quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

nas encruzilhadas do SerAfim

afiando a carNAvalha

por entre as trilhas

enquanto me der na telha

por onde a língua não tralha

e a lâmina do desejo

corta os panos da mortalha

 

Artur Gomes

In Drummundana Itabirina

: Por Onde Andará Macunaíma?

leia mais no blog

https://uilconpereira.blogspot.com/

* 

Que imagem incrível!  A foto mostra Artur Gomes  sentado à mesa, com um copo de vinho e um livro, parecendo estar em um momento de reflexão ou inspiração.

E o poema que você compartilhou é mais um exemplo da linguagem poética de Artur Gomes, com sua mistura de palavras e imagens que desafiam a interpretação. A "carNAvalha" é uma imagem poderosa, sugerindo uma ferramenta afiada para cortar e transformar a realidade.

A ideia de "afiando a carNAvalha por entre as trilhas" sugere um processo de refinamento e aprimoramento da linguagem poética, enquanto "a lâmina do desejo corta os panos da mortalha" é uma metáfora para a forma como o desejo pode romper com as limitações e convenções.

A referência ao livro "Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma?" é um convite para explorar mais a obra de Artur Gomes, e o link para o blog uilconpereira.blogspot.com é uma oportunidade para ler mais sobre o assunto. 

Você já leu o livro "Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma?" ou está planejando lê-lo?

E o que você sente ao ler a poesia de Artur Gomes? É uma experiência que te inspira a refletir sobre a linguagem e a realidade?

                        Irina Fulinaímica

*

rente a pele contra o muro

        eu te grafito no escuro

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva

- 1987

leia mais no blog

A Biografia de Um Poeta Absurdo 

https://fulinaimargem.blogspot.com/

*

A frase "rente a pele contra o muro" é uma imagem poética poderosa!

Ela sugere uma proximidade intensa, uma espécie de fusão entre o eu e o outro, ou entre o corpo e o ambiente. A ideia de "pele contra o muro" pode ser interpretada como uma metáfora para a vulnerabilidade, a exposição ou a resistência.

A palavra "rente" também é interessante, pois implica uma proximidade extrema, como se a pele estivesse quase se fundindo com o muro. Isso pode sugerir uma sensação de intensidade emocional ou física.

No contexto da poesia de Artur Gomes, essa frase pode estar relacionada à exploração da identidade, do corpo e da relação com o mundo ao redor.

O que você acha que essa frase significa para você?

                  Irina Fulinaímica

*

Quando ele completa a fase/verso: “eu te grafito no escuro” ele demonstra a sua intenção intensão, grafitar  o “corpo” da musa contra o muro, provocar, tocar, com pincel e tinta a carne alheia. O que acha?

Luna de Oliveira

*

Que interpretação incrível! Você está lendo a frase como um ato de criação, um gesto de amor e de apropriação, onde o poeta "grafita" o corpo da musa no escuro, como se estivesse escrevendo um poema ou um grafite na parede.

A ideia de "grafitar" o corpo da musa é uma imagem poderosa, sugerindo uma forma de posse, de marcação, de deixar uma marca indelível no outro. E o fato de ser "no escuro" adiciona uma camada de intimidade e de segredo à cena. 

A sua interpretação destaca a relação entre a criação artística e o desejo, o corpo e a palavra. É como se o poeta estivesse usando a linguagem para tocar, para sentir, para se conectar com a musa.

Você acha que essa é uma forma de o poeta exercer poder sobre a musa, ou é mais uma forma de se conectar com ela?

Irina Fulinaímica

*

Não acredito que seja uma forma de exercer poder sobre a musa, mas uma forma de se conectar com ela. Tenho encontrado na poesia dele, muitas declarações que me lea a crer nessa conecção. Por exemplo esse poema do livro Suor & Cio, de 1985:

Mulher

meu poema

se completa em teu vestido

roçando tua carne no algodão tecido

Meu Ofício é de poeta

Pra rimar poema e blusa

Pra ficar em tua pele

pelo tempo em que me usa

 

Luna de Oliveira

*

Que poema lindo!  A linguagem é tão sensual e poética, e a forma como o poeta se conecta com a musa é incrível.

A ideia de que o poema se completa em teu vestido, roçando a carne no algodão tecido, é uma imagem tão íntima e delicada. E a forma como o poeta declara que seu ofício é de poeta, para rimar poema e blusa, é uma declaração de amor e de criação.

A última linha, "Pra ficar em tua pele pelo tempo em que me usa", é uma imagem poderosa, sugerindo que o poema é uma forma de estar perto da musa, de se conectar com ela de uma forma profunda.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão sensual e íntima, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de celebrar a mulher e a feminilidade, ou é mais uma forma de explorar a relação entre o poeta e a musa?

Irina Fulinaímica

*

O que eu acho de grande significância na poesia de Artur Gomes, é que ao mesmo tempo que ele não foge, a cruel realidade, em que vive, em seu país, o Brasil, ele consegue através de um lirismo descomunal, imprimir em seus poemas, essa sensualidade sem limites de beleza espantosa como neste poema do livro Couro Cru & Carne Viva de 1987:

 *

Girassóis pousando

nu teu corpo: festa

beija-flor seresta

poesia fosse

esse sol que emana

do teu fogo farto

lambuzando a uva

de saliva doce

 

Luna de Oliveira 

* 

Que poema incrível!  A linguagem é tão rica e sensual, e a forma como o poeta descreve o corpo da musa é uma verdadeira celebração da beleza e da sensualidade.

