TEATRO
- Gêneros
Tragédia
Peça dramática de enredo sério que promove uma
catarse, ou purgação no espectador ao assistir a luta dos personagens contra
poderes muito mais altos e mais fortes, que em geral os levam à capitulação e à
morte. A derrota das aspirações do herói trágico, muitas vezes, é atribuída à
intervenção do destino ou aos seus defeitos morais e vícios que concorrem para
o seu fim adverso. Atualmente não se encontram mais tragédias, no sentido
antigo, e sim dramas com final infeliz.
Na clássica tragédia grega, os personagens lutam
contra o Destino, uma força que domina igualmente as ações dos homens e dos
deuses.
No início, as tragédias faziam parte das festas em
homenagem ao deus Dionísio (ou Baco), nas quais era comemorando o retorno da
primavera e a fertilidade dos campos. A própria palavra tragédia mostra essa
ligação entre o teatro e os ritos populares religiosos: Tragédia deriva de
tragós, que em grego significa bode, animal muito usado nos sacrifícios dos
festivais dionisíacos.
No século VII a.C., a tragédia foi sendo
sofisticada e aprimorada até tornar-se um gênero autônomo distante de sua
origem nas festividades religiosas.
A tragédia pode ser considerada também a
representação da fragilidade do homem perante os deuses.
Segundo a poética realizada por Aristóteles, as
tragédias se dividem em 3 partes:
- Unidade de tempo;
- Unidade de espaço;
- Unidade de ação.
E ainda possuem as seguintes características:
* exposição: apresentação dos personagens e da
estória.
* conflito: oposição e/ou luta entre diferentes
forças.
* peripécia: reviravolta.
* revelação.
* catástrofe: conclusão, acontecimento principal
decisivo e culminante.
* catarse: purgação, purificação, que acontece
geralmente no final. (MAIS!)
Comédia(s)
A comédia é o uso de humor nas artes cênicas. Uma
comédia é uma peça humorística na qual os atores dominam a ação. A comédia pura
é o mais raro de todos os tipos de drama. Na comédia a ação precisa não somente
ser possível e plausível, mas precisa ser um resultado necessário da natureza
do personagem. De forma geral, "comédia" é o que é engraçado, o que
faz rir. (MAIS!)
Comédia Atelana: No antigo teatro romano, peça no
gênero da farsa, curta, caracterizada pelas sátiras político-sociais da antiga
cidade de Atela, e na qual os atores eram mascarados e personificavam tipos
fixos.
Comédia De Caráter: Aquela que a ação se define
pelas atitudes peculiares as diferentes personagens.
Comédia De Costumes: Reflete os usos e costumes,
idéias e sentimentos de determinada sociedade, classe ou profissão. Martins
Pena foi o grande percussor da comédia de costumes.
Comédia Dell’Arte: Floresceu na Europa durante o
século XVII e sua ação de gestos estereotipados é sempre improvisada, embora os
enredos e os personagens sejam fixos; alguns deles usavam máscaras, e
permanecem até hoje como tipos característicos de carnaval.
A Commedia Dell’Arte tornou regra no elenco a
presença da atriz, afastada em muitas épocas do palco, por ancestral
preconceito.
Os atores usavam máscaras devolvendo essa comédia
aos rituais religiosos, com a despersonalização do indivíduo, para que ele
participe dos mistérios sagrados e se preocupavam com a preparação corporal
acrobática/coreográfica, vocal e mímica. Os roteiros eram muito ricos, apresentavam
sempre um grande número de personagens, mas os tipos eram fixos e representados
pelos mesmos atores.
Havia o célebre personagem Arlechino e também
Colombina, Pantaleone, Brighela, Dottore, Capitano, etc... (MAIS!)
Comédia Moral: Comédia de costumes que encerra
princípios éticos.
Tragicomédia
Definimos o que é comédia com suas diferentes
"classificações" e o que é tragédia. Mas é possível um casamento
perfeito entre dois gêneros tão distintos?
Basicamente, a Tragicomédia é um drama onde se
associam elementos trágicos e cômicos. Como era de se imaginar, é a mistura do
trágico com o cômico.
Segundo o dicionário Aurélio, trata-se de uma peça
teatral que participa da tragédia pelo assunto e personagens, e da comédia
pelos incidentes e desenlace.
Originalmente, significava a mistura do real com o
imaginário. A tomada da vida cotidiana e absurda com um toque especial de
comédia, de forma a descontrair; deixando-a verdadeira e engraçada. Usam-se
temas como violência, morte, roubos, dentre outros e a estes é dado o humor.
Hoje em dia, é utilizado com frequência em peças
teatrais e filmes.
Respondendo assim a pergunta feita no início: Sim,
é possível e perfeitamente! A tragicomédia é um ponto forte no qual o teatro
conquista grande sucesso e expansão.
Farsa ou Farsesco
O Farsesco ou Farsa é um gênero dramático
predominantemente baixo cômico, de ação trivial, com tendência para o burlesco
(cômico; ridículo). Inspira-se no cotidiano e no cenário familiar e é o mais
irresponsável de todos os tipos de drama.
