cidade veracidade
campos 190
transverso atravesso esta cidade
que me atravessa em seu silêncio
ouço o gemido dos teus ecos
por ruas avenidas e vielas
sinto saudade dos terreiros de jongo
nas favelas e as lavadeiras
das pinturas aquarelas
em teus aceiros fiz meus trilhos
em cada trilha dos meus traços
no encontro ao ururau no cais da lapa
teu por do sol pode ser beijo
ou também tapa
Artur Gomes
leia mais no blog
Artur Gomes - FULINAIMAGENS
https://fulinaimagens.blogspot.com/
*
A imagem apresenta o poeta Artur Gomes com um braço levantado e o texto “Balbúrdia
Poética / Por onde andará Artur Gomes?”, sugerindo uma referência ao projeto do
poeta “Por Onde Andará Macunaíma”.
O poema que você compartilhou é uma expressão lírica que evoca
a cidade, memórias e sentimentos, mencionando elementos como “terreiros de
jongo”, “favelas”, “lavadeiras” e “pinturas aquarelas”. Ele reflete uma jornada
pessoal e artística dentro da cidade, conectando experiências e emoções.
Você quer saber mais sobre Artur Gomes ou sobre o significado específico do poema?
Irina Fulinaímica
*
EuGênio Mallarmè
*
Entendi
que você quer saber sobre o poema e sua relação com Artur Gomes, que
aparece na imagem.
Artur Gomes é um poeta brasileiro cuja obra muitas vezes explora temas de identidade, memória e a experiência urbana, como você pode ver no poema:
_cidade
veracidade campos 190 transverso atravesso esta cidade que me atravessa
em seu
silêncio ouço o gemido dos teus ecos
por ruas
avenidas e vielas sinto saudade dos terreiros de jongo nas favelas
e as
lavadeiras das pinturas aquarelas
em teus
aceiros fiz meus trilhos
em cada
trilha dos meus traços no encontro ao ururau no cais da lapa
teu por
do sol pode ser beijo ou também tapa_
O poema
usa uma linguagem poética e sensorial para expressar como a cidade influencia o
eu do poeta, misturando imagens de lugares e experiências pessoais.
Você quer
saber mais sobre a obra de Artur Gomes ou sobre o contexto específico
desse poema?
Irina
Fulinaímica
*
Como você
analisaria este poema?
Eugênio
Mallarmè
*
O poema
de Artur Gomes é uma expressão poética que evoca a cidade como um espaço
de memória e identidade. Vamos analisar alguns pontos:
1. "atravesso
esta cidade que me atravessa": Aqui, o poeta sugere uma relação
profunda e recíproca com a cidade. Ele não apenas caminha pela cidade, mas a
cidade também o influencia e o transforma.
2. "ouço
o gemido dos teus ecos": O uso de "gemido" sugere uma
dor ou uma saudade, e os "ecos" podem representar as memórias
e histórias da cidade que ressoam no poeta.
3. "terreiros
de jongo nas favelas": O jongo é uma dança afro-brasileira, e a menção
a ele traz uma dimensão cultural e histórica à poesia, conectando a cidade a
suas raízes afro-brasileiras.
4. "teu
por do sol pode ser beijo ou também tapa": Essa linha sugere
ambiguidade e complexidade na relação do poeta com a cidade. O pôr do sol pode
ser um momento de beleza ("beijo") ou de violência ("tapa"),
refletindo as dualidades da vida urbana.
O poema é
uma jornada pessoal e sensorial pela cidade, misturando elementos de memória,
cultura e experiência.
Você
gostaria de explorar mais algum aspecto desse poema ou quer saber sobre o
contexto em que foi escrito?
Irina
Fulinaímica
*
Da
Cacomanga para o mundo passando pela Tapera Ururaí Lagamar Ibitioca pulando
feito pipoca para se equilibrar na corda bamba em terreiros nem sempre de samba
quando o jongo e capoeira eram defesa na luta com as palavras nem sempre amenas pacíficas cordiais
muitas vezes tão ásperas que o jeito mesmo era o silêncio para não xingar o
próprio vento que apertava o calcanhar na vida nem sempre mar de rosas quase
sempre espinhos furando a sola dos sapatos
Artur
Gomes
A
Biografia De Um Poeta Absurdo
leia mais
no blog
https://fulinaimargem.blogspot.com/
*
Entendi que você quer saber mais sobre Artur Gomes e seu trabalho, e você compartilhou um texto poético e biográfico sobre ele.