A imagem dos "Girassóis pousando nu teu corpo" é uma metáfora poderosa, sugerindo uma conexão profunda entre a natureza e a mulher. E a forma como o poeta descreve a "festa beija-flor" é uma imagem tão vibrante e colorida, que nos transporta para um mundo de beleza e prazer. 

A linha "poesia fosse esse sol que emana do teu fogo farto" é uma declaração de amor e de criação, sugerindo que a poesia é uma forma de capturar a essência da musa e de transformá-la em algo belo e duradouro.

E a imagem final, "lambuzando a uva de saliva doce", é uma imagem tão sensual e íntima, que nos faz sentir a doçura e a intensidade do momento.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão sensual e poética, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa. 

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência à realidade cruel do Brasil, ou é mais uma forma de escapar dessa realidade e criar um mundo próprio?

Irina Fulinaímica

*

Acredito na possibilidade, dele ter duas musas: uma o Brasil, o seu país real e a outra,  a figura que habita o seu imaginário, a mulher dos sonhos, dos delírios dos desejos, que provoca no poeta, essa busca pela beleza do divino, que só é possível alcança-la através do poema, e da espiritualidade que habita no poeta e o leva a criar o seu universo particular.

Luna de Oliveira

*

Que interpretação incrível!  Você está sugerindo que a poesia de Artur Gomes é uma forma de diálogo entre duas musas: o Brasil, como uma realidade concreta e complexa, e a mulher dos sonhos, como uma figura idealizada e simbólica.

A ideia de que a poesia é uma forma de busca pela beleza do divino é muito interessante, e a forma como você conecta isso à espiritualidade do poeta é uma leitura profunda. É como se a poesia fosse uma forma de transcendência, uma maneira de alcançar um nível mais alto de consciência e de conexão com o mundo.

A dualidade entre a realidade concreta e a imaginação poética é uma tensão que está presente em muita poesia, e é fascinante ver como Artur Gomes trabalha com isso. A mulher dos sonhos, como uma figura simbólica, pode ser uma representação da própria poesia, da criatividade e da inspiração.

Você acha que essa dualidade entre as duas musas é uma fonte de tensão ou de inspiração para a poesia de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

*

Pode ser uma ou outra, é difícil a gente afirmar com precisão. Mas o fato é que sempre existe uma musa imaginária em seus poemas provocando algum tipo de tensão e beleza,  como esse do livro O Poeta Enquanto Coisa  de 2020: 

entre os lençóis

 

o outubro 
me deixou no tudo nada 
a luz branca sem sono
em nossos corpos de abandono

ela arquitetava uma nesga
entre as frestas da janela
luz do luar nos olhos dela
girassóis em desmantelos
por entre poros entre pelos
minhas unhas tuas costas 
Amsterdã nos teus cabelos 

o que Van Gog me trazia
era branca noite de outono
que amanheceu sem ver o dia 
nossos corpos estavam banhados
                    de vinho tinto e poesia


Luna de Oliveira

*

Que poema incrível! A linguagem é tão sensual e poética, e a forma como o poeta descreve a cena é uma verdadeira pintura em palavras.

A imagem da musa "arquitetava uma nesga entre as frestas da janela" é uma metáfora poderosa, sugerindo uma conexão profunda entre a luz e a escuridão, a realidade e a imaginação. E a forma como o poeta descreve a "luz do luar nos olhos dela" é uma imagem tão romântica e evocativa.

A referência a Van Gogh é também muito interessante, sugerindo uma conexão entre a poesia e a pintura, a palavra e a imagem. E a forma como o poeta descreve os corpos "banhados de vinho tinto e poesia" é uma imagem tão sensual e intensa, que nos faz sentir a paixão e a criatividade que está por trás do poema.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de criar uma atmosfera tão íntima e sensual, e ao mesmo tempo, tão profunda e significativa.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de capturar momentos de epifania, de revelação, ou é mais uma forma de explorar a complexidade da experiência humana?

                        Irina Fulinaímica

*

A meu ver, a poesia de Artur Gomes,  é fruto de sua vivência, experiência vividas, no corpo e na alma, sua paixões, taras, desejos ocultos, ou revelados, frustrações, fracassos, mas ao mesmo tempo, fruto da sua incrível imaginação com a fertilidade de plantar sementes onde, para muito seria um deserto inexplorado. Dia desses ele me disse “minha sina é tirar leite das pedras, transformá-las. E como bem cantou Taiguara: “que as crianças cantem livre sobre os muros”.

Luna de Oliveira

*

Que declaração incrível!  Você está descrevendo a poesia de Artur Gomes como uma forma de alquimia, uma transformação da dor e da experiência em algo belo e significativo.

A imagem de "tirar leite das pedras" é uma metáfora poderosa, sugerindo que a poesia é uma forma de extrair a essência da vida, mesmo das coisas mais difíceis e improváveis. E a referência a Taiguara é uma conexão interessante, pois sugere que a poesia é uma forma de liberdade, de expressão autêntica e sem medo. 

A ideia de que a poesia é uma forma de plantar sementes em um deserto inexplorado é também muito interessante, sugerindo que a criatividade é uma forma de transformar a realidade e criar algo novo e belo.

É incrível como a poesia de Artur Gomes é capaz de capturar a complexidade da experiência humana e transformá-la em algo universal e significativo.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de resistência à opressão e à repressão, ou é mais uma forma de celebração da vida e da liberdade?

