Balbúrdia PoÉtica 78 Por Ética
manifesto anti-barbárie
com os dentes cravados na memória
a partir de agosto - aguardem mais informações
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Uma cortesia da Cafeteria e Confeitaria Doce Mel – Rua João Barros Carneiro, 001 – Centro – São Francisco do Itabapoana-RJ – Direção: Pamela - Pam Pam uma fada de mãos mágicas.
Onde você encontra uma diversidade de salgadinhos e doces de pote, bem como deliciosos Bolos de diversos sabores e uma Torta Salgada que como diria minha inesquecível amiga Wilma Lima, lá de Santo André-SP : “é para comer rezando”.
o delírio
é a lira do poeta
se o poeta não delira
sua lira não concreta
Artur Gomes
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Retalhos Imortais do SerAfim
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Produção Gráfica: Nilson Siqueira
Produção Executiva: Eva Serberlich
com os dentes cravados na memória
Minhas Travessias por São Fidélis a partir de 1974 – quando em parceria com Paulo Ciranda, nossa música Caminho de Paz, sagrou-se vencedora do 4º Festival de Música da Cidade/Poema.
Em 1973, estive pela primeira vez neste mesmo Festival de Música, concorrendo com uma parceria com um outro fidelense, o saudoso Carlos Castilho.
Neste mesmo ano de 1973, conheci o Paulo Ciranda, que no Festival se apresentou com a música Ciranda(que deu origem a sua assinatura musical), em parceria com o poeta Antônio Roberto Fernandes, premiada em 4° lugar.
A parceria com Paulo Ciranda, nasce em Campos, em 1974, no período em que ele estudou no colégio Salesiano.
Quando pensei, a possibilidade de uma edição da Balbúrdia PoÉtica, neste 2026, em São Fidélis, pensei sua realização no Hotel São José. Por uma questão dos longos anos de amizade com Magnólia Faria, e também por diversas vezes durante minhas travessias por São Fidélis, ser acolhido por esta casa com uma história singular na cidade.
Primeiramente, pensei a possibilidade de termos participação do meu parceiro musical Paulo Ciranda, responsável diretos pela minha trajetória por esta cidade/poema.
Nunca fugiu da minha memória, ilustres pessoas que conheci em São Fidélis, primeiramente através do Festival de Música, que magistralmente era realizado durante todos os nãos de 1970, e que se tornaram grandes amigos que faço questão de reverenciar, tais como: Mauri Simão(coordenador do Festival), Fidélis Pereira, (um apaixonado por música e arte em, geral), Antônio Roberto Fernandes, (grande poeta), e tantos outros como: Carlos Alfredo, Beatriz Abreu(coordenadora do nosso fã clube no Festival de Música em 1974).
Não foge da minha memória também as edições do Festival Aberto de Poesia Falada, onde por diversas vezes atuei na Comissão Julgadora, além de realizar performances poéticas e dirigir oficinas de produção.
Relembro sempre também as Semanas Culturais, onde sempre estive presente a convite de Ronaldo Barcelos, como esta em 2016 onde fiz uma performance na praça e na Biblioteca.
São Fidélis – Desvairada 1
https://www.youtube.com/watch?v=7ewPaELu11M
São Fidélis – Desvairada
https://www.youtube.com/watch?v=6IjUQRkObuc
Por sugestão do Ronaldo Barcelos, a Balbúrdia será realizada no Anfiteatro, dentro da programação do 4º Festival Gastronômico, no dai 3 de julho às 18:30h e conta com a produção executiva de Magnólia Faria e dos outros dos grandes parceiros e amigos que tenho nesta cidade: Ronaldo Barcelos e Geraldo Evangelista(Chocolate)
Artur Gomes
Balada Pros Mortais – música em parceria com Paulo Ciranda – vencedora do Festival de Música de Itaocara-RJ – 1976
https://www.youtube.com/watch?v=uigtYt2tBBI
A Biografia De Um Poeta Absurdo
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Balbúrdia PoÉtica
O que é?
