quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas

A Traição Do Lirismo 

Artur Gomes feito gume, é máquina devoradora do mundo. Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo e da disposição visual do mesmo no espaço suporte – papel ou pano – bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto, (in)cenação a complementar e enriquecer o que a palavra muda já disse, a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia.

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, sem pressa (os anos não parecem pesar – na carne nem no espírito) a sua delirante e criativa poesia, colagem da colagem, (re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem mesmo o velho Serafim sonhou.

Nada, absolutamente nada escapa à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa voz a evangelizar para a poesia. Este BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas é a continuação de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens já apareciam em 20 Poemas Com Gosto De JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos. Legítimas apropriações retiradas de suas viagens brasílicas, figuras que a sua generosidade literária faz questão de homenagear.

Na passarela poética de Artur, tanto podem desfilar Mallarmè, Faustino, Dalí, Oswald, Baudelaire, Drummond, Pound, Ana Cristina César e o sempre lembrado Uilcon Pereira, a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimas encontradas nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, objeto constante de sua poesia. Neste caldeirão, “olho gótico TVendo”, entra até um despudorado acróstico, rimas milionárias, em permanente celebração. O poeta Artur, disfarçado de concreto, celebra descaradamente a amizade e o lirismo e ri-se de quem tenta classificá-lo.

Evoé, Artur

Dalila Teles Veras

BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas

Alpharrabio Edições –

Santo André-SP – 2000

www.braziliricapereira.blogspot.com

*

Que texto incrível!  A descrição de Artur Gomes como um "gume, máquina devoradora do mundo" é perfeita para capturar a essência de sua poesia, que é ao mesmo tempo destrutiva e criativa.

A menção à sua habilidade em transformar palavras em poesia é um testemunho de sua maestria como poeta. E a imagem de sua poesia como uma "bandeira a gotejar palavra" é uma metáfora poderosa para a forma como sua obra se desdobra no espaço.

A referência à antropofagia é interessante, pois sugere que a poesia de Artur Gomes é uma forma de devorar e transformar a cultura e a história, criando algo novo e original. 

O texto de Dalila Teles Veras, também destaca a generosidade e a abertura de Artur Gomes em relação à cultura e à arte, ao incluir referências a outros artistas e personagens em sua obra.

E a imagem final, com o poeta "disfarçado de concreto" celebrando a amizade e o lirismo, é uma forma perfeita de capturar a essência de sua poesia, que é ao mesmo tempo séria e brincalhona, profunda e superficial.

Você acha que a poesia de Artur Gomes pode ser considerada uma forma de resistência cultural, uma forma de desafiar as convenções e criar algo novo e original?

Federika Lispector

*

                                inquisição:

por sermos duas metáforas novas, frescas, gostosas, desoprimidas  e sem qualquer pseudo complexo de fidelidade é que estamos aqui em brazilírica pereira, por sugestão da uilcona biúka diante desta outra inquisição. não, ainda não fomos apresentadas a lady federika bezerra. mas,  a conhecemos pela sua fama internacional de porta/bandeira. macabea não pode se sentir frustrada pela nossa decisão de estarmos aqui neste confessionário. Primeiro, porque não temos  e nunca tivemos nenhum compromisso com ela. segundo, é que alinhamos em uma outra frente liberal, e desfrutamos  de todo direito de ir e vir, ter e dar prazer, gozar da forma que melhor nos convier. Sexo? é uma opção de  gosto mesmo. até no palco por quê não? irônicas? sim, nosso mestre SerAfim nos ensinou que do sarcasmo nasce a grande arte. mas o importante é que nós como metáforas não precisamos estr somente em entre/linhas, estamos também nas entre/tuas, entre/minhas e não se trata de traição, procuramos fazer algo diferente, por exemplo, do que já vimos em filmes de godard, construídos em larga medida  só com citações e referências, apoiamo-nos nas coplagens como elementos básicos para ultrapassá-los . agimos como uma espécie de conspiradoras conscientes dos bens cultuais e materiais que nos pertencem como patrimônios da humanidade.

 

Artur Gomes

In BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas – Alpharrabio Edições – 2000

leia mais no blog

https://fulinaimagens.blogspot.com/

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Que texto incrível!  A linguagem é poderosa e subversiva, como se as metáforas estivessem se rebelando contra a opressão e a censura. A ironia e o sarcasmo são usados de forma magistral para criticar a sociedade e a cultura.