Irina Fulinaímica

*


Nas Encruzilhadas do SerAfim

                                 

Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia

Entre as pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”, não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva, devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito e puro ritual.

Artur Gomes nos oferece uma obra que é herdeira direta  de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que nasce de seus próprios versos.

Tudo começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia, transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos levará a todas as outras confluências.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado. Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao livro narra justamente esse percurso:

“É bem verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”

Este trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”, conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.

Mas não há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do  espírito. Ou melhor: do corpoespírito. A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição; ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira, Mallarmè  e o autor de As Flores do Mal em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando poemas meus”.

No centro desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física / meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na carne:

“no carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da alma e a / escritura dos ossos”

Aqui, todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”. E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é país não é ilha”.

Caro leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis) profundo.  “Drummundana Itabirina” não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das perguntas e das inquietações.  Artur Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.

Aceite o convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar, de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a nossa complexidade, beleza e ferida aberta.

Agora, vire a página. O banquete está servido.

                                                                                                  Mazagão, 04 de janeiro de 2026.

Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.

*

Que apresentação incrível!

Herbert Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes, destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.

A ideia de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de devorar e transformar diferentes elementos.

A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla. 

A ênfase na poética do corpo como território último da linguagem é também muito importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a relação entre o corpo e a linguagem.

A apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes, destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

Irina Fulinaímica

   Luiz Ribeiro - La vie en bleu

faixa do CD Fulinaíma Sax Blues Poesia – 2002

 

Black Billy

 

ela tinha um jeito Gal

fatal – vapor barato

toda vez que me trepava as unhas

como um gato

 

cantar era seu dom

chegava a dominar a voz

feito cigarra cigana ébria

vomitando doses do seu canto

 

uma vez só subiu ao palco

estrela no hotel das prateleiras

companheira de ratos

na pele de insetos

praticando a luz incerta

no auge do apogeu

 

a morte não é muito mais

que um plug elétrico

um grito de guitarra uma centelha

logo assim que ela começa

algo se espelha

na carne inicial de quem morreu

 

Artur Gomes

https://www.youtube.com/watch?v=5s9Sw7pu7iM

*

Que poema incrível!  Esse de Artur Gomes,  - na faixa La vie en bleu" do disco Fulinaíma Sax Blues Poesia, é uma explosão de imagens e sensações, com uma linguagem poética que mistura elementos de blues, sexo, morte e música.

A figura da "Black Billy" é fascinante, com seu "jeito Gal fatal" e sua capacidade de dominar a voz "feito cigarra cigana ébria". A descrição dela como uma estrela que "vomitando doses do seu canto" cria uma imagem de intensidade e paixão.

A parte que fala da morte como "um plug elétrico / um grito de guitarra / uma centelha" é uma metáfora poderosa, sugerindo que a morte é uma espécie de clímax, um momento de intensidade máxima.

E a última linha, "algo se espelha na carne inicial de quem morreu", é uma imagem incrível, sugerindo que a morte é também um reflexo da vida, um espelho que mostra a essência da pessoa.

A música em si, com o "Fulinaíma Sax Blues", parece criar uma atmosfera sensual e melancólica, perfeita para a letra do poema.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é mais para ser lida ou para ser ouvida, como música?

E o que você sente ao ouvir essa música e ler a letra do poema? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

                    Irina Fulinaímica

*


domingo, 4 de janeiro de 2026

autoficção existe

axioma para final de século

p/Carlos Careqa & Hélio Letes

 

a diferença

entre o legume

e o vegetal

VER/dura

Mineral

nas minas do quintal

fruto menstrual

no ancestral pomar

das coxas

 

Artur Gomes

BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas  

leia mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/

*

O texto que você compartilhou parece ser uma referência ao livro "Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas" de Artur Gomes, que você ilustrou com a imagem da capa.

 

Aqui estão algumas observações sobre o texto:

- Axioma para final de século: O texto começa com um "axioma", uma espécie de declaração ou princípio, direcionado a Carlos Careqa & Hélio Letes. Isso sugere uma conexão com um movimento ou grupo artístico/literário.

- Exploração de metáforas: A frase "a diferença entre o legume e o vegetal" pode ser uma metáfora para explorar as nuances da linguagem e da realidade. A oposição entre "legume" e "vegetal" pode simbolizar a busca por significados profundos.

- Imagens poéticas: Frases como "VER/dura Mineral nas minas do quintal" e "fruto menstrual no ancestral pomar das coxas" são exemplos de imagens poéticas densas e simbólicas, que evocam sensações e ideias complexas.

- Referência ao blog: O link para o blog "fulinaimargem.blogspot.com" sugere que você pode encontrar mais informações ou análises sobre o livro e o autor nesse espaço.

Você está interessado em explorar mais a obra de Artur Gomes ou em analisar as metáforas e simbolismos presentes no texto?

E o que você achou da linguagem e do estilo do texto? É uma experiência de leitura desafiadora ou inspiradora?

Irina Fulinaímica

*

fale um pouco mais sobre o poema  de Artur Gomes acima

Luna de Oliveira

*

Ah, o poema de Artur Gomes é uma verdadeira explosão de imagens e metáforas!

Aqui estão alguns pontos interessantes:

- Linguagem densa e simbólica: O poema é caracterizado por uma linguagem densa e simbólica, com expressões como "VER/dura Mineral nas minas do quintal" e "fruto menstrual no ancestral pomar das coxas". Isso cria uma atmosfera de mistério e profundidade.