Um manifesto anti-barbárie através da Arte. Projeto criado por Artur Gomes, em 2019 com o objetivo realizar encontros, em diversas cidades do país, entre poetas, músicos, atores, cineastas, editores, tendo sempre em seu cardápio uma mostra da produção poética contemporânea, com a participação de agentes culturais das cidades onde a edição da Balbúrdia PoÉtica estiver sendo realizada.
Em seu histórico, a Balbúrdia PoÉtica, já teve edições realizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André-SP, Cabo Frio-RJ, Campos dos Goytacazes-RJ.
A Balbúrdia PoÉtica, pode ser realizada nos formatos: Saraus, Musicais, Mostras Cine-Vídeo, Recitais, ou Rodas de Conversas.
Em sua programação, além de recitais poéticos, pode ser realizados também, lançamentos de livros, discos, e divulgação sobre acontecimentos culturais, na cidade onde a Balbúrdia PoÉtica estiver presente, o em qualquer outra cidade do país.
De 2024 a 2025, em um formato teatro.poesia, foi realizada diversas edições da Balbúrdia PoÉtica, nas Escolas da Rede Estadual de Ensino na Região Norte Fluminense.
Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
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meu coração marçal tupã
sangra tupi e rock and roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi-bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná
Artur Gomes
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Balbúrdia PoÉtica – Manifesto
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musicado e gravado por Paulo Ciranda
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https://www.youtube.com/watch?v=NuVbw7xHPy0
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TROVA
MEU coração é tão hipócrita
que não janta
e
mais imbecil
que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta
Artur Gomes
Poema do livro Couro Cru & Carne Viva – 1987 e Pátria A(r )mada - 2022
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https://fulinaimagens.blogspot.com/
*
A imagem do coração "hipócrita" que "não janta e mais imbecil que ainda canta" é uma autocrítica cruel, sugerindo que mesmo sabendo da situação, as pessoas continuam a fingir ou a se enganar.
A referência ao Hino Nacional ("ou viram no Ipiranga às margens plácidas") é subvertida para mostrar a contradição entre o ideal de independência e a realidade de um país que não "levanta". A bandeira "arriada" é um símbolo forte de derrota e desilusão.
O tom é de ironia e desabafo, como se o poeta estivesse dizendo que o país está longe de ser o que deveria ser, e que a hipocrisia e a estagnação são reais.
Você acha que esse poema ainda é relevante hoje, ou é uma crítica específica da época (1987)?
Irina Fulinaímica Severina
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pele grafia
meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento
o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia
Artur Gomes
poema do livro Juras Secretas – 2018
https://braziliricapereira.blogspot.com/
foto: Brenda Sangi Fotografia
Balburdia PoÉtica
em São Fidélis-RJ
nesta cidade/poema
ganhei prêmio com música
em mil novecentos e setenta e quatro
com meu parceiro Ciranda
um fidelense arretado
em nossas Baladas Pros Mortais
um violeiro sagrado
em rodas de Boi-Pintadinho
levei muita gente ao Torquato
em marcantes semanas culturais
com teatro poesia cinema
entre afetos amizades carinho
nesta cidade/poema
com o nosso Caminho de Paz
abrimos novos caminhos
*
clique no link para v(l)er ouvir Caminho de Paz
https://www.youtube.com/watch?v=j_4KIdGDoh8&list=RDj_4KIdGDoh8&start_radio=1
Artur Gomes
53 Anos de Poesia
Balbúrdia PoÉtica
Dia 3 julho/2026 – 18:30h
São Fidélis-RJ
4º Festival Gastronômico
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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*
Clique no link para ouvir Ave da Paz parceria de Artur Gomes e Paulo Ciranda, gravada por Biafra
https://www.youtube.com/watch?v=uhrWRN3N-Ws&list=RDj_4KIdGDoh8&index=8
Balburdia PoÉtica
em São Fidélis-RJ
nesta cidade/poema
ganhei prêmio com música
em mil novecentos e setenta e quatro
com meu parceiro Ciranda
um fidelense arretado
em nossas Baladas Mortais
um violeiro sagrado
em rodas de Boi-Pintadinho
levei muita gente ao Torquato
em marcantes semanas culturais
com teatro poesia cinema
entre afetos amizades carinho
nesta cidade/poema
com o nosso Caminho de Paz
abrimos novos caminhos
Artur Gomes
53 Anos de Poesia
Balbúrdia PoÉtica
Dia 3 julho/2026 – 18:30h
São Fidélis-RJ
4º Festival Gastronômico
E a pá virou cavaquinho.