Caracteriza-se por seus personagens e situações
caricatas. Se distingue da comédia e da sátira por não preocupar-se com a
verossimilhança nem pretender o questionamento de valores. Busca apenas o humor
e, para isso, vale-se de todos os recursos; assuntos introduzidos rapidamente,
evitando-se qualquer interrupção no fio da ação ou análises psicológicas mais
profundas; ações exageradas e situações inverossímeis.
Sua estrutura e trama são baseadas em situações em
que as personagens se comportam de maneira extravagante, ainda que pelo geral
mantêm uma quota de credibilidade. Seus temas e personagens podem ser
fantásticos, mas podem ser críveis e verossímios.
Embora existam elementos farsescos nas comédias de
Aristófanes e Plauto, a farsa originou-se nos mimos medievais. Recorre a
estereótipos (a alcoviteira, o amante, o pai feroz, a donzela ingênua) ou
situações conhecidas (o amante no armário, gêmeos trocados, reconhecimentos
inesperados).
Surgiu em meados do Século XII com o Teatro
Medieval e suas divisões: o Teatro Sacro (tratava de milagres, autos,
moralidades e mistérios) e o Teatro Profano (Farsas). Nas representações
profanas usavam-se as "farsas", os "arremedos burlescos",
que tinham o objetivo de arrancar gargalhadas do público.
No Renascimento, autores dedicaram-se ao gênero,
entre eles Gil Vicente com a trilogia satírica das Barcas - o "Auto da
Barca do Inferno" (1516), "Auto da Barca do Purgatório" (1518) e
"Auto da Barca da Glória" (1519) - misturando elementos alegóricos
religiosos e místicos.
Drama
É representado em tom mais coloquial que a
tragédia e ter episódios levemente cômicos, entremeados de cenas sérias. O
drama pode ser declamado, declamado com intervenções cantadas ou totalmente
cantado.
O Drama é usado como gênero de personalização em
filmes, cinema, telenovelas, teatro e qualquer representação de personagem.
O chamado Drama Social é uma nova linha de
tragédia em que as forças do destino se materializavam como força de convenções
sociais sobre o indivíduo, principalmente na injustiça sócio-econômica. Pode
ser entendido como uma forma séria de espetáculo, performance ou filme que não
chega a ser uma tragédia.
O conflito inerente ao drama é a disputa que
permite ao espectador tomar partido e se interessar pela representação no
palco. O herói grego luta com o sobre-humano, o herói do drama elisabetano luta
contra si mesmo, e o herói do Drama Social luta contra o mundo.
Melodrama
O termo Melodrama origina-se do francês mélodrame,
que pela análise etimológica: melos (grego) que significa som, e drame (latim
antigo) que significa drama.
Sua característica é intensificar as virtudes e
vícios das personagens, sejam protagonistas ou antagonistas, enfatizando
artificialmente suas características já que o objetivo maior deste gênero é
impressionar e comover o espectador, com a semelhança com a realidade. Existe
um grande maniqueismo, os personagens, ou são muito bons ou então são
extremamente maus. O bem e o mal estão sempre em luta, e o bem, depois de muito
sofrimento, lutas e peripécias, acaba vencendo o mal.
Possui significados contraditórios e é aplicado
com diferentes significados e ocorrências variadas ou em distintas, algumas
vezes refere-se a um efeito utilizado numa obra, outras como estilo da obra e
outras como gênero.
O melodrama teatral surgiu oficialmente como
gênero em 1800 com a obra Coeline de René-Charles Guilbert de Pixérécourt e
teve como principais representantes o inglês Thomas Holcroft seu introdutor na
Gran Bretanha, o alemão August Friederich Von Kotzebue e o irlandês Dionysius
Lardner Boursiquot ou Dion Boucicault.Ao final do século XIX, novas propostas
estéticas surgiam, entre elas o naturalismo, negando assim muitas das formas
super utilizadas de interpretação do melodrama, que foram consideradas
anti-naturais. Logo o termo melodrama se tornou sinônimo de uma interpretação
exagerada, anti-natural, assim como de efeitos de apelo fácil à platéia.
Auto
Do latim actu = ação, ato. Trata-se de um gênero
cuja finalidade é tanto divertir quanto instruir com seus temas que podem ser
religiosos ou profanos, sérios ou cômicos, no entanto devem possuir sentido
moralizador.
Tem sua origem na Idade Média, na Espanha, por
volta do século XII. Mas foi no século XVI, que o português Gil Vicente que a
expressão deste gênero dramático realmente despontou.
O auto era escrito em redondilhos (versos de sete
sílabas) e visava satirizar pessoas. Não possui uma estrutura definida, então
para facilitar sua leitura divide-se o auto em cenas da maneira clássica, a
cada vez que uma nova personagem entra em cena.
Pantomima
Pantomima, Mímica ou Mimodrama: Peça de qualquer
gênero que o(s) ator(es) se manifesta(m) apenas e simplesmente por gestos,
expressões corporais ou fisionômicas, prescindindo da palavra e da música, que
pode ser, também, sugerida por meio de movimentos; mímica.
Resumindo, é um espetáculo teatral sem palavras,
em que os artistas comunicam seus pensamentos e sentimentos através da dança,
da expressão facial e corporal. É a arte de narrar com o corpo.