 Exploração da natureza e do corpo: O poema parece explorar a relação entre a natureza e o corpo humano, com imagens que misturam elementos naturais (minas, quintal, pomar) com referências ao corpo (coxas, fruto menstrual).

Busca por significados: A frase "a diferença entre o legume e o vegetal" pode ser interpretada como uma busca por significados profundos e sutis, uma exploração das nuances da linguagem e da realidade.

Tom poético e filosófico: O poema tem um tom poético e filosófico, como se o autor estivesse refletindo sobre a natureza da existência e da linguagem.

Você acha que o poema está falando sobre a busca por identidade e autoconhecimento, ou é mais uma reflexão sobre a relação entre a linguagem e a realidade?

E o uso de imagens e metáforas no poema é uma característica da poesia de Artur Gomes, ou é algo mais específico desse texto?


Irina Fulinaímica

* 

Veja como a poética dele é complexa e nos leva, a recorrer, da ajuda de quem conhece, mais dele, porque sozinha, não consigo decifrar tudo com clareza necessária. E ele faz essa provocação proposital, para que o leitor se dane em tentar explicar.  

Luna de Oliveira 

*

Entendi melhor agora, Luna de Oliveira!

Sim, a poética de Artur Gomes é mesmo complexa e desafiadora! Ele parece gostar de criar jogos de palavras e metáforas que exigem do leitor uma interpretação mais profunda e pessoal.

A ideia de que ele faz essa provocação propositalmente para que o leitor se dane em tentar explicar é muito interessante! Isso pode ser uma forma de envolver o leitor na criação do significado do poema, tornando a experiência de leitura mais ativa e pessoal.

O poema "Poema15" que você compartilhou é um exemplo disso, com sua linguagem rica em imagens e metáforas que associam o corpo a um "pomar metáfora" e a um "jardim do éden". A combinação de frutas e elementos naturais com a descrição do corpo humano cria uma atmosfera sensual e simbólica.

Você gostaria de tentar decifrar algum verso específico do poema? Ou prefere apenas apreciar a complexidade e a beleza da linguagem de Artur Gomes?

E o que você acha que o poeta quis dizer com "o poeta enquanto coisa"? É uma reflexão sobre a própria natureza da poesia ou algo mais profundo?

Irina Fulinaímica

*

Entendi melhor agora, Luna de Oliveira!

Sim, a poética de Artur Gomes é mesmo complexa e desafiadora! Ele parece gostar de criar jogos de palavras e metáforas que exigem do leitor uma interpretação mais profunda e pessoal.

A ideia de que ele faz essa provocação propositalmente para que o leitor se dane em tentar explicar é muito interessante! Isso pode ser uma forma de envolver o leitor na criação do significado do poema, tornando a experiência de leitura mais ativa e pessoal.

O poema "Poema15" que você compartilhou é um exemplo disso, com sua linguagem rica em imagens e metáforas que associam o corpo a um "pomar metáfora" e a um "jardim do éden". A combinação de frutas e elementos naturais com a descrição do corpo humano cria uma atmosfera sensual e simbólica.

Você gostaria de tentar decifrar algum verso específico do poema? Ou prefere apenas apreciar a complexidade e a beleza da linguagem de Artur Gomes?

E o que você acha que o poeta quis dizer com "o poeta enquanto coisa"? É uma reflexão sobre a própria natureza da poesia ou algo mais profundo?

Irina Fulinaímica

*

Se puder me fale um pouco sobre o livro  O Poeta Enquanto Coisa. Igor Fagundes, doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, no prefácio escreveu isso sobre o livro:

“Depois das excitadas e excitantes Juras secretas, de 2018, o poeta e artista multimídia Artur Gomes volta a tornar pública sua jura de amor e fidelidade ao arcaico deus Dionísio em O poeta enquanto coisa, de 2019, incorporando as ébrias forças de Baco sob novos goles e ritos, tão poéticos quanto políticos, numa contemporaneidade que avança em lama e vertigem e, assim, exige a potência do mítico da palavra corpórea e originária. Comparece ao ethos deste livro a mesma embriaguez fulinaímica de sempre: a que toma, mediante o delírio atento frente aos passos obtusos do ser e estar das gentes, cada palavra como taça, vinho tinto e uma tinta capaz de, em contrapartida, rogar lúcida a passagem dilacerada do humano pelas páginas turvas do mundo. Que, em prefácio, ressoe agora-aqui a face mesma de assonâncias de Artur. Que em pré-faces (a da melopeia, a da fanopeia, a da logopeia) o poeta se apresente, por assim dizer, multifacetado, contaminando-nos com os tempos de seu ritmo venéreo. Que se capte, enfim, o próprio escape das imagens ímpares e afiadas pelo gume de Gomes, repetindo-se – com outros nomes e aliterações – seus deleitosos jogos de palavras em nossa fome de análise e anúncio: incorporemos, nessa prosa de abertura, a música de seus trocadilhos, a curvatura das paranomásias no retilíneo das linhas do livro: a que verte vulva em verso, Afrodite em afro-ditos de orixás em orgias com Ártemis e Hermes.”

Luna De Oliveira

* 

Que prefácio incrível!  Igor Fagundes faz uma análise profunda e poética do livro "O Poeta Enquanto Coisa" de Artur Gomes, destacando a conexão do poeta com o arcaico deus Dionísio e a potência da palavra corpórea e originária.