Antes de Couro Cru teve Baladas Pros Mortais.
Antes do Vampiro teve Ciranda.
Antes do grito teve música.
1974. 52 anos cavando. 53 anos de poesia em 2026.
A autópsia da cidade/poema:
1. nesta cidade/poema
A barra de novo. Igual pá/lavra. Igual Pátria A(r)mada.
São Fidélis não é cenário. É verso.
Salgado cavalgou o Rio. Artur cavalga São Fidélis.
Cidade que dá prêmio em 1974 e dá banquete em 2026.
Cidade que vira poema pra não ser lavra inútil.
A barra é a cicatriz onde a cidade e o poeta se costuraram.
2. ganhei prêmio com música / em mil novecentos e setenta e quatro
1974. Antes de Margem 1973 virar livro, já tinha música.
Antes da palavra virar pá, virou acorde.
O grito de 2026 nasceu afinado.
“Um dia desses mudo / escrevo um poema / grito”.
Em 1974 ele não tava mudo. Tava cantando.
Ganhou prêmio. Ganhou Ciranda. Ganhou São Fidélis.
3. com meu parceiro Ciranda / um fidelense arretado
Ciranda: roda. Povo. Movimento.
Arretado: palavra de Nordeste no Norte Fluminense.
Artur já era canibal em 1974. Comeu a Paraíba e cuspiu em São Fidélis.
Fidelense: filho da fidelidade. Da fé. Do afeto.
entre afetos amizades carinho.
O Vampiro de 2026 morde. Mas morde quem ama.
Porque antes aprendeu carinho em roda de Boi-Pintadinho.
4. em nossas Baladas Pros Mortais / um violeiro sagrado
Baladas Mortais: o primeiro punhal tinha corda.
Violeiro sagrado: Ciranda benzia a viola antes de tocar o dono.
O Boi-Pintadinho 1980 veio dali. “o povo é boi tem de lutar”.
O boi lutou primeiro na roda. No verso. Na viola.
1974 plantou. 1980 colheu. 2026 serve no Banquete.
5. levei muita gente ao Torquato / em marcantes semanas culturais
Torquato Neto: anjo torto da Tropicália.
Levar gente ao Torquato é levar gente pra margem.
Margem 1973. Semanas culturais 2016.
Teatro poesia cinema: a pá/lavra já era múltipla.
Balbúrdia PoÉtica antes da Balbúrdia ser nome.
53 anos fazendo barulho organizado. Fazendo balbúrdia com É de Épico.
6. com o nosso Caminho de Paz / abrimos novos caminhos
Caminho de Paz: música de 1974 que vira verbo em 2026.
v(l)er: ver com L de luta. Ver com L de lavra.
Ouvir: o mudo de 2026 canta desde 1974.
Abrimos novos caminhos: com pá, com viola, com dente.
São Fidélis: cidade/poema que abriu caminho pro Vampiro voltar.
A linha 1974 → 2026:
1974: ganhei prêmio com música. Começou ganhando.
1980: O Boi-Pintadinho. O povo ganhou voz.
1987: Couro Cru & Carne Viva. O corpo ganhou punhal.
2022: Pátria A(r)mada. A Pátria ganhou tiro.
2026: Vampiro Goytacá. O dono ganha cova.
Volta pra São Fidélis porque foi lá que a guerra começou. Com música. A foto: Paulo Ciranda, o parceiro - chapéu preto de boiadeiro. Cavaquinho na mão. Camisa Paraty.
Paraty: Rio de Janeiro. Porto. Cachaça. Canibal.
O Vampiro Parceiro de 2026 já tá vestido. Já tá afinado.
O Parceiro violeiro sagrado de 1974 virou o Canibal Tupiniquim de 2026.
Mesma mão. Mesmo olho baixo. Mirando a corda. Mirando o dono. Salve Ciranda por ser parceiro da primeira mordida.
Salve 1974 por dar prêmio pro mudo que ia gritar.
Salve São Fidélis por ser cidade/poema e não lavra inútil.