O texto
faz uma jornada geográfica e existencial, mencionando lugares como
"Cacomanga", "Tapera Ururaí Lagamar Ibitioca", que parecem
ser referências a locais ou experiências que influenciaram a vida e obra de Artur
Gomes. A descrição de "pular feito pipoca" e "equilibrar
na corda bamba" sugere uma vida de desafios e adaptações, onde o
poeta usa palavras como defesa e expressão.
A menção a "jongo e capoeira" reforça a conexão com a cultura afro-brasileira e a resistência, enquanto "as palavras nem sempre amenas pacíficas cordiais" indicam que sua poesia pode ser áspera e reflexiva sobre as dificuldades da vida.
O texto
também menciona um blog (https://fulinaimargem.blogspot.com/)
onde você pode ler mais sobre a biografia de Artur
Gomes, um poeta descrito como "absurdo", sugerindo uma
obra que desafia convenções.
Você
gostaria de saber mais sobre a obra específica de Artur Gomes, como seus
poemas mais famosos, ou sobre o contexto cultural em que ele escreve?
Irina
Fulinaímica
*
Artur
Gomes In Pessoa
*
SampleAndo
o poema
pode ser um beijo em tua boca
carne de
maçã em maio
um tiro
oculto sob o céu aberto
estrelas
de neon em Vênus
refletindo
pregos no meu peito em cruz
na
paulista consolação na água branca barra funda
metal de
prata desta lua que me inunda
num beijo
sujo como a estação da luz
nos
vídeos.filmes de TV
eu quero
um clipe
nos teus
seios quentes
uma
cilada em tuas coxas japa
como uma
flecha em tuas costas índia
ninja,
gueixa eu quero a rota teu país ou mapa
teu
território devastar inteiro
como uma
vela ao mar de fevereiro
molhar
teu cio e me esquecer na lapa
Artur
Gomes
Juras
Secretas
Editora
Penalux – 2018
https://www.instagram.com/p/DP37Gm3jdvH/
meta
metáfora no poema meta
como
alcançá-la plena
no
impulso onde universo pulsa
no poema
onde estico plumo
onde o
nervo da palavra cresce
onde a
linha que separa a pele
é o
tecido que o teu corpo veste
como
alcançá-la pluma
nessa
teia que aranha tece
entre um
beijo outro no mamilo
onde
aquilo que a pele em plumo
rompe a
linha do sentido e cresce
onde o
nervo da palavra sobe
o tecido
do teu corpo desce
onde a
teia que o alcançar descobre
no
sentido que o poema é prece
Artur
Gomes
poema do
livro Juras Secretas
Litteralux
– 2018
leia mais
no blog
https://braziliricapereira.blogspot.com/
*
Que poema incrível! Acho que a "meta metáfora" aqui é como uma busca por uma linguagem que transcende o próprio poema, uma espécie de fusão entre palavra e corpo, onde o sentido se expande e se rompe. Artur Gomes parece estar explorando a ideia de que o poema é um espaço de encontro, um lugar onde as fronteiras entre o eu e o outro se dissolvem.
A imagem
da "aranha que tece entre um beijo outro" é particularmente
interessante, sugere uma teia de desejos e conexões que se entrelaçam. E a
ideia de "alcança-la pluma" é como buscar uma leveza, uma
delicadeza que é ao mesmo tempo uma forma de profundidade.
O que
você acha que é o papel do corpo nesse poema? E como você vê a relação entre a
palavra e o sentido aqui?
Irina Fulinaímica
*
Eu fico
muitas vexes intrigado com a poesia de Artur Gomes, parece que ele e sua
poesia estão sempre em movimento, nunca estão no mesmo lugar nem com o mesmo
estado de espírito ni momento em que escreve. Fica difícil para gente imagina o
que realmente o coloca em "estado de poesia"
EuGênio
Mallarmè
*
Eu fico
muitas vezes intrigado com a poesia de Artur Gomes, parece que ele e sua
poesia estão sempre em movimento, nunca estão no mesmo lugar nem com o mesmo
estado de espírito ni momento em que escreve. Fica difícil para gente imagina o
que realmente o coloca em "estado de poesia"
EuGênio
Mallarmè
*
Acho que
é exatamente isso! A poesia de Artur
Gomes parece ter uma energia própria, como se estivesse sempre em ebulição.
É como se ele estivesse constantemente se reinventando, explorando novos
territórios, tanto físicos quanto emocionais.
Talvez o
que o coloque em "estado de poesia" seja justamente
essa capacidade de se deixar levar, de se abrir para as experiências e
sensações, sem medo de se perder. Ele parece estar sempre à espreita,
capturando fragmentos de vida e transformando-os em palavras.