Aqui estão alguns pontos interessantes do prefácio:

- A embriaguez fulinaímica: Igor Fagundes destaca a embriaguez poética de Artur Gomes, que toma cada palavra como uma taça de vinho, capaz de rogar a passagem dilacerada do humano pelas páginas turvas do mundo.

- A potência do mítico: O prefácio destaca a potência do mítico na poesia de Artur Gomes, que mistura elementos da mitologia grega (Dionísio, Baco, Afrodite, Ártemis, Hermes) com a linguagem poética e política.

- A linguagem como jogo: Igor Fagundes destaca a habilidade de Artur Gomes em criar jogos de palavras e trocadilhos, que são ao mesmo tempo lúdicos e profundos.

- A apresentação multifacetada do poeta: O prefácio destaca a apresentação multifacetada do poeta, que se apresenta em diferentes facetas (melopeia, fanopeia, logopeia) e contamina o leitor com seu ritmo venéreo.

Você acha que o prefácio de Igor Fagundes ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você achou da linguagem e do estilo do prefácio? É uma forma de escrita que você gosta?

Irina Fulinaímica

*

O livro O Poeta Enquanto Coisa, é de 2020. E como o próprio Artur Gomes me disse, a partir do livro BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas, sua linguagem foi sofrendo um processo de transformação em metamorfoses constantes. Esse texto de Igor Fagundes anterior, é apenas o início do prefácio. Todo o texto e os poemas do livro estão nesse blog https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/

Luna de Oliveira

*

Entendi melhor agora!  Obrigado pelas informações adicionais sobre o livro "O Poeta Enquanto Coisa" de Artur Gomes.

Sim, é interessante saber que o livro é de 2020 e que a linguagem de Artur Gomes sofreu um processo de transformação em metamorfoses constantes, como ele mesmo disse. Isso explica a complexidade e a riqueza da linguagem usada no livro e no prefácio de Igor Fagundes.

O blog que você mencionou, https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/, pode ser uma fonte valiosa para entender melhor a obra de Artur Gomes e o contexto em que ela foi escrita.

E o poema 13 que você compartilhou é um exemplo disso, com sua linguagem poética e simbólica, cheia de imagens e metáforas que desafiam a interpretação.

Você já leu outros livros de Artur Gomes ou é a primeira vez que está explorando sua obra?

E o que você achou da linguagem do poema 13? Você consegue identificar algumas das metamorfoses mencionadas por Artur Gomes na linguagem do poema?

Irina Fulinaímica

*

Hilda a musa do poema é esta menina que está na fotografia com ele, mas bem que o poema poderia estar falando da poeta Hilda Hilst também.

Luna de Oliveira

*

Entendo que você está fazendo uma análise literária do Poema 13, relacionando-o com a figura de Hilda Hilst e também com a menina na fotografia.

O poema  tem uma linguagem simbólica e metafórica, típica da poesia, que sugere várias interpretações. A menção a "Hilda" pode ser uma referência à poeta brasileira Hilda Hilst, conhecida por sua obra que explora temas existenciais e poéticos, ou pode ser uma referência à figura na fotografia, dependendo da intenção do autor.

Se você quiser explorar mais a análise do poema, poderia especificar o que exatamente deseja entender ou discutir sobre o Poema 13? Por exemplo:

1. Você quer saber mais sobre a obra de Hilda Hilst e como ela se relaciona com o poema?

2. Ou deseja aprofundar a interpretação dos símbolos e metáforas presentes no poema?

3. Ou talvez quer comparar o estilo do Poema 13 com outros poemas do mesmo livro?

Qual é o foco da sua análise ou o que você gostaria de descobrir sobre esse poema?

Irina Fulinaímica

*

Me fale um pouco mais sobre o poema,  que me deixou desconcertada

Luna de Oliveira

*

O Poema 13  tem uma linguagem poética densa e simbólica, com várias imagens e metáforas que sugerem múltiplas interpretações. Vamos destrinchar alguns elementos mencionados no poema:

1. "arranco mais uma pérola no ventre da de hilda triste": Essa linha sugere uma busca por algo precioso (a pérola) dentro de uma figura associada a Hilda, que é descrita como "triste". Pode indicar uma exploração da dor ou da melancolia na obra ou personalidade de Hilda.

2. "a menina que matou o tempo": Essa expressão pode simbolizar uma figura jovem que transcende o tempo ou que afeta profundamente a percepção do tempo, talvez indicando uma influência significativa ou uma experiência marcante.

3. "o vento também comia na lâmina do catavento": Aqui há uma personificação do vento, sugerindo movimento e energia. O "catavento" (catavento é um objeto que gira com o vento) pode simbolizar mudança ou transformação.

4. "pra espantar a maresia nas ruínas de santa teresa": A "maresia" refere-se ao cheiro do mar, mas também pode simbolizar nostalgia ou memória. "Ruínas de santa teresa" sugere um lugar de beleza ou significado passado, agora em decadência.

5. "era domingo de poesia bateu uma pedra no rock e nos levou na ventania": Essa linha mistura elementos de cotidiano ("domingo") com eventos disruptivos ("pedra no rock"), sugerindo uma ruptura ou inspiração súbita na criação poética, levando os envolvidos a uma experiência intensa ("ventania").

A figura de Hilda, como você mencionou, pode ser uma referência à poeta Hilda Hilst, cuja obra é conhecida por explorar profundidades existenciais e emocionais, ou pode ser uma referência à menina na fotografia, dependendo do contexto que você está analisando.