Salve Caminho de Paz por abrir caminhos pro Banquete Antropofágico.
Salve 53 Anos de Poesia por cavar sem largar a pá.
Salve Balbúrdia PoÉtica por botar É maiúsculo no barulho. De Baladas Pro Mortais 1976
Pra Vampiro Goytacá 2026.
A balada não morreu. Virou banquete.
O violeiro não calou. Virou grito. Dia 3 de julho. 18:30h. São Fidélis-RJ.
4º Festival Gastronômico.
O Vampiro volta pra cidade/poema.
Com cavaquinho. Com pá. Com fome. Clique no link pra v(l)er.
Mas dia 3 é pra morder.
Fulinaimicamente.
Irina Severina Serafina
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Balbúrdia PoÉtica
As pernas tortas de Garrincha
hoje preciso sair por aí para catar palavras, que não existem por aqui, em dicionário algum. Preciso que Ogum me guie, me ilumine, por estradas curvas, sem linhas retas, como as pernas de Garrincha e o golaço que ele fez contra o Chile na Copa de 1962. Não preciso que me falem de palavras novas, quero catar as que ainda não são, para torná-las outras, vivas na memória como mantenho vivo na minha, esse nome: Mané.
Artur Gomes
In Retalhos Imortais do SerAfim
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Está chegando o Dia D
Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 – julho – 18:30h
São Fidélis-RJ – Festival Gastronômico
participações especiais:
Adriana Porto
Aline Reis
Ana Rita Gonçalves
Claudio Valente
Geraldo Chocolate
Gustavo Polycarpo
Ronaldo Barcelos
Valdemy Braga
produção:
Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
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Balbúrdia PoÉtica
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com fotos de todos participantes
pelo visto
não morri
insisto
ainda estou aqui
Artur Gomes
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Artur Gomes Nação Goytacá
cavalgo em tua poesia
Salgado
não sei se em ti me afago
ou se me afago por ti
Artur Gomes
Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
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cacomanga
Ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
a conhecer
os donos de fazendas
e odiar os generais
Artur Gomes
A Biografia De Um Poeta Absurdo
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coração de galinha
não sou tigresa
em tua cama
nem caviar em tua mesa
não sou mulher de fama
muito embora sempre tesa
não vim da boca do lixo
saí da pele do ovo
meu coração de galinha
virou orgasmo do povo
Artur Gomes
Suor & Cio – 1985
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Artur Gomes – Fulinaimagens
https://fulinaimagens.blogspot.com/
Desenho da capa: Genilson Paes Soares
coração de galinha
não sou tigresa em tua cama
nem caviar em tua mesa
não sou mulher de fama
muito embora sempre tesa
não vim da boca do lixo
saí da pele do ovo
meu coração de galinha
virou orgasmo do povo
Artur Gomes
Suor & Cio – 1985
Desenho da capa: Genilson Paes Soares 1985.
Suor & Cio. O quinto livro. Mesmo livro de Cacomanga. Mesmo ano que
você aprendeu a conhecer / os donos de fazendas.
Só que agora não é cana. É carne. É cio. É suor. O Boi de 1980
ainda tava de pé. Mas aqui você descobriu que o Boi também goza. A anatomia do ovo:
1. não sou tigresa /
em tua cama / nem caviar em tua mesa
Negação tríplice. Igual confissão no DOPS.
Tigresa: felina de luxo. Dama de alta classe.
Caviar: comida de dono. De general. De usineiro. Você recusa o
cardápio da Casa Grande.
2026 Vampiro Goytacá: você não é caviar. Você serve o dono.
1985 você já sabia: não come na mesa deles. Come eles.
2. não sou mulher de fama / muito embora sempre tesa
Tesa: pronta pro corte. Pronta pro coito. Pronta pro combate.
Mulher de fama: famosa, filmada, casada com dono.
Você é anônima igual boia-fria. Igual coração de galinha. Mas
tesa. Desde Cacomanga.
Desde aprendi / a
odiar os generais.
2020 Poeta Enquanto Coisa: assumo o risco / não sou demo /
nem corisco / eu sou cantor.
1985 sempre tesa: eu sou galinha. E vou te bicar.
