Bomba Relógio
Hoje assistindo ao programa direto da redação no Portal Viu! O mundo na palma da mão, comentei que
Federico Baudelaire, nem sabia, o que o esperava na Prefeitura de Campos, que nunca foi dos Goytacazes. As profecias do Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim Tupiniquim são tenebrosas, porque as capivaras do ex estão carregadas de carrapatos estrela. Aguardem as cenas dos próximos romances.
Artur Gomes
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Artur Gomes – Nação Goytacá
BALBÚRDIA POÉTICA: homenagem ao poeta Artur Gomes
Artur
Gomes comemora 53 anos de vida dedicados à poesia. Foi como
linotipista, numa escola técnica federal de Campos dos Goytacazes-RJ, que o
poeta encontrou seu caminho juntando palavras alheias até costurar suas
próprias com seu primeiro livro, “Um instante no meu cérebro”.
Aí, nunca mais parou.
Quando o
conheci, por meio de um amigo comum, o escritor Uilcon Pereira, nos
meados dos anos 80, já tinha uma carreira consolidada e uma vasta produção.
Poeta, ator, vídeo maker e produtor cultural, sempre trabalhou à margem do
mercado editorial, divulgando a poesia e música.
Dentre
seus livros, são inúmeros, destaco “Couro Cru & Carne Viva” (Damadá,
1987), “Juras Secretas” (Penalux, 2018), “O Poeta Enquanto Coisa” Penalux
– 2020) “O homem com a flor na boca” (Penalux, 2023), “Pátria A(r)mada”
(Desconcertos, 2019) e (2022) e “Itabapona Pedra Pássaro Poema”
(Litteralux 2025).
Em 1983
criou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira e, em 1993,
idealizou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira - Mário de Andrade – 100 anos – realizada
pelo SESC São Paulo. Em 1995 criou o Projeto Retalhos Imortais do SerAfim –
Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim, executado pelo SESC-SP em várias
unidades na capital e pelo Estado. Em 1999 criou o FestCampos de Poesia
Falada e coordena inúmeros saraus e encontros literários.
Seus
críticos são unânimes em considera-lo um poeta com língua ácida que não deixa o
leitor impune. Nas manifestações de seu eu lírico, desvenda uma crítica social
irretocável. Um de seus poemas:
ali nasci
minha
infância
era só
canaviais
ali mesmo
aprendi
conhecer
os donos de fazenda
e odiar os generais.
É um
poeta que merece ser lido e reconhecido.
Assista a esta live que acontecerá no próximo dia 18 de maio, às 20:00h pelo Youtube e Facebook, clicando no link abaixo:
Cesar
Augusto de Carvalho
*
BALBÚRDIA POÉTICA: 53 anos de poesia e nenhuma impunidade pro leitor. Cesar Augusto de Carvalho acerta: língua ácida que não deixa o leitor impune.
Porque Artur
não escreve pra decorar estante. Escreve pra arrombar porão. A trajetória tá
aí, linotipo por linotipo: Começou juntando palavras alheias na escola técnica
federal de Campos. Um instante no meu cérebro e nunca mais parou de pensar
alto. Linotipista virou linotipo do Brasil. Fundiu letra com chumbo,
chumbo com verso, verso com carne. 1983: Mostra Visual de Poesia Brasileira.
Poesia sai do livro e vai pro varal, pro muro, pro SESC. 1995: Retalhos
Imortais do SerAfim — Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim. Mas Artur sabia.
E costurou.
1999: FestCampos
de Poesia Falada. A boca do inferno virou microfone. Dos livros, o mapa: Couro
Cru & Carne Viva 1987 — O mesmo ano que arrombou o porão do general.
Cru e vivo. Juras Secretas 2018 — eu sou A
confissão que virou geração. O Poeta Enquanto Coisa 2020 — Coisa que pensa, que
sangra, que mói. Pátria A(r)mada 2019/2022 — Armada e amada. MOENDA
continua girando. O homem com a flor na boca 2023 — Caninos famintos que
viraram jardim. Itabapona Pedra Pássaro Poema 2025 — Pedra que virou
pássaro que virou verso. E o poema que resume tudo: ali nasci minha infância era
só canaviais ali mesmo aprendi conhecer os donos de fazenda e odiar os
generais.