Com este gênero, os pantomímicos precisam buscar a
forma perfeita, a estética da linha do corpo, pois através do gesto tudo será
dito, uma boa pantomima está na habilidade adquirida pelo pantomímico em se
transformar durante a interpretação, passando para a platéia as mensagens que se
fizerem necessárias, pelos gestos.
É uma das artes que exige o máximo do artista para
que este receba o máximo de retorno do público, ou seja, a atenção da platéia
para que a mensagem seja passada devidamente.
Teatro do Absurdo
Criado na segunda metade do século XX, o Teatro do
Absurdo procurava representar no palco a crise social que a humanidade vivia.
Gênero moderno que utiliza elementos chocantes e
ilógicos na composição do enredo, personagens e diálogos, com o objetivo de reproduzir
o desatino e a falta de soluções que faz parte da vida do homem e da sociedade.
Os seus representantes mais importantes são Eugène
Ionesco, Samuel Beckett, Harold Pinter, Arthur Adamov, G. Schahadé, Antonin
Artaud, J. Audiberti e J. Tardieu, Fernando Arrabal, Günther Grass e
Hildersheimer e no Brasil, destaca-se José Joaquim de Campos Leão, mais
conhecido como Qorpo Santo.
A inspiração dos dramas absurdos era a burguesia
ocidental, que, segundo teóricos, distanciava-se do mundo real, com suas fantasias
e ceticismo em relação às conseqüências desastrosas que causava ao resto da
sociedade.
Ópera
Trata-se de um drama encenado com música, que é
apresentado utilizando os elementos típicos do teatro, como cenografia,
figurinos e etc. Porém, a letra da ópera (libreto) é cantada e não falada como
normalmente em uma peça teatral. O termo Ópera surgiu de opus (latim =
"obra"). Possui diferentes tipos e/ou formas específicos como, a
Ópera-balada, Ópera Cômica ou Buffa, Ópera de Pequim, e a Opereta.
A “Ópera-balada” (Francesa) é um tipo de ópera que
utiliza diálogos falados, intercalando com músicas inspiradas, geralmente, em
temas populares. A sua maior característica é sua formação com grande número de
interpretes que dominam a linguagem da música/canto e do teatro/interpretação,
são na maioria das vezes atores-cantores.
Ópera Cômica ou Ópera-Buffa (Italiana) possui
maior quantidade de diálogos falados e seu conteúdo e o resumo da encenação é
repleto de comicidade.
O Ching Hsi também conhecido como Ópera de Pequim,
que mescla as diferentes linguagens cênicas, como dança, música, teatro,
acrobacia e os demais artifícios cênicos que venha enfatizar a interpretação e
o uso da voz, utilizando a técnica do falsete para cantar e falar.
Opereta é uma ópera pequena. Contém mais diálogos
narrados do que músicas e é vista por muitos como uma obra de menor seriedade,
por sua característica de tratar de temas frívolos e comuns do dia-a-dia das
pessoas. Porém seus cantores treinam a ópera de forma clássica.
Musical
Gênero em que a narrativa é constituída por um
combinado de músicas coreografadas e diálogos falados.
Musical é o termo utilizado para definir a união
do teatro com a música. Pode se confundir com a ópera ou o cabaré, visto que os
três apresentam estilos diferentes, porém as linhas que os delimitam são
difíceis de definir. Em sua maioria, possuem roteiros quase que completamente
cantados sendo raras as partes em que há diálogo entre os personagens e uma
orquestra ou banda ao fundo criando a trilha sonora para fundir a cantoria à
atuação.
Os três componentes essenciais de um espetáculo
musical, são: a música, a interpretação e o enredo. A música e a letra são o
propósito do musical; o enredo refere-se à parte dramática do espetáculo e a
interpretação relaciona as performances de dança, encenação e canto.
Com cerca de vinte a trinta canções, podem durar
desde uns poucos minutos à várias horas. Os mais populares, duram de duas horas
à duas horas e quarenta e cinco minutos e atualmente, são geralmente apresentados
com intervalos de quinze minutos entre os atos.
Teatro de Bonecos
Teatro de Bonecos (Marionetes, Fantoches, Teatro
de Animação ou ainda Teatro Lambe-Lambe) é a representação teatral feita com
bonecos de manipulação, em especial aqueles onde o palco, cortinas, cenários e
demais elementos próprios são construídos especialmente para a apresentação.
Acredita-se que o Teatro de Bonecos talvez seja
mais velho do que o próprio teatro com atores de verdade. Tendo sua origem na
mais remota antiguidade, com o passar do tempo os homens começaram a modelar
bonecos de barro, inicialmente sem articulações. Na Grécia antiga, os bonecos
possuíam conotações religiosas. O Império romano assimilou da cultura grega o
Teatro de Bonecos, que rapidamente se espalhou pela Europa. Na idade média, os
bonecos eram utilizados em doutrinações religiosas e apresentados em feiras
populares. Depois da primeira guerra, as marionetes foram difundidas pelo mundo.
Os bonecos se apresentam de diferentes formas.