A referência à Inquisição é um lembrete sombrio da história de repressão e censura que o Brasil (e o mundo) já enfrentou. E a declaração de independência das metáforas, dizendo que não têm compromisso com Macabéa e que estão ali por escolha própria, é um manifesto de liberdade e autonomia.

O texto também é uma reflexão sobre a arte e a criatividade, sobre como as metáforas podem ser usadas para subverter e transgredir, para criar algo novo e diferente. E a menção a Godard e às citações é um comentário sobre a influência da cultura e a necessidade de inovar e criar algo próprio.

Você acha que esse tipo de linguagem e abordagem pode ser uma forma de resistência e empoderamento para os artistas e escritores que enfrentam censura e opressão?

Irina Fulinaímica

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Artur Gomes me confessa que a partir deste livro: BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas, sua linguagem poéticas dá um salto, quando ele começa a usas suas “metáforas”, como forma de se livrar da “opressão” e da “censura” que a sua arte vinda sofrendo até então, misturando textos em verso e prosa, onde o real se torna ficção e a ficção brinca com a realidade. E é neste livro também que ele começa a utilizar das referências aos grandes mestres da arte, seja na música no cinema nas artes plásticas e na poesia, criando um grande painel de “poéticas multilinguagens”

Luna de Oliveira

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Que revelação!  Artur Gomes parece ter encontrado uma forma de libertar sua criatividade e expressão artística através das "metáforas" em BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas. É como se ele tivesse descoberto um código secreto para driblar a censura e a opressão, usando a linguagem poética para dizer o que não podia ser dito abertamente.

 

A mistura de textos em verso e prosa, a fusão do real e da ficção, cria um universo único e fascinante. E a referência aos grandes mestres da arte é uma forma de homenagear e dialogar com a tradição, ao mesmo tempo em que se cria algo novo e original.

A expressão "poéticas multilinguagens" é perfeita para descrever essa abordagem, que mistura diferentes linguagens e formas de expressão para criar um todo coeso e poderoso.

Você acha que essa abordagem de Artur Gomes pode ser um exemplo para outros artistas que buscam expressar-se de forma criativa e autêntica, mesmo em contextos de opressão ou censura?

Irina Fulinaímica

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uma outra

não deveria, portanto, macabea vociferar aqui sua ira, acusando-nos veladamente de traidoras, sem assumir de fato em atitude pública a destilação desse veneno como palavra que não entra em cena.

as belas letras, para nós, começaram através das letras belas, narcisas pelos próprios nomes: metáforas. E por fidelidade a federika não traímos macabea, vamos não fazemos parte de uma mesma concepção de que a palavra parte, e as letras que pretendemos belas não são simplesmente nossas, muito menos dela. podemos constatar com gratidão que emergem das lendas, fábulas, crônicas e contos, poemas de uma visão de mundo bem nítida e pessoal. talvez, quiçá, quem sabe única reflexão de ruidurbanos, restos de gravuras e resíduos tipográficos. ou seja: uma série de gestos amorosos, eróticos de novo, repletos de ironias sensuais, doce fervor, fogo de malícias explosão de gozo. por sinal, diga-se de passagem, que essas dimensões éticas, jurídico-morais, nunca nos interessaram. nossas relações com a propriedade privada, em todas as suas formas e cristalizações históricas, sempre foram tranquilas e sem remorsos. 

Artur Gomes

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Que texto incrível!  A resposta às acusações de traição é feita de forma magistral, com ironia e sarcasmo, mostrando que as "metáforas" não têm compromisso com ninguém, apenas com a própria arte.

A declaração de que as "belas letras" começaram com as "letras belas, narcisas" é uma afirmação de autonomia e independência, mostrando que a arte não precisa de justificativas ou explicações.

A referência à "fidelidade a Federika" é uma forma de mostrar que a lealdade é para com a arte e a liberdade de expressão, não para com pessoas ou ideologias. E a afirmação de que as "letras" não são propriedade de ninguém é um manifesto de liberdade criativa. 

O texto também é uma celebração da sensualidade e do erotismo, mostrando que a arte pode ser uma forma de expressão e libertação. E a ironia sobre as "dimensões éticas, jurídico-morais" é uma crítica à hipocrisia e ao moralismo que muitas vezes tentam limitar a arte.

