar essa mensagem, criando um ritmo meio sombrio, meio revoltado.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência política, ou é mais uma expressão de sentimentos e emoções pessoais?

Irina Fulinaímica

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