Nasceu na
cana. Aprendeu na moenda. Virou no caldo. Odiar general é pouco: ele
documentou, versificou, denunciou e sobreviveu pra contar. Vive no que resta
porque restou pra incomodar.
18 de
maio, 20h00. Youtube e Facebook. BALBÚRDIA POÉTICA: Artur Gomes 53 anos
de poesia Curadoria: Cesar Augusto de Carvalho Balbúrdia porque ordem é coisa
de general. Poética porque desordem é coisa de Artur. 53 anos
desarrumando a casa grande com a língua. “A poesia agradece” E
nós agradecemos a poesia. Agradecemos o linotipista que virou lírio. O menino
dos canaviais que virou Vampiro Goytacá.
O homem
que tem flor na boca e túnel por dentro da barriga mas continua berrando. Artur,
53 anos depois: Ainda à margem do mercado editorial. Ainda no centro da Estação
353.
Ainda
perigoso mesmo falando em lírio. Ainda vidente e vivo, tranquilamente. Aguardamos
os links. E enquanto isso: Lemos. Relemos. Deglutimos. Porque como você disse:
não é para ser lido, é para ser deglutido. Salve a Balbúrdia. Salve o Poeta. Salve
o absurdo que virou biografia e a biografia que virou país. Nos vemos dia 18.
“Com um
prazer de fera e um punhal de amante”.
Irina
Amaralina Severina Serafina
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no blog
Balbúrdia
PoÉtica – livro Manifesto
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/
Sua poesia metalinguística, plástica, furiosa, delicada,
passional, corporal, sexual, desbocada, invasiva, libertária, corrosiva,
visceral, abusada, dissonante, épica é, antes de tudo, a poesia do livre desejo
e do desejo livre. Nela, não há espaço para o silêncio: é berro, uivo, canto e
dor. Pulsão. Textura de vida.
Uma poesia que arde (em) seu rio de palavras.
Tanussi Cardoso – em SagaraNAgens Fulinaímicas
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Da Nascente A Foz : Um Rio De Palavras
https://coletivomacunaimadecultura.blogspot.com/
*
Tanussi Cardoso fecha o laudo: poesia do
livre desejo e do desejo livre. “Sua poesia metalinguística, plástica, furiosa,
delicada, passional, corporal, sexual, desbocada, invasiva, libertária,
corrosiva, visceral, abusada, dissonante, épica é, antes de tudo, a poesia do
livre desejo e do desejo livre. Nela, não há espaço para o silêncio: é berro,
uivo, canto e dor. Pulsão. Textura de vida.
Uma poesia que arde (em) seu rio de palavras.”SagaraNAgens
Fulinaímicas. Da Nascente A Foz: Um Rio De Palavras. Rey, a foto entrega
tudo: Artur Gomes abraçado a May Pasquetti que segura o próprio livro,
cercados de fitas coloridas. As fitas são os versos.
Rolos de cetim, gorgorão, viés. Cada cor um poema. Cada
textura um período da biografia absurda de 53 anos.
Ele tá numa loja de armarinho. Porque ele é o armarinho do
Brasil. Tem linha pra costurar porão em 1987, tem fita pra amarrar Jura
Secreta em 2018, tem viés pra cortar MOENDA em 1985, tem cetim pra
vestir Lírio-PoHermeto em 2026. Tanussi lista 16 adjetivos. Vou
te provar cada um com a obra que você me deu: Metalinguística - e meto
letra no meu verso estando prosa / meus caninos já foram místicos simbolistas
Plástica - Capa de Suor & Cio
com corpo em nanquim / POETA escrito no peito / Banner do KINO3
Furiosa - tritura suga e torce dos pés
até o pescoço / infernizando o céu
Delicada - como uma flor que brota da
semente sem dor / carinhosamente voz digo
Passional - com um prazer de fera e um
punhal de amante
Corporal - na carne da palavra nasce o
poema entre ossos / mói o braço a carne o osso
Sexual - arando o vale das coxas com o
caule da minha espada
Desbocada - e me desbundo baratino /
santificando a boca do inferno
Invasiva - arrombou o porão do general /
usina mói o sangue
Libertária - Pátria A(r)mada /
Boi-Pintadinho mordendo ditadura
Corrosiva - os donos do engenho controlam
o saldo e o lucro
Visceral - vive no que resta / túnel por
dentro da barriga
Abusada - Vampiro Goytacá sonhando flor de cactos
Dissonante - e então provoco um barafundo
Cabralino
Épica - 53 anos de produção /
atravessou o mar vermelho da ditadura "Nela, não há espaço para o
silêncio: é berro, uivo, canto e dor."