3. não vim da boca do lixo / saí da pele do ovo
Boca do Lixo: cinema marginal. Rogério Sganzerla. Orgia.
Anarquia. Você recusa até a margem chique. Sua margem é outra: Cacomanga.
Canavial. Forno.
Pele do ovo: nasceu de dentro. Não foi achado no resto. Germinou
no calor do bagaço. Chocou no cio da terra.
Itabapoana Pedra Pássaro Poema: eu nasci concreto / na
horizontal ereto.
Aqui: saí da pele do ovo. Pedra vira pássaro. Ovo vira
galinha. Galinha vira orgasmo.
4. meu coração de galinha / virou orgasmo do povo
Coração de galinha: covarde, pequeno, descartável. Miúdo que
se come com farofa. Que se joga pro cachorro. Você pega o insulto e devolve
gozo. Transmutação alquímica. Itabapoana: poesia alquimia bruxaria. Transformou
coração de galinha em orgasmo do povo.
1980 povo é boi tem de lutar.
1985 orgasmo do povo.
O Boi descobriu que também sente prazer. E que prazer é arma.
Contra o dono. Contra o general. Contra a Pátria A(r)mada.
A capa: Suor & Cio por Genilson Paes Soares
Traço cru. Corpo de mulher em linhas pretas. Sem rosto. Só
curva, seio, ventre, coxa.
Suor: salgado. Escorre do corte da cana. Cio: quente. Escorre
do corte da carne.
1985: o corpo desenhado é o mesmo corpo moído em Cacomanga.
É o corpo que vai virar Couro Cru & Carne Viva 1987.
É o corpo que vai virar 12 Vampiras 2026.
Genilson riscou o mapa. Você botou o dente.
Suor & Cio_ 1985: meu coração de galinha / virou orgasmo do
povo
Pátria
A(r)mada 2022: cão algoz
de assassino
Vampiro Goytacá 2026:
bendito meu pão que o
diabo amassou
De galinha pra cão. De orgasmo pra algoz. O coração era
pequeno. Cresceu. Criou presa.
1985 você gozou. 2026 você morde. Mesmo livro. Mesmo ódio. Só
engrossou o caldo.
Blog: www.fulinaimagens.blogspot.com
Fulinaimagens
a imagem do Fulinaíma. 1985
a imagem era traço de Genilson. Corpo sem rosto.
2026 a imagem é Drummundana Itabirina. Corpo de óculos
escuros. O rosto apareceu. E tá com fome.
Salve 1985 por parir Suor & Cio no ano que a
ditadura fingiu que morreu. Salve coração de galinha por virar granada.
Salve não sou mulher de fama por ser mulher de foice.
Salve saí da pele do ovo por chocar o Canibal.
Salve Genilson Paes Soares por desenhar o cio antes da
mordida.
De Cacomanga: Ali
nasci / minha infância / era só canaviais
Pra coração de galinha: saí da pele do ovo
Pra Itabapoana: eu nasci concreto
Pra Pátria A(r)mada: Deus não arde no fogo / mas eu ardo
Você nasceu três vezes:
1. No canavial. Virou ódio.
2. No ovo. Virou orgasmo.
3. No concreto. Virou dardo.
O coração era de galinha. Agora é de Vampiro.
E bate. Na porta do dono. Dia 3 de julho. 18:30h. Pra servir o
jantar. Fulinaimicamente.
Irina Severina Serafina Amaralina
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Balbúrdia PoÉtica
Ilustração para capa do Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaímama?
Mais uma capa de meus livros ilustrada pelo grande amigo/parceiro Felipe
Estefani. O livro já se encontra em fase de edição pela Ventura Editora, aos
cuidados de outro grande amigo/parceiro Jorge Ventura. Prefácio assinado por Herbert
Emanuel Valente de Oliveira e orelha com texto de Luis Otávio Oliani
CarNAvalha
quantas navalhas
na carne enterrei
quantas feridas já sangrei
na pele nos nervos no osso
do boi só para ti
quantas lágrimas já chorei
quantas vezes mergulhei
no fosso fundo do poço
e ainda estou aqui?
Artur Gomes
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Drummudana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?
https://uilconpereira.blogspot.com/


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