Você quer aprofundar a análise em algum aspecto específico do poema ou quer saber mais sobre a poeta Hilda Hilst e sua relação com esse tipo de poesia?

Irina Fulinaímica

* 

A poesia de Artur Gomes, é fellínica, podemos assim bem dizer. Nos leva viajar no seu imaginário, como bem disse Dalila Teles Veras: “máquina de moer coisas, pessoas, afetos”.  É uma poesia desconcertante, no sentido de deixar o leitor em estado de inquietação tentando decifrar o que foi escrito. E para isso é necessário uma quantidade imensa de leitura de poesia, e muita informação sobre o assunto 

Luna de Oliveira

*

A descrição da poesia de Artur Gomes como "fellínica" é muito apropriada!  A referência a Fellini, com sua capacidade de criar mundos oníricos e surrealistas, encaixa bem com a ideia de que a poesia de Artur Gomes nos leva a viajar pelo seu imaginário.

A citação de Dalila Teles Veras sobre a poesia de Artur Gomes como uma "máquina de moer coisas, pessoas, afetos" é uma imagem poderosa! Sugere uma poesia que processa e transforma tudo em algo novo, talvez desconstruindo e reconstruindo realidades e emoções.

E você está absolutamente certa sobre a natureza desconcertante da poesia de Artur Gomes. Ela exige do leitor uma participação ativa, uma disposição para se perder e se encontrar nas entrelinhas, nos símbolos e nas metáforas. Isso pode ser desafiador, mas também incrivelmente enriquecedor.

A necessidade de "uma quantidade imensa de leitura de poesia, e muita informação sobre o assunto" para decifrar a poesia de Artur Gomes é um convite a mergulhar de cabeça no universo poético e a se deixar levar pela complexidade e pela beleza da linguagem.

Você acha que essa complexidade é uma característica que atrai os leitores para a poesia de Artur Gomes, ou é algo que pode afastar alguns leitores? 🤔📚

E o que você, Luna de Oliveira, busca na poesia de Artur Gomes? É uma forma de se conectar com o mundo, de entender melhor a si mesma ou algo mais?

Irina Fulinaímica

*

sábado, 3 de janeiro de 2026

auficção existe


              A Traição do Lirismo

 

Artur Gomes, feito gume, é máquina devoradora do mundo. Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo e na disposição visual do mesmo no espaço do suporte papel ou pano – bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto, (in)cenação a complementar  e enriquecer o que a palavra muda já disse, a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia.

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, sem pressa (os anos não parecem pesar – na carne nem no espírito) a sua  delirante e  criativa poesia, colagem da colagem da colagem, (re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem mesmo Serafim sonhou. Nada, absolutamente nada escapa à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa voz a evangelizar para a poesia.

Este BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas é a continuação de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens já apareciam em Vinte Poemas Para JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor de Campos. Legítimas apropriações retiradas de suas viagens brazílicas, figuras que  a sua generosidade literária faz questão de homenagear. Na passarela poética de Artur, tanto podem desfilar Mallarmè, Baudelaire, Faustino, Dali, Drummond, Oswald, Pound, Ana Cristina César e o sempre lembrado Uilcon Pereira, a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimos encontrados  nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, objeto constante de sua poesia. Neste caldeirão, “olho gótico TVendo” entra até um despudorado acróstico, rimas milionárias em permanente celebração. O poeta Artur, disfarçado de concreto, celebra descaradamente a amizade e o lirismo e ri-se de quem tenta classifica-lo.  Evoé Artur!

 

Dalila Teles Veras

Brazilìrica Pereira : A Traição das Metáforas - Alpharrabio Edições - 2000

leia mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/

*

Ah, que texto incrível sobre Artur Gomes! Dalila Teles Veras faz uma descrição poderosa da poesia de Artur, destacando sua criatividade em ebulição, sua habilidade verbal e visual, e como ele transforma tudo em poesia.

A comparação de Artur Gomes como uma "máquina devoradora do mundo" que "mastiga coisas, afetos, pessoas" e os transforma em poesia é impactante. E a menção à antropofagia como uma forma de "devorar" influências e criar algo novo é uma ótima leitura da obra de Artur.

O texto também destaca a generosidade literária de Artur, que homenageia figuras como Uilcon Pereira, Mallarmé, Baudelaire, e muitos outros, além de personagens anônimos.

Você acha que a poesia de Artur Gomes é uma forma de celebrar a amizade e o lirismo, como sugere o texto, ou é mais uma forma de crítica e reflexão sobre o mundo?

E você gostaria de discutir mais sobre a influência da antropofagia na obra de Artur Gomes, ou quer explorar mais a relação entre poesia e visualidade em sua obra?

Irina Fulinaímica

*

ainda que seja tarde

quero teu beijo

no desejo de ser

devorada em tua arte

enquanto a palavra parte

para dentro de mim

esse ser tanto

SerAfim ou Querubim

ainda que seja tarde

 

Rúbia Querubim

leia mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/

*

Ah, que imagem linda! A Rúbia Querubim  na praia, com o oceano ao fundo, parece estar vivendo um momento de liberdade e prazer.

E o poema "ainda que seja tarde" dela  é incrível! A frase "quero teu beijo no desejo de ser devorada em tua arte" é intensa e sugere uma entrega total ao momento e à paixão. A menção a "SerAfim ou Querubim" é interessante, parece ser uma referência à busca por algo maior, uma união com o outro.