Você acha que essa abordagem de Artur Gomes pode ser um exemplo para os artistas que buscam expressar-se de forma autêntica e sem medo de julgamentos ou críticas?

Irina Fulinaímica

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cidade veracidade

                     campos 190

 

transverso atravesso esta cidade

que me atravessa em seu silêncio

ouço o gemido dos teus ecos

por ruas avenidas e vielas

sinto saudade dos terreiros de jongo

nas favelas e as lavadeiras

das pinturas aquarelas

em teus aceiros fiz meus trilhos

em cada trilha dos meus traços

no encontro ao ururau no cais da lapa

teu por do sol pode ser beijo

                           ou também tapa

 

Artur Gomes

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Artur Gomes - FULINAIMAGENS

https://fulinaimagens.blogspot.com/

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A imagem apresenta o poeta Artur Gomes  com um braço levantado e o texto “Balbúrdia Poética / Por onde andará Artur Gomes?”, sugerindo uma referência ao projeto do poeta “Por Onde Andará Macunaíma”.

O poema que você compartilhou é uma expressão lírica que evoca a cidade, memórias e sentimentos, mencionando elementos como “terreiros de jongo”, “favelas”, “lavadeiras” e “pinturas aquarelas”. Ele reflete uma jornada pessoal e artística dentro da cidade, conectando experiências e emoções.

 Você quer saber mais sobre Artur Gomes ou sobre o significado específico do poema?

Irina Fulinaímica

*

Me fale um pouco mais sobre o poema de Artur Gomes acima.

EuGênio Mallarmè 

*

Entendi que você quer saber sobre o poema e sua relação com Artur Gomes, que aparece na imagem.

Artur Gomes é um poeta brasileiro cuja obra muitas vezes explora temas de identidade, memória e a experiência urbana, como você pode ver no poema: 

_cidade veracidade campos 190 transverso atravesso esta cidade que me atravessa

em seu silêncio ouço o gemido dos teus ecos

por ruas avenidas e vielas sinto saudade dos terreiros de jongo nas favelas

e as lavadeiras das pinturas aquarelas

em teus aceiros fiz meus trilhos

em cada trilha dos meus traços no encontro ao ururau no cais da lapa

teu por do sol pode ser beijo ou também tapa_

O poema usa uma linguagem poética e sensorial para expressar como a cidade influencia o eu do poeta, misturando imagens de lugares e experiências pessoais.

 

Você quer saber mais sobre a obra de Artur Gomes ou sobre o contexto específico desse poema?

Irina Fulinaímica

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Como você analisaria este poema?  

Eugênio Mallarmè

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O poema de Artur Gomes é uma expressão poética que evoca a cidade como um espaço de memória e identidade. Vamos analisar alguns pontos:

 

1. "atravesso esta cidade que me atravessa": Aqui, o poeta sugere uma relação profunda e recíproca com a cidade. Ele não apenas caminha pela cidade, mas a cidade também o influencia e o transforma.

2. "ouço o gemido dos teus ecos": O uso de "gemido" sugere uma dor ou uma saudade, e os "ecos" podem representar as memórias e histórias da cidade que ressoam no poeta.

3. "terreiros de jongo nas favelas": O jongo é uma dança afro-brasileira, e a menção a ele traz uma dimensão cultural e histórica à poesia, conectando a cidade a suas raízes afro-brasileiras.

4. "teu por do sol pode ser beijo ou também tapa": Essa linha sugere ambiguidade e complexidade na relação do poeta com a cidade. O pôr do sol pode ser um momento de beleza ("beijo") ou de violência ("tapa"), refletindo as dualidades da vida urbana.

O poema é uma jornada pessoal e sensorial pela cidade, misturando elementos de memória, cultura e experiência.

Você gostaria de explorar mais algum aspecto desse poema ou quer saber sobre o contexto em que foi escrito?

Irina Fulinaímica

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Da Cacomanga para o mundo passando pela Tapera Ururaí Lagamar Ibitioca pulando feito pipoca para se equilibrar na corda bamba em terreiros nem sempre de samba quando o jongo e capoeira eram defesa na luta com as  palavras nem sempre amenas pacíficas cordiais muitas vezes tão ásperas que o jeito mesmo era o silêncio para não xingar o próprio vento que apertava o calcanhar na vida nem sempre mar de rosas quase sempre espinhos furando a sola dos sapatos

Artur Gomes

A Biografia De Um Poeta Absurdo

leia mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/

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Entendi que você quer saber mais sobre Artur Gomes e seu trabalho, e você compartilhou um texto poético e biográfico sobre ele. 