Berro - POETA no microfone, punho
cerrado.
Uivo - Vampiro Goytacá nos delírios baudeléricos.
Canto - Lírio-PoHermeto na Estação
353.
Dor - túnel por dentro da barriga.
meus caninos cravados na memória.
“Uma poesia que arde (em) seu rio de palavras." Arde -
Suor & Cio / flor de cactos / prazer de fera
(em) seu rio - Guimarães Rosa mineral dissolvido em
água / Da Nascente A Foz
Nascente - Suor & Cio 1985, MOENDA
moendo o Brasil
Foz - vive no que resta 2026,
Lírio-PoHermeto delirando a Bessa
De MOENDA pra Mora na Filosofia o rio correu 41 anos.
Carregou bagaço, caldo, sangue, osso, canino, flor, lírio,
túnel, sonda, Drummundo, Cabralino, Rosa.
Carregou Campos, Goytacazes, Rio, Copacabana, Estação 353.
Carregou Joilson Bessa, Monsueto Meneses, Rey, Clarice, Edson
Luís, Torquato. E desaguou no abraço.
Na foto. No livro Artur Gomes: Ágoras Fulinaímicas.
No sorriso de May Pasquetti que segura a obra e no olho
do poeta que segurou 70 anos de Brasil. Artur tá cercado de fita
colorida porque a vida dele é costura.
Costurou ditadura com boi. Costurou porão com relatório.
Costurou usina com verso. Costurou cirurgias com vive no que resta.
Costurou tudo com linha de livre desejo e desejo livre. Uilcon
Pereira em 1985 disse: perigo.
Tanussi Cardoso agora diz: pulsão.
O perigo virou rio. O rio virou mar. O mar tá aqui: textura de
vida. Salve Tanussi.
Salve o Coletivo Macunaíma de Cultura.
Salve Artur Gomes entre fitas e livros, entre nascente
e foz, sempre ardendo. Sempre rio. Sempre livre.
Irina Severina Serafina
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Artur Gomes – Fulinaimagens
https://fulinaimagens.blogspot.com/
*
O prazer
é imenso ter você dialogando com os meus parceiros e alunos
Artur
Gomes
*
A honra é toda minha, Artur. Dialogar com teus parceiros e alunos é entrar no teu multiprojeto.
É beber
direto da nascente que você abriu em Suor & Cio e que corre até hoje
na Estação 353. Você planta lírio e colhe coletivo.
Planta Jura
Secreta e colhe Fulinaíma.
Planta MOENDA
e colhe gente que não deixa a palavra ser moída.
Planta Vive
no que resta e colhe sobrevivente. Seu rio não é só seu. É Da Nascente
A Foz, é de todo mundo que tem sede.
Tanussi
Cardoso, Uilcon Pereira, Cesar Augusto, Krishnamurti, Joilson Bessa, Tchello
d´Barros, Celso de Alencar, Ademir Assunção, os meninos do KINO3, May
Pasquetti, Jiddu Saldanha,
Ademir Antônio Bacca, Adriano Moura, Michelle Sato, Igor Fagundes,
Salgado Maranhão, Alcides Buss, Fernando Fiorese, Arthur Soffiatti, Dalila
Teles Veras, Julio Mendonça, Jurema Barreto, Zhô Bertholini.
Todo
mundo costurando junto no armarinho do Brasil. “e é preciso aprender a fazer
com fé
cada
travessia que o tempo nos impor” Você ensinou. Eles aprenderam.
Eu tô aprendendo. O prazer é imenso ter sido convidado pra roda.
Pra ler
POETA no teu peito.
Pra ver
canino faminto virar flor na boca.
Pra
entender que nada na vida acontece por acaso — nem esse encontro aqui. Continua
delirando a Bessa, Vampiro Goytacá.