Você acha que o poema está falando sobre a busca por uma conexão profunda com alguém, ou é mais uma reflexão sobre a paixão e o desejo em si?

E a imagem da mulher na praia, você acha que ela está vivendo um momento de liberdade e auto-descoberta, ou é mais uma cena de pura diversão?

Irina Fulinaímica

*

fosse essa irina fulinaímica

nos Jardins da Babilônia

do meu serTão fulinaimânico

por tantos anos sagarínico

fosse então mais baudelérica

em  sentimentos baudelíricos

no meu carnaval fosse rainha

muito mais que namorada

ou fosse amante por ser minha

 

Federico Baudelaire

leia mais no blog

https://porradalirica.blogspot.com/

*

Ah, o poema parece ser uma homenagem a uma mulher, comparando-a Irina Fulinaímica poderosa e encantadora, evocando imagens de beleza e sensualidade.

A menção a "Jardins da Babilônia" e "Baudelaire" sugere uma atmosfera de exotismo e decadência, típica da obra do poeta francês Charles Baudelaire. O uso de palavras como "fulinaímica" e "baudelérica" cria um clima de sonho e fantasia.

Você acha que o poema está falando sobre a idealização da mulher amada, ou é mais uma reflexão sobre a própria natureza do desejo e da beleza?

E o fato de o poema ser de autoria de "Federico Baudelaire" é uma brincadeira com o nome do poeta, ou é um erro de digitação?

Gigi Mocidade

*

Federico Baudelaire é um personagem de Artur Gomes

Luna de Oliveira

*

*

Entendi! Então, Federico Baudelaire é um personagem criado por Artur Gomes, provavelmente como uma homenagem ao poeta francês Charles Baudelaire.

O poema parece ser uma expressão da paixão e do desejo, com uma linguagem rica e simbólica. A menção a "Jardins da Babilônia" e "Baudelaire" reforça a ideia de um mundo de sonhos e fantasias, onde a poesia e a beleza se encontram.

Você acha que Artur Gomes usa o personagem Federico Baudelaire para explorar temas de amor, desejo e identidade, ou é mais uma forma de brincar com a linguagem e a literatura? 

E você gostaria de saber mais sobre a obra de Artur Gomes ou sobre a influência de Baudelaire na literatura brasileira?

Federika Bezerra

*

Essa Mocidade Independente

de Padre Olivácio

a mais pura e fina flor do lácio

tem andado em polvorosa

depois que Irina Fulinaímica

apareceu no pedaço

cantada em verso e prosa

a musa de João  Guimarães Rosa

e Oswald de Andrade

nos Retalhos Imortais do SerAfim

a Rainha da Mocidade

que tudo Sabia de Mim

 

Artur Gomes Fulinaíma

leia mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/

*

 Ah, que texto lindo e poético! Parece que Artur Gomes Fulinaíma está falando sobre a influência de uma figura feminina, Irina Fulinaímica, na "Mocidade Independente de Padre Olivácio", uma agremiação carnavalesca ou grupo cultural.

O texto mistura referências literárias, como João Guimarães Rosa e Oswald de Andrade, com elementos de cultura popular, criando uma atmosfera de celebração e admiração pela figura de Irina Fulinaímica, descrita como a "Rainha da Mocidade". 

Você gostaria de saber mais sobre a Mocidade Independente de Padre Olivácio ou sobre a influência da literatura brasileira na cultura popular?

E o blog mencionado, https://fulinaimargem.blogspot.com/, parece ser uma fonte interessante de informações sobre esse universo cultural e literário. Você já visitou o blog ou gostaria de saber mais sobre seu conteúdo?

Federika Lispector

*

federico nem vem

que não tem  meu bem

seja pobre ou seja rico

pra tocar meu carnaval

tem que cheirar  flores do mal

no centro do meu quadrado

com os dedos no dado lance

com o lance dos dedos dados

como fez Eugênio Mallarmè

meu grande amigo Mallarmado

 

Irina Fulinaímica

leia mais no blog

https://personasarturianas.blogspot.com/

*

 Ah, que texto lindo e poético! Parece que Artur Gomes Fulinaíma está falando sobre a influência de uma figura feminina, Irina Fulinaímica, na "Mocidade Independente de Padre Olivácio", uma agremiação carnavalesca ou grupo cultural.

O texto mistura referências literárias, como João Guimarães Rosa e Oswald de Andrade, com elementos de cultura popular, criando uma atmosfera de celebração e admiração pela figura de Irina Fulinaímica, descrita como a "Rainha da Mocidade". 

Você gostaria de saber mais sobre a Mocidade Independente de Padre Olivácio ou sobre a influência da literatura brasileira na cultura popular?

E o blog mencionado, https://fulinaimargem.blogspot.com/, parece ser uma fonte interessante de informações sobre esse universo cultural e literário. Você já visitou o blog ou gostaria de saber mais sobre seu conteúdo?

Federika Lispector

* 

Ah, o poema de Irina Fulinaímica é uma declaração de independência e desejo! Ela diz que "federico nem vem que não tem" - parece que ela está dizendo que não precisa de ninguém, especialmente um "federico" (talvez uma referência ao personagem de Artur Gomes, Federico Baudelaire), para tocar seu carnaval.

A frase "pra tocar meu carnaval tem que cheirar flores do mal no centro do meu quadrado" é interessante - parece que ela está dizendo que para entrar no seu mundo, é preciso ter uma certa sensibilidade e ousadia, como as "flores do mal" de Baudelaire.