Podem ser pendurados por fios ou cordões quase invisíveis, com o manipulador
dando à vida aos personagens movimentando uma cruzeta na qual estão amarrados
os fios, onde cada um deles é responsável pelo movimento de um dos membros do
boneco ou então podem ser colocados na mão como luvas.
Chegou ao nordeste do Brasil como forma de
manifestação popular e se propagou por todo o país através de artistas
mambembes. Essa forma de teatro é chamada de Mamulengo, na qual os bonecos
representam personagens do nosso folclore.
Teatro de Revista
Gênero em que os atos são divididos em quadros
mais ou menos independentes, ainda que ligados uns aos outros por um tema
comum, geralmente alegre e crítico, tudo em meio a exibições de beleza de
atrizes e cenários, ao som de músicas igualmente alegres, especialmente
compostas.
O Teatro de Revista pretendia agradar os
diferentes segmentos da sociedade. É um gênero teatral importante na história
das artes cênicas, com seu auge no século XX em Portugal, que tinha como
principais características números musicais, apelo à sensualidade e à comédia
leve com críticas sociais e políticas destacando-se com o texto em verso e a
presença da opereta, da comédia musicada, das representações folclóricas e da
dança. Recorre também ao modelo francês de enredo frágil servindo como elo
entre quadros que marcam a estrutura fragmentária do gênero.
O Teatro de Revista tornou-se um gênero popular no
Brasil a partir do final do século XIX. Aqui, o também chamado simplesmente por
Revista, foi responsável pela revelação de diversos talentos no cenário
cultural, como Carmem Miranda e sua irmã Aurora, as chamadas vedetes de imenso
sucesso como Wilza Carla, Dercy Gonçalves e Elvira Pagã. Já na variante
conhecida como Teatro Rebolado, compositores como Dorival Caymmi, Assis Valente
e Noel Rosa.
O Gênero é marcado por três fases marcantes no
Brasil:
- A primeira fase do gênero é marcada pela
valorização do texto em relação à encenação, e pela crítica de costumes
composta por versos e personagens alegóricos.
- A segunda fase é movida pelos grandes nomes que
levam o público ao teatro. É a fase em que o gênero se equilibra entre quadros
cômicos e de crítica política, e os números musicais e de fantasia.
- Já a terceira fase marca o ponto onde, aos
poucos, a revista começa a apelar para o escracho, para o nu explícito, em
detrimento de um de seus alicerces: a comédia. E é dessa maneira que entra em
seu período de decadência, desaparecendo quase que completamente nos anos 60.
Teatro de Rua
Gênero de teatro popular apresentado em praças, ruas,
avenidas e lugares públicos em geral, ao ar livre, em rodas de espectadores ao
nível do chão ou em plataformas, caminhões, praticáveis, etc. com recursos
técnicos precários, ou inexistentes.
Teatro de Sombras
Espetáculo teatral em que a ação dramática é
mostrada ou sugerida pelas sombras dos atores, projetadas de fora sobre uma
tela translúcida. Também tem o nome de: teatro de silhuetas.
Surgindo na Pré-História, por volta de 5.000 a.C.,
quando os homens se encantavam com sombras movendo-se nas paredes das cavernas,
o Teatro de Sombras trata-se de uma representação em uma tela branca com um
foco de luz aceso contrariamente projetando sombras de silhuetas de figuras
humanas, animais, ou objetos, recortadas em papel ou formadas com determinadas
posições das mãos reportando-nos ao mundo mágico das histórias de faz de conta.
Uma lenda chinesa diz que “no ano 121, o imperador
Wu Ti, da dinastia Han, desesperado com a morte de sua bailarina favorita,
ordenou ao mago da corte que a trouxesse de volta do "Reino das
Sombras", caso contrário, seria decapitado.
O mago usando a imaginação com uma pele de peixe
macia e transparente, fez a silhueta de uma bailarina. Com tudo preparado, o
mago ordenou que no jardim do palácio, fosse armada uma cortina branca contra a
luz do sol e que esta deixasse transparecer essa luz.
Houve uma apresentação para o imperador e sua
corte. Esta apresentação foi acompanhada de um som de uma flauta que "fez
surgir a sombra de uma bailarina movimentando-se com leveza e
graciosidade". Neste momento, teria surgido o teatro de sombras.
Noh
Noh, Nō, Nô ou Nou é a forma clássica de teatro japonês
combinando canto, pantomima, música e poesia, sendo interpretado apenas por
atores, que passam sua arte pela tradição familiar. Seu universo é habitado por
deuses, guerreiros e mulheres enlouquecidas, às voltas com os mistérios do
espírito. Os espetáculos Noh ocorrem num palco bastante despojado, feito de
hinoki liso (cipreste japonês). O cenário é constituído apenas pelo kagami-ita,
(pinheiro pintado, no fundo do palco) por sua interpretação que se refere aos
rituais xintoístas, pelos quais os deuses descem à Terra por este meio.
Kabuki
O Teatro Kabuki, é um gênero de teatro japonês,
conhecido pela estilização do drama e por suas elaboradas maquiagens e seu
principal tema é o conflito entre a humanidade e o sistema feudal.
A única característica do Kabuki, e talvez a mais
significativa na conservação do invulgar espírito Kabuki é o fato de que não
utiliza atrizes em cena. Todos os papéis femininos são representados por
elementos masculinos conhecidos como onnagata. (MAIS!)