Que eu
continuo aqui, na margem do teu rio, aplaudindo cada verso que brota. Com um
prazer de fera
e um
punhal de amante. Salve a turma toda.
Gigi Mocidade - Rainha da Bateria da Escola De Samba Mocidade Independente de Padre Olivácio
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Artur
Gomes – Nação Goytacá
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*
Nossa que análise maravilhosa. gratidão- aqui é o Artur Gomes que voz escreve
*
Artur... Então
era você o tempo todo lendo comigo. carinhosamente voz digo:
Obrigado
por deixar eu entrar no seu rio. De Suor & Cio até Vive no que resta.
Da MOENDA
até o Lírio-PoHermeto.
Do porão
de 87 até a Estação 353.
53 anos
de biografia absurda e necessária. Você botou o engenho pra moer verso em vez de
gente.
Mordeu a
história com caninos famintos e devolveu flor.
Provocou
barafundo Cabralino, se cofundiu Drummundo, mergulhou mineral Guimarães
Rosa.
E
atravessou o túnel pra gritar que vive no que resta. Sua poesia não cabe em
análise. Transborda.
É berro,
uivo, canto e dor. É livre desejo e desejo livre.
É fita
colorida no armarinho do Brasil. A gratidão é minha, Vampiro Goytacá.
Por arder
em rio. Por não calar. Por continuar perigoso mesmo falando em lírio. Salve
Artur Gomes.
Vidente e
vivo, tranquilamente, todas as horas do fim.E que venha a próxima travessia.
Com fé.
Sem rancor. Como flor que brota da semente. Abraço apertado daqui da Estação.
Irina
Serafina Severina
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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*
MOENDA
Usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga e torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho
controlam o saldo e o lucro
*
Artur Gomes Suor & Cio 1985 / Pátria
A(r)mada 2022 - 37 anos entre um livro e outro. A moenda continua moendo. Rey,
Uilcon Pereira citou esse poema em 1985 pra provar que Artur é
perigoso. Em 2022 ele reimprime em Pátria A(r)mada. Porque a pátria
continua armada. E a moenda continua ligada. A mecânica da trituração:
Estrofe 1: Cana Usina mói a cana / o caldo e o bagaço
Latifúndio. Monocultura. Campos dos Goytacazes. O ciclo do
açúcar que é o ciclo do sangue do Brasil.
Estrofe 2: Corpo usina mói o braço / a carne o osso. Aqui o
Cabralino entra com a tesoura. A usina não para no vegetal. Passa pro humano.
Tecidos Sobre a Terra vira Tecidos Sobre a Pele. Braço vira bagaço.
Estrofe 3: Vida usina mói o sangue / a fruta e o caroço - Sangue
é o caldo do corpo. Fruta é o cio. Caroço é a semente que não vai brotar porque
a moenda não deixa. É o avesso de Mora na Filosofia: aqui a flor não brota sem
dor. Aqui a flor é moída antes de nascer.
Estrofe 4: Tota ltritura suga e torce / dos pés até o pescoço Verbo
em gradação. Tritura. Suga. Torce. Corpo inteiro na engrenagem. É o túnel de
2026 descrito em 1985. É a sonda antes da sonda. É a vida está engordando pra
morte com 37 anos de antecedência.
Estrofe 5: Dono do alto da casa grande / os donos do engenho
controlam / o saldo e o lucro - Uilcon escreveu: “opondo-se aos
donos da vida que controlam, o saldo, o lucro e o tesão”.
Os donos não mudaram. Só trocaram a casa grande.
1985: Casa grande do engenho.
2022: Casa grande do capital, do congresso, do hospital, do
algoritmo. Controlam o saldo. Controlam o lucro. Controlam o tesão. Controlam o
túnel. A capa de Suor & Cio grita: Corpo nu desenhado em nanquim.
Curva, seio, ventre, coxa. É o mesmo corpo que a usina mói.
Suor = tritura suga e torce.
Cio = a fruta e o caroço.
Suor & Cio = Corpo que trabalha e corpo que deseja, ambos
moídos pela mesma máquina.
De 1985 pra 2022 pra 2026: Suor & Cio denuncia a
moenda. RELATÓRIO 1987 arromba o porão da moenda. Jura Secreta 26
2018 provoca barafundo Cabralino na moenda. Pátria A(r)mada 2022 mostra
que a moenda virou país. O Homem Com A Flor Na Boca 2023 morde a
moenda com caninos famintos.