Acho que
isso é o que torna sua poesia tão instigante: a sensação de que estamos sendo
levados numa jornada sem rumo definido, mas com uma intensidade e uma paixão
que nos arrastam.
Você acha
que essa é uma característica da poesia contemporânea em geral, ou é algo mais
específico de Artur Gomes?
Irina
Fulinaímica
*
distante teresina
numa
tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina
EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard
Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele na poesia experimental
Torquato dentro, 10 de dezembro de 1994 a
Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na
fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha
logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.
Artur
Gomes
*
Obs.: esse
poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim
EuGênio Mallarmè
*
Que poema incrível! Parece Artur Gomes está descrevendo um momento de encontro entre
poetas e artistas, uma espécie de confluência de ideias e emoções em Teresina,
numa tarde de dezembro.
A menção
a Clarice Lispector e Torquato Neto é particularmente
interessante, sugere uma conexão com a literatura brasileira e a poesia
experimental. E a imagem de Jommard Muniz de Brito "tecendo suas
palavras nos tecidos sobre a pele" é uma metáfora poderosa para a
criação poética.
A
referência à morte de Tom Jobim também é significativa, parece que o
poema está capturando um momento de reflexão e homenagem à música e à cultura
brasileira.
E o
trocadilho com "carNAvalha" é genial! Parece que o poema está
celebrando a vida e a arte, mesmo em meio à morte e à tristeza.
Você acha
que esse poema é uma forma de homenagem a Tom Jobim, ou é mais uma
reflexão sobre a própria poesia e a arte?
Irina
Fulinaímica
Com certeza
sinto/vejo/penso esse poema como uma forma de reflexão sobre a triste notícia e
ao mesmo tempo a euforia dos poetas em manifesto: A Mostra Visual De Poesia
Brasileira, estava acontecendo em sua 11ª Edição em Teresina, numa parceria com
o poeta piauiense Rubervam Du Nascimento, tínhamos acabado de voltar do cemitério
onde fomos visitar o túmulo de Torquato Neto, em cia do músico Carlos Careqa,
visita sugeria pelo poeta poeta Jota Medeiros. Acredito também que a música “Cajuína”,
de Caetano Veloso, “existirmos a que será que se destina”, deve também tê-lo
levado a criação desse poema.
EuGênio
Mallarmè
*
Acho que você está mergulhado na história por trás desse
poema! A Mostra Visual de Poesia
Brasileira em Teresina, com a presença de poetas como você, Jommard Muniz de
Brito e outros, deve ter sido um momento incrível de troca e criação.
A visita ao túmulo de Torquato Neto, com Carlos Careqa e Jota
Medeiros, sugere uma conexão forte com a poesia e a música brasileira. E a
música "Cajuína" de Caetano Veloso, com sua letra que
fala de existir e destino, parece ter influenciado mesmo a criação do poema.
O poema
então ganha um contexto ainda mais rico: é uma reflexão sobre a morte de Tom
Jobim, mas também uma celebração da poesia, da música e da cultura brasileira.
E a menção a "distante Teresina numa tarde de dezembro" cria
uma atmosfera meio melancólica, meio eufórica, como se a poesia estivesse
capturando um momento de encontro e reflexão.
Você acha
que a poesia é uma forma de manter viva a memória de artistas como Tom Jobim e
Torquato Neto?
Irina
Fulinaímica
*
Outro
detalhe na poesia de Artur Gomes, que não me foge a observação, é a
musicalidade, as sonoridades fonéticas com rimas muitas vezes perturbadoras,
devido a sua originalidade, como por exemplo neste poema do livro "Couro Cru
& Carne Viva”, de 1987:
EuGênio
Mallarmè
*
A
musicalidade e as sonoridades fonéticas em Artur Gomes são incríveis! A rima "baiafro" com "com
ódio mortal de ianque" é perturbadora mesmo, cria um impacto forte. A
maneira como ele brinca com as palavras e os sons é como uma espécie de revolta
poética, uma crítica à realidade política e social.
O poema
parece estar falando de um "sonho rola no parque" que é
manchado por sangue e ódio, e a referência ao "terceiro mundo" e
ao "ianque" é uma crítica à opressão e ao imperialismo. A
musicalidade do poema ajuda a reforçar essa mensagem, criando um ritmo meio
sombrio, meio revoltado.
Você acha
que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência política, ou é
mais uma expressão de sentimentos e emoções pessoais?
Irina
Fulinaímica
*




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