O texto faz uma jornada geográfica e existencial, mencionando lugares como "Cacomanga", "Tapera Ururaí Lagamar Ibitioca", que parecem ser referências a locais ou experiências que influenciaram a vida e obra de Artur Gomes. A descrição de "pular feito pipoca" e "equilibrar na corda bamba" sugere uma vida de desafios e adaptações, onde o poeta usa palavras como defesa e expressão.

A menção a "jongo e capoeira" reforça a conexão com a cultura afro-brasileira e a resistência, enquanto "as palavras nem sempre amenas pacíficas cordiais" indicam que sua poesia pode ser áspera e reflexiva sobre as dificuldades da vida. 

O texto também menciona um blog (https://fulinaimargem.blogspot.com/)

 onde você pode ler mais sobre a biografia de Artur Gomes, um poeta descrito como "absurdo", sugerindo uma obra que desafia convenções.

Você gostaria de saber mais sobre a obra específica de Artur Gomes, como seus poemas mais famosos, ou sobre o contexto cultural em que ele escreve?

Irina Fulinaímica

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Artur Gomes In Pessoa

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SampleAndo

 

o poema pode ser um beijo em tua boca

carne de maçã em maio

um tiro oculto sob o céu aberto

estrelas de neon em Vênus

refletindo pregos no meu peito em cruz

na paulista consolação na água branca barra funda

metal de prata desta lua que me inunda

num beijo sujo como a estação da luz

nos vídeos.filmes de TV

eu quero um clipe

nos teus seios quentes

uma cilada em tuas coxas japa

como uma flecha em tuas costas índia

ninja, gueixa eu quero a rota teu país ou mapa

teu território devastar inteiro

como uma vela ao mar de fevereiro

molhar teu cio e me esquecer na lapa

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

https://www.instagram.com/p/DP37Gm3jdvH/

meta metáfora no poema meta

 

como alcançá-la plena

no impulso onde universo pulsa

no poema onde estico plumo

onde o nervo da palavra cresce

onde a linha que separa a pele

é o tecido que o teu corpo veste

 

como alcançá-la pluma

nessa teia que aranha tece

entre um beijo outro no mamilo

onde aquilo que a pele em plumo

rompe a linha do sentido e cresce

onde o nervo da palavra sobe

o tecido do teu corpo desce

onde a teia que o alcançar descobre

no sentido que o poema é prece

 

Artur Gomes

poema do livro Juras Secretas

Litteralux – 2018

leia mais no blog

https://braziliricapereira.blogspot.com/

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Que poema incrível!  Acho que a "meta metáfora" aqui é como uma busca por uma linguagem que transcende o próprio poema, uma espécie de fusão entre palavra e corpo, onde o sentido se expande e se rompe. Artur Gomes parece estar explorando a ideia de que o poema é um espaço de encontro, um lugar onde as fronteiras entre o eu e o outro se dissolvem. 

A imagem da "aranha que tece entre um beijo outro" é particularmente interessante, sugere uma teia de desejos e conexões que se entrelaçam. E a ideia de "alcança-la pluma" é como buscar uma leveza, uma delicadeza que é ao mesmo tempo uma forma de profundidade.

O que você acha que é o papel do corpo nesse poema? E como você vê a relação entre a palavra e o sentido aqui?

Irina Fulinaímica

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Eu fico muitas vexes intrigado com a poesia de Artur Gomes, parece que ele e sua poesia estão sempre em movimento, nunca estão no mesmo lugar nem com o mesmo estado de espírito ni momento em que escreve. Fica difícil para gente imagina o que realmente o coloca em "estado de poesia"

EuGênio Mallarmè

*

Eu fico muitas vezes intrigado com a poesia de Artur Gomes, parece que ele e sua poesia estão sempre em movimento, nunca estão no mesmo lugar nem com o mesmo estado de espírito ni momento em que escreve. Fica difícil para gente imagina o que realmente o coloca em "estado de poesia"

EuGênio Mallarmè

*

Acho que é exatamente isso!  A poesia de Artur Gomes parece ter uma energia própria, como se estivesse sempre em ebulição. É como se ele estivesse constantemente se reinventando, explorando novos territórios, tanto físicos quanto emocionais.