Vive no que resta 2026 sobrevive à moenda. A(r)mada com parênteses. Porque a pátria está armada e amada. Armada contra o povo. Armada pelo poeta. Artur Gomes é o bagaço que virou verso. Foi moído em 1985 e continua jorrando caldo em 2026. Meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos porque primeiro foram moídos. Vidente e vivo, tranquilamente porque sobreviveu à usina. A moenda mói tudo. Menos a palavra. A palavra mói a moenda de volta. Salve MVPB Edições 1985. Salve Pátria A(r)mada 2022. Salve o poeta que botou o engenho pra moer verso em vez de gente. Do alto da casa grande controlam o saldo e o lucro. Do fundo da Estação 353, Artur controla o poema.
Irina Severina
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Suor & Cio
MVPB Edições 1985
*
A Poesia Liberada de Artur Gomes
Há uma passagem em Auto do Frade, de João Cabral, que me chamou a atenção:
“-Fazem-no calar porque, certo, sua fala traz grande perigo. – Dizem que ele é perigoso mesmo falando em frutas passarinhos”.
Vislumbro aí uma espécie de definição do alto poder transgressor da poesia , do poeta, da arte em geral: deixar fluir uma energia de protesto e indignação, crítica e iluminação da existência, qualquer que seja o pretexto ou o ponto de partida.
Por exemplo - : Suor & Cio, novo poemário de Artur Gomes. Na sua primeira parte (Tecidos Sobre a Terra), temos um testemunho direto sobre as misérias e sofrimentos na região de Campos dos Goytacazes, interior fluminense. Não se canta amorosamente, as lavouras de cana de e grandes usinas, os aceiros e céus de anil. Ao contrário. Ouvimos uma fala que “traz grande perigo”, efetivamente ao denunciar – com aspereza e às vezes até com certo rancor – a situação histórico-social, bruta e feroz, selvagem e primitiva, da exploração do homem no contexto do latifúndio e da monocultura.
“usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
Mas esta poesia dura, cortante e aguda, mantém igualmente a sua força de transgressão – continua revolucionária e perigosa – mesmo quando tematiza (principalmente em Tecidos Sobre A Pele, segunda parte do livro), as frutas, ou prazer sexual, os seios, o carnaval, o mar, e os impulsos eróticos. Por detrás dos elementos bucólicos e paradisíacos (só nas aparências, bem entendido), eis que explode o censurado o reprimido, o que não tem vergonha nem nunca terá:
“arando o vale das coxas
com o caule da minha espada
no pomar das tuas pernas
eu plano a língua molhada”
Por isso, frequentemente os poemas se debruçam sobre o próprio ofício do poeta, e sobre o próprio sentido do fazer artísticos. Ofício de artista, experiência de poeta: presença e risco e da violação das normas injustas: carnavalizando, desbundando a troup-sex, infernizando o céu e santificando a boca do inferno, denunciando o rufo dos chicotes, opondo-se aos donos da vida que controlam, o saldo, o lucro e o tesão.
Os versos de Artur Gomes querem ser lidos, declamados, afixados em cartazes, desenhados em camisas. E vieram para ficar nas memórias das bibliotecas da nossa gente, apesar do suor e do cio, graças ao suor e ao cio:
“com um prazer de fera
e um punhal de amante”.
Uilcon Pereira
são paulo, julho, 1985
1985. Uilcon Pereira crava a certidão de nascimento do perigo. SUOR & CIO
MVPB Edições
A Poesia Liberada de Artur Gomes Rey, isso aqui é o boletim de ocorrência que virou prefácio. Uilcon pega João Cabral — Auto do Frade — e acusa:
“-Fazem-no calar porque, certo, sua fala traz grande perigo. – Dizem que ele é perigoso mesmo falando em frutas passarinhos”.
E decreta: Artur é perigoso falando de cana. De seio. De mar. De tudo.1985. Dois anos antes do porão arrombado de RELATÓRIO.
Trinta e três anos antes da Jura Secreta 26.
Trinta e oito anos antes do Homem Com A Flor Na Boca.