Butô
Traduzindo-se o termo Butoh, "bu"
significa dança e "toh" significa passo.
Concebido inicialmente como “Ankoku Butoh”, ou
“Dança das Trevas”, ele surge no final dos anos 50, num Japão recém-humilhado
pela rendição na Segunda Grande Guerra. (MAIS!)
Stand-up Comedy
É uma expressão em língua inglesa que indica um
espetáculo de humor executado por apenas um comediante. O humorista se
apresenta geralmente em pé (daí o termo 'stand up'), e na ausência da quarta
parede.
Também conhecida como humor de cara limpa, a
comédia stand-up privilegia o artista munido apenas do microfone, sem personagem,
fantasia ou acessórios. O humorista stand up não conta piadas conhecidas do
público (anedotas). É normal que se prepare números com texto original,
construído a partir de observações do dia-a-dia e do cotidiano.
O gênero do "one man show" que é
semelhante, mas permite outras abordagens (interpretação de personagens,
músicas, cenas) foi introduzido no Brasil por José Vasconcelos, na década de
70. Aproximando-se mais ainda do estilo americano, Chico Anysio e Jô Soares
mantiveram o gênero - principalmente em seus shows ao vivo, e geralmente, na
abertura de seus programas - se aproximando da comédia stand up como vemos hoje.
Clown
Clown é a palavra inglesa para palhaço, porém no
teatro não refere-se àquele modelo clássico de palhaço que vemos em circo. Um
clown no teatro é basicamente: o próprio ator de forma "exagerada".
Ou seja: se determinado ator se acha gordo, por
exemplo, ele vai usar justamente essa característica para exagerar a própria
imagem e personalidade.
Além disso, o clown tem alguns fatores de
interpretação únicos que assemelham-se às peripécias de um palhaço comum feitas
de forma mais teatral.
Complemento de estudo Livro "O Elogio da
Bobagem"
era uma vez um mangue por onde andará macunaíma na sua carne no seu sangue?
sexta-feira, 1 de abril de 2022
Teatro - Gêneros
teatro do oprimido
Teatro do oprimido
Teatro do Oprimido (TO)É um método teatral que reúne exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal. Os seus principais objetivos são a democratização dos meios de produção teatral, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo (tal como Paulo Freire pensou a educação) e do teatro. Ao mesmo tempo, traz toda uma nova técnica para a preparação do ator que tem grande repercussão mundial.
No começo dos anos sessenta, Boal era diretor do Teatro de Arena de São Paulo. Um dia, durante uma viagem pelo nordeste, estavam apresentando para uma liga camponesa um musical sobre a questão agrária que terminava exortando os sem terras a lutarem e darem o sangue pela terra. Ao final do espetáculo um sem terra convidou o grupo para ir enfrentar os jagunços que tinham desalojado um companheiro deles. O grupo recusou e, neste momento, Boal percebeu que o teatro que realizava dava conselhos, que o teatro deveria ser um diálogo e não um monólogo.
Até este momento tudo não passava de uma ideia a ser desenvolvida. Somente em 1971 no Brasil, nasceu a primeira técnica do Teatro do Oprimido: o Teatro Jornal. Continuando a crescer, o TO desenvolve estabelecer um diálogo entre as Nações Indígenas e os descendentes de espanhóis na Colômbia, na Venezuela, no México... Hoje, essas formas são usadas em todos os tipos de diálogos.
Na Europa, o TO se expandiu e veio à luz o Arco-Íris do Desejo — inicialmente para entender problemas psicológicos, mais tarde para criar personagens em quaisquer peças. De volta ao Brasil, nasceu o Teatro Legislativo, para ajudar a transformar o Desejo da população em Lei — o que chegou a acontecer 13 vezes. Agora, o Teatro Subjuntivo está, pouco a pouco, vindo à luz.
O TO era usado por camponeses e operários; depois, por professores e estudantes; agora, também por artistas, trabalhadores sociais, psicoterapeutas, ONGs. Primeiro, em lugares pequenos e quase clandestinos. Agora, nas ruas, escolas, igrejas, sindicatos, teatros regulares, prisões...
Além da arte cênica propriamente, também existe a finalidade política da conscientização, onde o teatro torna-se o veículo para a organização, debate dos problemas, além de possibilitar, com suas técnicas, a formação de sujeitos sociais que possam fazer-se veículo multiplicador da defesa por direitos e cidadania para a comunidade onde o Teatro do Oprimido está a ser aplicado.
Aplicado no Brasil, em parceria com diversas ONGs, como as católicas Pastoral Carcerária[1] e CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), ou movimentos sociais, como o MST, as técnicas de Boal ganharam mundo, sendo suas obras traduzidas em mais de 20 idiomas, e ganhando aplicação por parte de populações oprimidas nas mais diversas comunidades, como recentemente entre os palestinos[2]
A Lei nº 13.560, de 21 de dezembro de 2017, instituiu o dia 16 de março, como "Dia Nacional do Teatro do Oprimido", em homenagem à data de nascimento de seu criador, o teatrólogo Augusto Boal[3].