Talvez o que o coloque em "estado de poesia" seja justamente essa capacidade de se deixar levar, de se abrir para as experiências e sensações, sem medo de se perder. Ele parece estar sempre à espreita, capturando fragmentos de vida e transformando-os em palavras.

Acho que isso é o que torna sua poesia tão instigante: a sensação de que estamos sendo levados numa jornada sem rumo definido, mas com uma intensidade e uma paixão que nos arrastam.

Você acha que essa é uma característica da poesia contemporânea em geral, ou é algo mais específico de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

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distante teresina 

numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele na poesia experimental Torquato  dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.

 

Artur Gomes

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Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim

                   EuGênio Mallarmè 

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Que poema incrível!  Parece Artur Gomes  está descrevendo um momento de encontro entre poetas e artistas, uma espécie de confluência de ideias e emoções em Teresina, numa tarde de dezembro.

A menção a Clarice Lispector e Torquato Neto é particularmente interessante, sugere uma conexão com a literatura brasileira e a poesia experimental. E a imagem de Jommard Muniz de Brito "tecendo suas palavras nos tecidos sobre a pele" é uma metáfora poderosa para a criação poética.

A referência à morte de Tom Jobim também é significativa, parece que o poema está capturando um momento de reflexão e homenagem à música e à cultura brasileira.

E o trocadilho com "carNAvalha" é genial! Parece que o poema está celebrando a vida e a arte, mesmo em meio à morte e à tristeza.

Você acha que esse poema é uma forma de homenagem a Tom Jobim, ou é mais uma reflexão sobre a própria poesia e a arte?

Irina Fulinaímica


Com certeza sinto/vejo/penso esse poema como uma forma de reflexão sobre a triste notícia e ao mesmo tempo a euforia dos poetas em manifesto: A Mostra Visual De Poesia Brasileira, estava acontecendo em sua 11ª Edição em Teresina, numa parceria com o poeta piauiense Rubervam Du Nascimento, tínhamos acabado de voltar do cemitério onde fomos visitar o túmulo de Torquato Neto, em cia do músico Carlos Careqa, visita sugeria pelo poeta poeta Jota Medeiros. Acredito também que a música “Cajuína”, de Caetano Veloso, “existirmos a que será que se destina”, deve também tê-lo levado a criação desse poema.

 

EuGênio Mallarmè

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Acho que você está mergulhado na história por trás desse poema!  A Mostra Visual de Poesia Brasileira em Teresina, com a presença de poetas como você, Jommard Muniz de Brito e outros, deve ter sido um momento incrível de troca e criação.

A visita ao túmulo de Torquato Neto, com Carlos Careqa e Jota Medeiros, sugere uma conexão forte com a poesia e a música brasileira. E a música "Cajuína" de Caetano Veloso, com sua letra que fala de existir e destino, parece ter influenciado mesmo a criação do poema.

O poema então ganha um contexto ainda mais rico: é uma reflexão sobre a morte de Tom Jobim, mas também uma celebração da poesia, da música e da cultura brasileira. E a menção a "distante Teresina numa tarde de dezembro" cria uma atmosfera meio melancólica, meio eufórica, como se a poesia estivesse capturando um momento de encontro e reflexão.

Você acha que a poesia é uma forma de manter viva a memória de artistas como Tom Jobim e Torquato Neto?

Irina Fulinaímica

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Outro detalhe na poesia de Artur Gomes, que não me foge a observação, é a musicalidade, as sonoridades fonéticas com rimas muitas vezes perturbadoras, devido a sua originalidade, como por exemplo neste poema do livro "Couro Cru & Carne Viva”, de 1987:

EuGênio Mallarmè

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A musicalidade e as sonoridades fonéticas em Artur Gomes são incríveis!  A rima "baiafro" com "com ódio mortal de ianque" é perturbadora mesmo, cria um impacto forte. A maneira como ele brinca com as palavras e os sons é como uma espécie de revolta poética, uma crítica à realidade política e social.

O poema parece estar falando de um "sonho rola no parque" que é manchado por sangue e ódio, e a referência ao "terceiro mundo" e ao "ianque" é uma crítica à opressão e ao imperialismo. A musicalidade do poema ajuda a reforçar essa mensagem, criando um ritmo meio sombrio, meio revoltado.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência política, ou é mais uma expressão de sentimentos e emoções pessoais?

Irina Fulinaímica

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