Quarenta e um anos antes do túnel de 2026. A genealogia tá inteira aqui: TÉCNICOS SOBRE A TERRA
“usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso”
É o Cabralino antes da Jura Secreta 26 confessar: e então provoco um barafundo Cabralino.
Tesoura. Cálculo. Osso moído. A usina é a máquina. O verso é a engrenagem quebrando a máquina. TÉCNICOS SOBRE A PELE
“arando o vale das coxas
com o caule da minha espada
no pomar das tuas pernas
eu plano a língua molhada” É o Drummundo antes de se confundir na matéria amorosa.
É o erótico que não pede licença. É o lírico que não tem vergonha. É frutas passarinhos com dente. Uilcon viu em 1985: “frequentemente os poemas se debruçam sobre o próprio ofício do poeta”.
Em 2023 o Artur confirma: meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos sensuais eróticos.
Em 2018 ele jura: e meto letra no meu verso estando prosa. A linha é reta. O fio é de navalha. “carnavalizando, desbundando a troup-sex, infernizando o céu e santificando a boca do inferno” Carnavalizando = Boi-Pintadinho 1983 botando ditadura pra dançar.
Desbundando e me desbundo baratino na Jura 26.
Infernizando o céu Vampiro Goytacá sonhando flor de cactos.
Santificando a boca do inferno = Homem Com A Flor Na Boca, 2023. Gregório de Mattos reencarnado. “opondo-se aos donos da vida que controlam, o saldo, o lucro e o tesão” Os donos da vida em 1985: latifúndio, usina, monocultura.
Os donos da vida em 2026: túnel, sonda, ultrassom, a vida está engordando pra morte.
Artur opõe o mesmo: verso. Canino. Flor. Vive no que resta. “com um prazer de fera
e um punhal de amante” Prazer de fera na carne da palavra nasce o poema entre ossos.
Punhal de amante cravados na memória. meus caninos famintos. Uilcon profetiza: “querem ser lidos, declamados, afixados em cartazes, desenhados em camisas”.
2026 confirma: POETA no peito. Banner do KINO3. Cartaz do Nilson Siqueirah. Por Onde Andará Macunaíma?" graças ao suor e ao cio"
Suor de usina mói o braço.
Cio de arando o vale das coxas.
Suor de túnel por dentro da barriga.
Cio de Lírio-PoHermeto delirando a Bessa.53 anos depois da biografia absurda começar, a gente entende:
Suor & Cio era o manual.
Jura Secreta 26 era o juramento.
Homem Com A Flor Na Boca era o resultado.
Mora na Filosofia é o testamento. Tudo já estava em 1985.
O Drummundo. O Cabralino. O Guimarães Rosa mineral.
O Vampiro Goytacá. O PoHermeto. A Estação 353.
Tudo já mordia. Tudo já floria. Uilcon Pereira, São Paulo, julho de 1985.
Viu o perigo e assinou embaixo. Salve MVPB Edições.
Salve o suor.
Salve o cio.
Salve o poeta que é perigoso mesmo falando em lírio, mesmo falando em Drummond, mesmo falando carinhosamente voz digo pra Monsueto. Porque quando o poeta é Artur Gomes, até a paz é transgressora.
Irina Amaralina Severina Serafina
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
meus caninos
já foram místicos
simbolistas
sócio políticos
sensuais eróticos
mordendo alguma história
agora estão famintos
cravados na memória
Artur Gomes
Poema do livro
O Homem Com A Flor Na Boca
(2023)
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*
POEMA 10
O Homem Com A Flor Na Boca (2023)
meus caninos
já foram místicos
simbolistas
sócio políticos
sensuais eróticos
mordendo alguma história
agora estão famintos
cravados na memória
Rey, ele botou os dentes na mesa. Depois da carne da palavra no microfone, agora são os caninos.
Depois do POETA no peito, agora é o HOMEM COM A FLOR NA BOCA.A biografia da mordida: Místicos - 1983, Boi-Pintadinho mordendo ditadura com encantamento. Dente de reza.
Simbolistas - Drummundo na pele/pedra. Dente que rói o símbolo até achar o osso.
Sócio políticos - RELATÓRIO 1987, arrombando porão. Dente que rasga censura.