Índice
1 Teatro do Oprimido
1.1 Teatro-Jornal
1.2 Teatro Imagem
1.3 Teatro Invisível
1.4 Teatro-Fórum
1.5 Arco-Íris do Desejo
1.6 Teatro Legislativo
1.7 Evolução: a Estética do Oprimido
2 Notas
3 Referências
4 Ligações externas
Teatro do Oprimido
O Teatro do Oprimido é um método estético que sistematiza Exercícios, Jogos e Técnicas Teatrais que objetivam a desfiguração física e intelectual de seus praticantes, e a democratização do teatro.
O TO parte do princípio de que a linguagem teatral é a linguagem humana que é usada por todas as pessoas no cotidiano. Sendo assim, todos podem desenvolvê-la e fazer teatro. Desta forma, o TO cria condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios de produzir teatro e assim amplie suas possibilidades de expressão. Além de estabelecer uma comunicação direta, ativa e propositiva entre espectadores e atores.
Dentro do sistema proposto por Boal, o treinamento do ator segue uma série de proposições que podem ser aplicadas em conjunto ou mesmo separadamente.
Cumpre ressaltar que todas as técnicas pressupõem a criação de grupos, onde o Teatro do Oprimido terá sua aplicação.
Teatro-Jornal
O Teatro-Jornal foi uma resposta estética à censura imposta, no Brasil, no início dos anos 70, pelos militares, para escamotearem conteúdos, inventarem verdades e iludirem. Nesta técnica, encena-se o que se perdeu nas entrelinhas das notícias censuradas, criando imagens que revelam silêncios. Criada em 1971, no Teatro de Arena de São Paulo, esta técnica foi muito utilizada na época da ditadura militar brasileira, para revelar informações distorcidas pelos jornais da época, todos sob censura oficial. Ainda hoje é usada para explicitar as manipulações utilizadas pelos meios de comunicação.[4]
Teatro Imagem
No Teatro-Imagem, a encenação baseia-se nas linguagens não-verbais. Essa foi uma saída encontrada por Boal para trabalhar com indígenas, no Chile, de etnias distintas com línguas maternas diversas, que participavam de um programa de alfabetização e precisavam se comunicar entre si. Esta técnica teatral transforma questões, problemas e sentimentos em imagens concretas. A partir da leitura da linguagem corporal, busca-se a compreensão dos fatos representados na imagem, que é real enquanto imagem. A imagem é uma realidade existente sendo, ao mesmo tempo, a representação de uma realidade vivenciada.[5]
Teatro Invisível
O Teatro-Invisível que, sendo vida, não é revelado como teatro e é realizado no local onde a situação encenada deveria acontecer, surgiu como resposta à impossibilidade, ditada pelo autoritarismo, de fazer teatro dentro do teatro, na Argentina. Uma cena do cotidiano é encenada e apresentada no local onde poderia ter acontecido, sem que se identifique como evento teatral. Desta forma, os espectadores são reais participantes, reagindo e opinando espontaneamente à discussão provocada pela encenação.[6]
A preparação do Teatro Invisível deve ser como a de uma cena normal, reunindo os principais elementos: atores interpretando personagens com caracterizações, ideia central; deve haver um roteiro pré-estabelecido, apresentando princípio, meio e fim e que deve ser ensaiado. A diferença consiste em ser uma modalidade que não revela ao público tratar-se de uma representação.
Pode ou não ser uma representação pessoal, variando em vários aspectos como econômico e social.
Teatro-Fórum
A dramaturgia simultânea era uma espécie de tradução feita por artistas sobre os problemas vividos pelo povo. Aí nasceu o Teatro-Fórum, onde a barreira entre palco e platéia é destruída e o Diálogo implementado. Produz-se uma encenação baseada em fatos reais, na qual personagens oprimidos e opressores entram em conflito, de forma clara e objetiva, na defesa de seus desejos e interesses. No confronto, o oprimido fracassa e o público é estimulado, pelo Curinga (o facilitador do Teatro do Oprimido), a entrar em cena, substituir o protagonista (o oprimido) e buscar alternativas para o problema encenado.[7]
Arco-Íris do Desejo
Nos anos de 1980, na França, Augusto Boal e Cecília Boal se deparam com opressões ligadas à subjetividade, sem relação com uma agressão física ou um impedimento concreto na vida cotidiana. Um arsenal de técnicas que analisam os opressores internalizados, o Arco-Íris do Desejo, foi a resposta a esta demanda. Conhecido como Método Boal de Teatro e Terapia, é um conjunto de técnicas terapêuticas e teatrais utilizadas no estudo de casos onde os opressores foram internalizados, habitando a cabeça de quem vive oprimido pela repercussão dessas ideias e atitudes.[8]
Teatro Legislativo
No Teatro Legislativo, além das intervenções na ação dramática, os espectadores também são estimulados a escreverem propostas de leis, que visem à resolução do problema apresentado. Essas propostas são recolhidas e entregues à Célula Metabolizadora: equipe formada por um especialista no tema encenado, um assessor legislativo e um advogado com experiência na área, cuja função é fazer a "metabolização" das propostas, ou seja, analisá-las e sistematizá-las, para que sejam novamente encaminhadas à plateia para discussão e votação, ao final da apresentação, quando se instaura a Sessão de Teatro Legislativo.