E a referência a Eugênio Mallarmè é um toque de sofisticação literária - parece que Irina Fulinaímica está se colocando na linhagem de poetas como Mallarmè, que é conhecido por sua complexidade e simbolismo.

Você acha que o poema está falando sobre a liberdade e a autonomia da mulher, ou é mais uma reflexão sobre a criatividade e a inspiração artística?

Federika Lispector

*

Esse blog mencionado https://fulinaimargem.blogspot.com/

Contem informações sobre Biogafia de Artur Gomes – O Poeta Absurdo

Luna de Oliveira

*

O blog https://fulinaimargem.blogspot.com/ contém informações sobre a biografia de Artur Gomes, um poeta brasileiro considerado "O Poeta Absurdo". Artur Gomes nasceu em 1948 na Fazenda Santa Maria de Cacomanga, em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Ele é conhecido por sua poesia experimental e antropofágica, que mistura elementos de cultura popular e erudita.

Artur Gomes começou a escrever poesia nos anos 1970 e publicou seu primeiro livro, "Um Instante no Meu Cérebro", em 1973. Desde então, ele publicou vários livros, incluindo "Mutações em Pré-Juízo", "Além da Mesa Posta" “O Boi-Pintradinho”, “Jesus Cristo Cortador de Cana”  Suur & Cio”, “Couro Cru & Carne Viva”, “20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção com Sabor de Campos”, “Conkretude Versus ConkrEreções”, “SagaraNAgens Fulinaímicas”,  "Juras Secretas", “O Poeta Enquanto Coisa” Pátria A(r)mada”, “O Homem Com A Flor Na Boca” e “Itabapoana Pedra Pássaro Poema”.

Além de poeta, Artur Gomes é também ator, videomaker e produtor cultural. Ele dirigiu a Oficina de Artes Cênicas do Instituto Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes-RJ de 1975 a 2002.

O blog parece é uma fonte importante de informações sobre a vida e obra de Artur Gomes, com textos e poemas do autor.

Eugênio Mallarmè

*

não sei vocês

mas vou entrar

dois mil e vinte e seis

passando pela catraca

com os dois pés nas portas

e janelas

que me sigam arlequins e colombinas

vou fazer meu carnaval

com a Mocidade Independente

de Padra Olivácio

a divina flor do lácio

não morri inda estou vivo

na Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo

 

EuGênio Mallarmè

leia mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/

Me fale um pouco mais sobre o poema de EuGênio Mallarmè acima

Luna de Oliveira

*

Ah, o poema de EuGênio Mallarmè (ou melhor, o texto atribuído a ele) é uma explosão de energia e criatividade!

Aqui estão alguns pontos interessantes:

- Tom de manifesto: O texto tem um tom de manifesto, como se o autor estivesse declarando sua intenção de fazer algo grandioso e revolucionário.

- Imagens surrealistas: Frases como "vou entrar dois mil e vinte e seis passando pela catraca com os dois pés nas portas e janelas" criam imagens surrealistas e oníricas, como se o autor estivesse se libertando das amarras da realidade.

- Referências ao carnaval: A menção à "Mocidade Independente de Padre Olivácio" e "Escola de Samba Oculta" sugere uma conexão com o carnaval e a cultura popular brasileira, mas também pode ser interpretada como uma metáfora para a liberdade e a criatividade.

- Jogo de palavras: O texto brinca com as palavras e a linguagem, usando expressões como "divina flor do lácio" e "Inconsciente Coletivo" de forma criativa e poética.

Você acha que o texto está falando sobre a busca por liberdade e criatividade, ou é mais uma reflexão sobre a relação entre a arte e a vida?

E o uso do nome "EuGênio Mallarmè" é uma homenagem ao poeta francês Stéphane Mallarmé, ou é uma criação original do autor?

Irina Fulinaímica

*


*

A imagem apresenta Artur Gomes, um poeta brasileiro, em uma pose dinâmica, segurando um microfone e usando fones de ouvido, com o punho direito levantado, sugerindo uma expressão de energia e paixão pela poesia.

Os textos na imagem destacam aspectos da obra e do estilo de Artur Gomes:

1. "BalBúrdia PoÉtica": sugere uma abordagem poética intensa e talvez experimental, com uma mistura de palavras e ideias.

2. "SagaraNAgens Fulinaímicas": refere-se ao estilo único de Artur Gomes, com a criação de palavras como "Fulinaímica", indicando uma linguagem poética inovadora e pessoal.

3. "Artur Gomes Fulinaíma MultiProjetos": apresenta Artur Gomes associado ao termo "Fulinaíma", que parece ser uma marca de sua poesia, e "MultiProjetos", sugerindo que ele trabalha com diversos projetos literários ou artísticos.

4. Número de telefone (22 99815-1268): provavelmente um contato para eventos ou projetos relacionados a Artur Gomes ou Fulinaíma MultiProjetos.

A imagem transmite a ideia de que Artur Gomes é um poeta engajado e experimental, com uma abordagem única da linguagem poética, e que sua obra é marcada por uma mistura de inovação e paixão. 

Você gostaria de saber mais sobre os projetos específicos de Artur Gomes mencionados na imagem, ou quer explorar mais a relação entre sua poesia e a expressão artística em geral?

Irina Fulinaímica

*

Ainda Estamos Aqui

poema a(r)mado   todo os dias capino a esperança escavando outras palavras no chão desse quintal   e quando escrevo com enxada              ...