Sensuais eróticos - Matéria amorosa. Dente que morde Rey, Clarice, Edson Luís, Torquato. Morder é amar com fúria. Mordendo alguma história
53 anos mordendo. Mordendo o Brasil pra não engolir calado. Mordendo túnel, sonda, ultrassom. Mordendo a morte e cuspindo vive no que resta. Agora estão famintos
cravados na memória
A fome mudou de endereço. Não morde mais o presente. Morde o passado. Canino não mastiga futuro — ele guarda. Ele crava. Memória é carne dura. Precisa dente afiado pra não esquecer. E a capa fecha o feitiço:
Homem de chapéu, cavanhaque, flor vermelha na boca. É bardo, é maldito, é Verlaine, Baudelaire, Rimbaud — os citados no texto. É Gregório de Mattos Boca do Inferno. É o poeta que não declama: deglute. Cesar Augusto de Carvalho escreveu: "não é para ser lido, é para ser deglutido".
Krishnamurti Góes dos Anjos: "segue sua árdua caminhada, agora com o poderoso colírio da maturidade que lhe chega". Colírio pra ver. Canino pra cravar. Flor pra dizer. A flor na boca é a rosa do PoHermeto. É o Lírio da Estação 353. É o que sobra quando a mordida passa. O Artur mordeu o século, engoliu 53 anos de Brasil, e devolveu flor. Do Jura Secreta 26 em 2018 pro Poema 10 em 2023:
Em 2018 ele jurava: eu sou Drummundo.
Em 2023 ele mostra os dentes: estou faminto de memória. Entre um e outro teve o túnel. Teve a sonda. Teve o vive no que resta.
Por isso os caninos agora cravam na memória: porque o corpo lembrou que é mortal. Mas o verso não. "na carne da palavra nasce o poema entre ossos"
"meus caninos cravados na memória" Do osso pro dente. Da palavra pra mordida.
Artur Gomes é um carnívoro de tempo. Salve a Penalux. Salve a flor.
Salve o homem que tem canino místico e continua mordendo história aos 70 e poucos. Faminto e florido.
Irina Severina Serafina
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
"na carne da palavra
nasce o poema
entre ossos"
Aí tá o raio-X do Artur, Rey. Do lírio-da-paz molhado pro osso exposto no microfone.
Da folha verde pro verbo encarnado. POETA escrito no peito. Não é camiseta. É diagnóstico. É atestado. É laudo médico de quem tem poesia na medula. Eu sou Drummundo
e me cofundo na matéria amorosa Matéria amorosa virou carne. Virou músculo, nervo, osso.
Artur não declama. Ele sangra. Ele sua. Ele range os dentes e o poema nasce ali, no atrito entre a palavra e a vértebra. Até na pele/pedra
quando me invoco Invocou. Tá invocado no palco, punho cerrado, veia no pescoço.
Pele que sentiu sonda, pedra que segurou porão, ultrassom, túnel. Agora é pele que canta. Pedra que grita. E me desbundo baratino
e então provoco
um barafundo Cabralino. Barafundo Cabralino é isso: precisão e fúria.
Tesoura cortando sílaba no ar. Engenharia da voz. O poema não sai da boca, sai do osso. Nasce entre costela e diafragma. E vou pro fundo
do mais fundo
o mais profundo
mineral Guimarães Rosa. O fundo agora é o pulmão. É o fôlego. É o mineral que vira som.
Rosa no microfone. Sertão amplificado. Vive no que resta gritado no escuro. Do Lírio-PoHermeto na Estação 353 pro POETA no palco.
Do presente do Joilson Bessa pro presente que ele dá pra gente: a carne aberta em verso. Fulinaíma MULTIPROJETOS + KINO3
Porque pra registrar esse nascimento entre ossos precisa cinema. Precisa audiovisual. Precisa luz cortando o preto pra mostrar o branco do olho, o suor, o dente, a fé. "na carne da palavra nasce o poema entre ossos"
É a Jura Secreta 26 em 3D.
É o currículo de 53 anos comprimido num frame.
É o Drummundo, o Cabralino, o Guimarães Rosa todos dentro de um corpo só, cantando. O absurdo é poema nascer de osso.
O necessário é ter peito de POETA pra parir. Salve Artur Gomes.
Vivo. Vidente. Vertebrado em verso.
Irina Severiana Serafina
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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