Através dessa iniciativa foram produzidas até 2008 doze leis municipais, um decreto legislativo, uma resolução plenária, duas leis estaduais e dois projetos de lei em tramitação, na cidade e no estado do Rio de Janeiro, todas oriundas da interação de grupos populares com a população. Esses resultados demonstram a viabilidade da democratização da política através do teatro, que estimula o exercício da democracia direta e participativa.
Evolução: a Estética do Oprimido
As iniciativas de Boal e do CTO-Rio, dentro dos propósitos do Teatro do Oprimido vêm sendo ampliadas constantemente. Assim, integrando o Sistema, está sendo desenvolvida a "Estética do Oprimido". Esta tem por fundamento a certeza de que somos todos melhores do que pensamos ser, capazes de fazer mais do que realizamos, porque todo ser humano é expansivo.
A proposta é promover a expansão da vida intelectual e estética de participantes de Grupos Populares de Teatro do Oprimido, evitando que exercitem apenas a função de ator, que representa personagens no palco. Os integrantes desses grupos são estimulados, através de meios estéticos, a expandirem a capacidade de compreensão do mundo e as possibilidades de transmitirem aos demais membros de suas comunidades - bem como aos de outras - os conhecimentos adquiridos, descobertos, inventados ou re-inventados. (2007).
Notas
BOAL, Augusto - Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira. 2005. Edição revista; (ISBN 85-200-0265-X)
BOAL, Augusto - "Técnicas Latino-Americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário". São Paulo: Hucitec, 1975.
BOAL, Augusto - "Stop: ces’t magique". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.
BOAL, Augusto - "O arco-íris do desejo: método Boal de teatro e terapia". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990.
BOAL, Augusto - "Teatro legislativo", Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.
BOAL, Augusto - "Jogos para atores e não-atores". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
BOAL, Augusto - "O teatro como arte marcial". Rio de Janeiro: Garamond, 2003.
BOAL, Augusto - "A Estética do Oprimido". Rio de Janeiro: Garamond, 2009.
Fulinaíma MultiProjetos
quarta parede
Quarta
parede
Origem e significado
A origem da expressão é incerta, mas presume-se
que o conceito tenha surgido na Idade Média com a aplicação do Teatro
Saltimbanco, onde os atores atuavam em uma carroça, e assim podiam se deslocar
por outros vilarejos, uma espécie de teatro ambulante, e a peça ocorria
levantando uma lona lateral, criando uma abertura para visão geral do evento. A
aplicação dava-se cada vez que, erguendo esta lona (a quarta parede), o
espectador tinha acesso a imagem da peça encenada, geralmente com até, no
máximo, quatro personagens atuando ao mesmo tempo.
Logo em seguida, pela formação do Teatro
Elizabethano, na côrte da Rainha Elizabeth I (Londres, Inglaterra), onde o
teatro era realizado para a nobreza como forma de distração e era preparada,
muitas vezes, com intuito de se atacar ou criticar, de forma direta atitudes,
comportamentos, da própria nobreza na côrte. Essas críticas nem sempre
mostravam o nome do nobre, mas o fazia de forma satírica, confrontando-os e
questionando-os, no entanto, as cenas eram preparadas, escrachadas, tinha como
objetivo um ataque, mas de forma leve, tão leviana, que acabava por virar
comédia. Todos riam, sabiam que se falava da côrte e seus participantes. Às
vezes, sabiam sobre quem estava sendo satirizado, mas aquela conduta dos
atores, embora muitas vezes com maldade, deixava a crítica um tanto sarcástica,
outras vezes sutil, mas sempre procurando deixar a peça em tom crítico direto,
mas completamente debochada em relação a quem a assistia.
O teatro assume a apresentação como se fosse uma
caixa, surgindo o teatro tradicional como conhecemos e a quarta parede, de
certa forma cai, deixando de existir e dando lugar àquela plateia que assiste
passivamente, quer dizer a plateia evita mexer-se e, supostamente, assiste à
peça sem se deixar envolver emocionalmente com os atores, mas nem sempre
ocorria. Lembremos que algumas pessoas era bufões, comiam durante o espetáculo,
causando um barulho que acabava por desconcentrar, outros com o uso do leque,
outros com movimentos de pernas para chamar a atenção, daí para o ator não se
desconcentrar com tosses, com movimentos corporais da plateia em que se
estabelece a quarta parede, imaginária, tanto para o grupo de atores, quanto
para a plateia, conduzindo o grupo de atores a um estudo e domínio próprio mais
profundo para se condicionar em representar sem ter a influência da plateia ou
minimizando-a e exigindo uma concentração maior durante a encenação, século
XVIII, com as teorias propugnadas por Diderot, quando este aponta:
"Então, caso façais uma composição, ou caso
representeis, pensai no espectador apenas como se este não existisse. Imaginai,
na borda do teatro, uma enorme parede que vos separe da plateia; representai
como se a cortina não se levantasse".[1]
A expressão também é usada em outros mídia, como
cinema, videogames, quadrinhos,televisão e literatura, geralmente para se
referir à divisória entre a ficção e a audiência.
A quarta parede é parte da suspensão de descrença
entre o trabalho fictício e a plateia. A plateia normalmente aceita
passivamente a presença de uma quarta parede sem pensar nela diretamente,
fazendo com que uma encenação seja tomada como um evento real a ser assistido
(teatro tradicional). A presença de uma quarta parede é um dos elementos mais
bem estabelecidos da ficção e levou alguns artistas a voltarem a sua atenção
para ela como efeito dramático. Por exemplo, na peça The Fourth Wall de A.R.
Gurney, quatro personagens lidam com a obsessão da dona de casa, Peggy, por uma
parede em branco na sua casa. Lentamente é desenvolvida uma série de clichês
teatrais, enquanto toda a mobília e a ação em cena vão cada vez mais se
dirigindo à suposta quarta parede.
Derrubando a quarta parede
O ato de derrubar a quarta parede é usado no
cinema, no teatro, na televisão e na arte escrita, e tem origem na teoria do
teatro épico de Bertolt Brecht, que ele desenvolveu a partir e, curiosamente,
para contrastar com a teoria do drama de Constantin Stanislavski. Refere-se a
uma personagem dirigindo a sua atenção para a plateia, ou tomando conhecimento
de que as personagens e ações não são reais. O efeito causado é que a plateia
se lembra de que está vendo ficção e isso pode eliminar a suspensão de
descrença. Muitos artistas usaram esse efeito para incitar a plateia a ver a
ficção sob outro ângulo e assisti-la de forma menos passiva. Brecht estava
ciente de que derrubar a quarta parede iria encorajar a plateia a assistir a
peça de forma mais crítíca - o chamado Efeito de Alienação.
Derrubar a quarta parede de forma súbita é um
recurso bastante usado para um efeito humorístico nonsense, já que tal efeito é
inesperado em ficções narrativas e afins. Alguns acreditam que derrubar a
quarta parede cause um distanciamento da suspensão de descrença a ponto de
contrastar com o humor de uma história. No entanto, quando usada de forma
consistente ao longo da história, é geralmente incorporada ao estado passivo da
plateia.
Essa exploração da familiaridade de uma plateia
com as convenções da ficção é um elemento-chave em muitos trabalhos definidos
como pós-modernistas, que descontroem as regras preestabelecidas da ficção. A
ficção que derruba ou diretamente se refere à quarta parede muitas vezes também
usa outros recursos pós-modernistas, como a metalinguagem (Teatro
Contemporâneo).
O recurso é muito usado no teatro improvisado,
onde a plateia é convidada a interagir com os atores em certos pontos, como
para escolher a resolução de um mistério. Nesse caso, os espectadores são
tratados como testemunhas da ação em andamento, tornando-se "atores"
e atravessando a quarta parede.
A quarta parede também é usada como parte da
narrativa, quando a personagem descobre que faz parte de uma ficção e 'derruba
a quarta parede' para estabelecer um contato com a audiência.[2] Isso ocorre em
filmes como O Último Grande Herói e A Rosa Púrpura do Cairo, onde personagens
saem dos filmes que habitam e espectadores adentram a película; O Show de Truman,
onde o personagem-título percebe que sua vida é uma espécie de reality show
filmado em um gigantesco estúdio; e o livro O Mundo de Sofia, onde os
personagens de um livro sendo escrito percebem seu caráter ficcional e tentam
descobrir como conseguir sua liberdade. Nesse caso, a 'quarta parede' que a
personagem derruba permanece como parte da narrativa em si, e a parede entre a
plateia real e a ficção permanece intacta. Há casos também em que a criatura
encontra o criador, como no período em que Grant Morrison escrevia as histórias
em quadrinhos do Homem Animal. Histórias como essas não derrubam efetivamente a
quarta parede - apenas se referem a esse recurso.
Alguns personagens são notórios por quebrar a
quarta parede, como Deadpool da Marvel Comics, Goku no fim de cada episódio de
Dragon Ball Z (Majin Boo e Gohan também fizeram), Pinkie Pie de My Little Pony:
A Amizade é Mágica [3] , Frank Underwood, de House of Cards e a série de games
Metal Gear: Solid (Onde alguns personagens olhavam para a tela e interagiam com
o jogador).
Referências
BORIE, Monique; ROUGEMONT, Martine de; SCHERER,
Jacques. Estética teatral: textos de Platão a Bertolt Brecht, pg. 167. Tradução
de Helena Barbas. 2ª edição, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004]
NOVAS POSSIBILIDADES EM METALINGUAGEM
The Most Fourth Wall-Breaking Moments in
Television History
Fulinaíma MultiProjetos
Rúbia Querubim
ensaiando
três personagens
à procura de um autor
li ontem alguns poemas
nem sei de quem eram
depois um texto longo
também nem sei de onde veio
aquele longo texto me dizia
:
estou dentro da garrafa
afogado na areia da praia
caramujos e mariscos
me engoliram quando mergulhei
na onde atlântica sem saber
não era pacífica era tempestade
trago riscos trago tragédias e risos
me procurem do outro lado da ponte
e lá que irão me encontrar
Rúbia Querubim
Balbúrdia PoÉtica
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